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De fato, tamanha é a morbidade que gira em torno da neurocirurgia que, quando um paciente operado não exibe depois qualquer seqüela, até colegas tendem a subestimar a complexidade do procedimento realizado e alguns leigos chegam a duvidar de que a operação ocorreu. Bem ao contrário, as cirurgias neurológicas de hoje se revestem de alta tecnologia, o que permite acreditar num resultado mais completo; para tanto, porém, é essencial o adestramento fino e a concentração redobrada. Por outro lado, mais recursos técnicos trouxeram muito maior responsabilidade para os neurocirurgiões. Num passado recente, os médicos eram autênticos heróis descompromissados nesta área: os exames eram invasivos e arriscados, as operações limitadas e elevado o índice de surpresas ruins e não havia CTI no pós-operatório. Hoje os métodos diagnósticos são bem mais seguros e precisos, e os materiais em sala de cirurgia garantem um alto percentual de êxito para os cirurgiões bem preparados. Começando pelas angiorressonâncias e tomografias helicoidais, passando por trépanos elétricos, coaguladores bipolares e aspiradores ultra-sônicos, a delicada abordagem do sistema nervoso alcançou a era da videoendoscopia, da neuro-radiologia intervencionista e da radiocirurgia, permitindo aos colegas do ramo uma visão bem mais otimista dos seus pacientes e a estes uma confiança maior na solução dos seus problemas. Estamos hoje animados com os progressos da engenharia genética, dos implantes de células nervosas e da clonagem tecidual no combate às lesões medulares e cerebrais incapacitantes; o futuro, portanto, promete lágrimas de alegria. Ainda assim, a neurocirurgia continuará sendo uma especialidade para poucos, pois o permanente confronto com o risco de vida requer do profissional um perfil bem peculiar: aquele que mistura humildade com determinação, trabalho com estudo e esperança com realidade. Principalmente para os que desejam se candidatar a semi-deuses, caberá sempre procurar outro caminho menos científico na aproximação com o Criador.
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