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Endocrinologia
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O
Joio e o Trigo
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Dr.
Amélio de Godoy Matos é presidente da Sociedade Brasileira
de Endocrinologia e Metabologia - SBEM00
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O que é preciso para ser um endocrinologista? A resposta pode parecer
óbvia, mas nem sempre capacidade técnica e experiência comprovada são
requisitos básicos para um médico atuar como endocrinologista. Cada vez
mais tem crescido o número de médicos que medicam e atuam na especialidade,
indicam tratamentos e cirurgias, por vezes sem necessidade, em pacientes
que deveriam estar sendo tratados por médicos endocrinologistas.
Diversos médicos que se apresentam como endocrinologistas, até mesmo na
mídia, na verdade não possuem o título de especialista concedido pela
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia ou mesmo têm a formação
específica. Para ser um endocrinologista, o médico precisa ter dois anos
de residência ou cinco de trabalho comprovado na área, ou ainda fazer
um curso de especialização credenciado pela SBEM.
Somente após cumprir estas exigências, o endocrinologista estará apto
a fazer o rigoroso concurso anual promovido pela SBEM para receber o título
de especialista e se tornar um membro titulado da Sociedade. A exigência
é grande, mas é essencial para que a população possa contar com um atendimento
mais eficiente e seguro.
É essencial também que leigos conheçam as áreas de ação da endocrinologia,
para que possam escolher o médico que melhor atenda às suas necessidades.
O campo de atuação do endocrinologista é bem amplo e não está limitado
apenas ao tratamento da obesidade e do diabetes. A especialidade é indicada
para o atendimento a pessoas com problemas na tireóide, distúrbios da
puberdade, crescimento, alterações menstruais, problemas da hipófise,
glândulas supra-renais, além de problemas relacionados ao colesterol,
triglicerídeos, osteoporose, menopausa, andropausa etc.
Muitas vezes, quando o paciente não procura um endocrinologista, acaba
sendo atendido por especialistas de outras áreas sem a mesma eficácia,
com atraso e eventual erro no diagnóstico. É comum receber pessoas que
iriam ser operadas sem necessidade por outros colegas de medicina, e que
após o diagnóstico e tratamento endocrinológico obtiveram melhora sem
a realização da cirurgia.
Para o Conselho Federal de Medicina (CFM) o médico deve estar habilitado
para atuar em todas as áreas. O limite ético e a responsabilidade em relação
à competência ficam a critério de cada profissional, mas é vedado ao médico
divulgar ser um especialista se não estiver se preparado para isso. Na
prática, o conhecimento específico faz falta. Uma pessoa que necessite
de atendimento endocrinológico tem de ser informada sobre a existência
de médicos especializados em endocrinologia, com comprovada capacidade
científica. A comunicação precisa ser feita para que a sociedade tenha
direito à escolha.
Para aumentar a insegurança e fragilidade do setor, existem também os
oportunistas de plantão que, sem formação médica, buscam ocupar uma parte
da endocrinologia que cuida da obesidade. São propagandas enganosas formuladas
em receitas mirabolantes que prometem muito em pouco tempo, mas sem embasamento
científico. É urgente a separação do "joio e do trigo". Toda a sociedade
precisa estar consciente dessa realidade que afeta diretamente a saúde
da população e a credibilidade da classe médica.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, criada há 50 anos,
reúne mais de 2.500 associados em todo o país, sendo 400 no estado do
Rio de Janeiro. Este ano, a entidade pretende ampliar ainda mais a campanha
iniciada em 2001 para esclarecer a população sobre a importância de procurar
um endocrinologista capacitado.

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