Recursos Humanos

    Mova-se quando sua empresa mudar
Kátya Muniz, psicóloga organizacional e consultora hospitalar.


Querer mudar não basta, é preciso saber mudar. Não conseguir mudar geralmente ocorre pela falta de consciência de fenômenos sutis que estão por trás do processo de mudança.

Todas as tendências indicam que empresas com um modelo de gestão tradicional não sobreviverão ao limiar do novo milênio. Líderes, empresas e instituições que orientam as suas ações e decisões pela mentalidade tradicional serão cartas fora do baralho.

O modelo mecanicista de gestão vigente era até então, por definição, lento e reativo. Ele respondia às necessidades de décadas de estabilidade e de crescimento contínuo, no qual o futuro era mais ou menos previsível.

Erros e acertos são o que mais tem acontecido no mundo das empresas que passaram e passam por mudanças. Acreditando que as mudanças organizacionais só ocorrem se as pessoas mudarem a maneira de encarar as situações e, conseqüentemente, mudarem suas atitudes, aqui registramos os erros mais comuns observados em ambientes empresariais em transformação, e indicamos algumas regras que podem ser aplicadas às situações mais comuns, quando o estresse da mudança parece que nunca irá acabar.

O primeiro erro é tentar controlar o incontrolável. Algumas vezes, as mudanças às quais reagimos vêm a nós exatamente para nos ensinar a aceitar o que não podemos mudar. Não vale a pena colocar energia naquilo que não podemos modificar!

Um outro erro diz respeito a esperar que os outros reduzam o seu estresse. Não conte com ninguém para aliviar o seu estresse; coloque-se numa posição de administrador de sua própria tensão.

É erro, ainda, resistir a não mudar ou fazer de conta que nada está acontecendo. A organização está mudando para sobreviver e prosperar. Ao invés de bater a sua cabeça contra a parede da dura realidade, invista a sua energia em rápidos ajustes. Mova-se quando a organização mudar.

Agir como uma vítima também é um erro; aceite o fato consumado e continue andando, não estacione. Não ceda ao sedutor impulso de sentir pena de si próprio, ao menos por um longo período de tempo. Agir como vítima ameaça o seu futuro.

Tentar jogar um novo jogo com velhas regras também é considerado um equívoco quando o assunto é mudança nas empresas. Estude a situação atentamente; faça uma imagem de como o jogo mudou, visualize o tabuleiro e todas as suas peças. Decida quais aspectos do seu trabalho você deverá focalizar para elevar sua efetividade ao máximo.

Um sexto erro diz respeito a projetar um baixo grau de estresse no trabalho durante a mudança. Não caia na armadilha de crer que há alguém querendo "aprontar" para você. É o próprio processo que é desgastante. Esteja ciente de que é preciso muita paciência e aceitação.

É um erro, ainda, ter a expectativa de que, num curto prazo, o bônus da mudança superará as perdas. Lembre-se de que para cada mudança consumada há uma curva de aprendizado. O tempo pode ser um grande amigo ou inimigo; cabe a você decidir como trabalhar na transição. Além disso, ser um arauto da mensagem de que as mudanças trarão o pior também deve ser evitado. Isto porque não é a mudança que causa danos, é a resistência a ela. Pense nisso, reflita sobre todas as mudanças que você já vivenciou e tire suas próprias conclusões.

Mas o pior erro é seguir à risca todas as regras de sobrevivência listadas acima. Não pense que, se você seguir essas regras, estará pronto para enfrentar os processos de mudanças; isto não acontecerá. Não pense que quem escreveu isso o fez de um único fôlego, isto não é verdade. Isso é produto do processo número um, isto é, os erros. Se descobrirmos a fórmula de lidarmos com as mudanças, tão certas em nossas vidas, perderemos algumas das razões de viver: a aventura, a descoberta, o inusitado, a inovação, as surpresas, mesmo com todas as outras conseqüências que algumas mudanças por certo trazem (nem sempre muito boas).

 

   

 

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