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Administração Hospitalar

   Outcomes Management: coordenando os cuidados dvpara atingir resultados
Rosa Frimm, Director International Patient Service


Se pudéssemos sonhar, viveríamos num mundo onde os custos da saúde não teriam nenhuma influência na qualidade dos serviços prestados ao paciente. Esse sonho chegou a existir em parte, na década dos anos 60, nos EUA. Porém, não demorou muito para que a sociedade americana, e principalmente as companhias de seguro, se dessem conta de que os gastos com cuidados de saúde estavam subindo absurdamente, chegando a ponto de que se gastava mais com saúde do que com educação e até com armamento! Essa mesma realidade também acontece no Brasil de hoje.

Nos Estados Unidos, a grande mudança veio com a implementação dos grupos de diagnósticos (Diagnostic Related Groups/DRG), onde foram calculados "pacotes" para cada tipo de doença e sua respectiva despesa hospitalar. Muitos hospitais tiveram que cortar imediatamente programas e atendimentos para os quais eles não conseguiam controlar os custos. Ainda pior foi o fato de que vários hospitais acabaram por diminuir a qualidade dos serviços prestados. Houve um corte de serviço, material e pessoal, e a enfermagem foi colocada, mais uma vez na história, numa situação difícil.

Por outro lado, algumas instituições agiram com responsabilidade e inteligência. O St. Luke's Episcopal Hospital, sede do Texas Heart Institute de Houston, é um grande exemplo dessa modalidade. De início, o St. Luke's adotou uma filosofia na qual o programa de cuidados deve ser eficiente, colocando o paciente como foco das atenções. A missão do hospital foi baseada na premissa de que devemos atingir a melhor qualidade de cuidados de saúde, a um custo razoável, para que possamos continuar investindo no nosso futuro, na tecnologia e na educação dos profissionais de saúde.

Foi fácil identificar que um dos maiores problemas das instituições de saúde era a falta de organização e planejamento dos cuidados ao paciente. O primeiro passo da enfermeira encarregada do programa Outcomes Management foi de estabelecer equipes multidisciplinares e começar a ensinar a todos a trabalharem em equipe para o bem do paciente. No início, embora alguns médicos não tivessem dado muito apoio ao programa, com receio de que perderiam sua autonomia, outros logo tomaram a liderança para nos ajudar a atingir o objetivo de estabelecer um programa onde todos os membros da equipe, inclusive o paciente, saberiam o que era esperado a cada dia e até a cada hora, durante a estada no hospital.

Outcomes Management é um programa em que todos os membros da equipe multidisciplinar estão dedicados a atingir os resultados delineados. O objetivo desse programa é alcançar cuidados clínicos de alta qualidade, baseado em evidência científica, para toda a duração da doença. Utilizamos os Critical Pathways, que são um roteiro básico, desenvolvido pela equipe de cuidado em conjunto, no qual é identificada de forma detalhada a seqüência de tratamentos, intervenções e nutrição até o plano de alta. Vale ressaltar que divergência ou variações podem ocorrer quando a evolução do paciente se apresenta diferente das expectativas determinadas pelo pathway. Estas variações necessitam ser controladas e acompanhadas, pois os próprios pathways devem ser continuamente avaliados e melhorados, garantindo assim a excelência da prática, de acordo com as evidências de eficácia dos planos assistenciais e terapêuticos propostos.

A partir do momento em que o paciente entra no hospital, o seu respectivo pathway é identificado e anexado ao prontuário. A partir daí, a enfermagem, a nutrição, a fisioterapia, a farmácia, enfim toda equipe sabe o que deve ser feito a cada dia, para que o paciente atinja o melhor resultado. É claro que os casos cirúrgicos são mais fáceis de serem coordenados, em comparação com os casos clínicos. Para a maioria dos casos clínicos, é mais apropriado estabelecer o roteiro indicando as fases a serem alcançadas e os resultados esperados, e não a simples seqüência cronológica.

Muito embora a primeira força dessa mudança tenha sido financeira, os resultados alcançados vieram a beneficiar o paciente. Acrescento que esse programa estabeleceu um novo papel de liderança para o enfermeiro. Hoje em dia, o Outcomes Manager, assim como toda a enfermagem, são reconhecidos pelo seu papel de destaque no gerenciamento de cuidados de pacientes na nossa instituição.

O nosso sucesso é contagiante, pois sabemos que temos um programa eficiente, no qual o compromisso principal continua sendo com nosso paciente.

Rosa Frimm Director International Patient Service St. Luke's Episcopal Hospital Houston - EUA Consultora internacional INOVA Consultoria

 


   

 

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