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Auditoria Médica

   Auditoria Médica 

Texto transcrito da revista "HOSPITALRIO", informativo da Assoc. de Hospitais e Clínicas do Rio de Janeiro, ano IV, n° 33, julho - agosto/2000

Auditoria médica é tema também que não se esgota no setor médico-hospitalar privado. E, pelo visto, nem tem previsão para isso.

No evento organizado em junho pela Associação Brasileira de Medicina de Grupo do Rio de Janeiro (Abramge-RJ), o assunto foi debatido pelos Drs. Sérgio Vieira, presidente da entidade; José Carlos de Souza Abrahão, presidente da Associação de Hospitais e Clínicas do Rio de Janeiro (AHCRJ) e da Federação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (FEHERJ); Grancho Alvim Neto, da Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (AHERJ); e José Arthur Fialho, da Sociedade de Médicos Auditores do Rio de Janeiro (SOMARJ).

Em apenas um item, todos concordaram: a complexidade da administração hospitalar, por si só, já é um fator que exige maior profissionalização do trabalho de auditores internos e externos.

Dr. José Carlos Abrahão ressaltou que a auditoria exercida pelos convênios fere a ética profissional e se atém demais aos custos dos serviços. "Essa preocupação deve ser do administrador hospitalar, e não do auditor. Quando a fiscalização é feita in loco, ele até pode sugerir ao médico assistente um outro procedimento, mas, após a alta do paciente do hospital, seu dever tem que ficar limitado aos erros de soma ou digitação, e não aos de condutas médicas" explicou.

Assim, fica claro que, para os donos de hospitais, a situação real é marcada por desequilíbrio ético-profissional, diminuição de avaliação diagnóstica complementar, restrição de procedimentos e internações e desgaste nos relacionamentos. "Na livre concorrência, há espaço para todo mundo, e a satisfação do cliente deve estar à frente de qualquer situação", disse o presidente da AHCRJ e da FEHERJ.

Em contrapartida, Dr. Fialho afirmou que o grande problema da auditoria dos convênios é a total falta de regras para o relacionamento com os hospitais. "O auditor não pode sempre ficar taxado de 'patinho feio'. O hospital, quando aceita um plano, já deve saber o que este cobre ou não. Além disso, o dirigente deve saber que, para estar no mercado de saúde, deve compartilhar os riscos", alertou.

Essa afirmativa provocou uma reação imediata do representante dos hospitais privados do Estado do Rio, presente ao evento. "Não faltam regras. Os contratos existem. Falta cumprimento, responsabilidade por parte dos planos", enfatizou Dr. José Carlos Abrahão.

O presidente da Abramge-RJ encerrou o evento fazendo a seguinte colocação: "Só temos um patrão — o consumidor, que merece o melhor sempre. A lei 9.656 é um grande equívoco, que propõe a elitização da saúde. E, infelizmente, há no mercado um grande variedade de empresas de planos aprovados pela própria ANS. É preciso haver revisão."

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