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Urologia
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Disfunção erétil (impotência) |
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Ricardo
Vieira Ferreira, urologia
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Disfunção erétil (impotência) |
De
acordo com o I Consenso Brasileiro de Disfunção Erétil, define-se disfunção
erétil (DE) como "a incapacidade permanente de obter ou manter ereção
rígida suficiente para uma atividade sexual satisfatória".
A disfunção erétil acomete mais freqüentemente os idosos, provavelmente
por ser este o grupo mais contemplado por doenças crônicas, como a diabetes,
hipertensão arterial, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Aproximadamente 50% dos homens entre 40 e 70 anos referem algum grau de
disfunção erétil.
O pênis é formado por 3 cilindros, que são os 2 corpos cavernosos e o
corpo esponjoso. Os corpos cavernosos são os responsáveis pela ereção.
O corpo esponjoso se situa abaixo dos corpos cavernosos e tem uma expansão
distal, a glande (ponta do pênis). Este corpo esponjoso contém a uretra,
que é o conduto por onde sai a urina durante a micção. Durante uma ereção,
os corpos cavernosos vão-se enchendo de sangue arterial até alcançar a
ereção completa.
As ereções penianas podem ser desencadeadas por estímulos sensitivos locais
e/ou estímulos psicogênicos centrais (visuais, olfativos, gustativos e
auditivos). Estes estímulos ativam uma série de nervos de controle involuntário
que liberam óxido nítrico, produzindo dilatação das artérias. Ocorre também
relaxamento das cavidades dos corpos cavernosos, que vão se enchendo de
sangue e comprimem progressivamente as veias de drenagem, impedindo que
o sangue escape do pênis (mecanismo venoclusivo). Desta forma, o pênis
aumenta progressivamente de tamanho até alcançar uma rigidez completa,
mantida até depois da ejaculação, quando há liberação de substâncias que
contraem as cavidades de maneira a se abrirem os sistemas de saída de
sangue, recuperando o membro seu estado de flacidez basal.
É importante esclarecer algo que tem sido um "tema-tabu" para
muitas pessoas. As funções sexuais e, evidentemente, a possibilidade
de apresentar disfunção erétil não guardam nenhum tipo de relação com
o tamanho do pênis.
As
causas de DE podem ser, teoricamente, muitas e de distintas naturezas,
sendo divididas de acordo com seu caráter orgânico e/ou psicogênico.
Os fatores orgânicos responsáveis pela DE podem ser de diferentes classes,
não necessariamente incompatíveis entre si, envolvendo os sistemas nervoso,
endócrino, vascular e tecidual dos corpos cavernosos.
A DE de origem neurogênica (processos que afetam os nervos participantes
da ereção) compreende enfermidades como o alcoolismo, esclerose múltipla,
acidentes vasculares cerebrais (embolias e tromboses cerebrais), certos
tipos de epilepsia, diabete melito, lesões da medula espinhal (traumas
ou afecções das vias nervosas), cirurgias (como a cirurgia radical para
câncer de próstata) e radioterapia pélvica.
Na DE de origem endócrina podemos relacionar o hipoandrogenismo (deficiência
de hormônio androgênico), alterações dos hormônios tireoideanos e também
a diabete melito.
As causas vasculares compreendem a doença caverno-venoclusiva, que pode
estar relacionada a alterações primárias na função fisiológica da musculatura
lisa do corpo cavernoso, e a doença arterial oclusiva.
Considera-se que o relaxamento inadequado do tecido cavernoso e a conseqüente
diminuição da capacidade eretiva sejam a causa da disfunção venoclusiva
(impossibilidade de retenção efetiva de sangue no corpo cavernoso durante
a tumescência peniana).
A oclusão arterial pode ser arteriosclerótica ou traumática do sistema
vascular pélvico e peniano, causando diminuição do fluxo sanguíneo e,
portanto, sensível redução da ereção peniana.
No fator tecidual, temos a Doença de Peyronie (placa fibrosa na túnica
albugínea dos corpos cavernosos) como uma das afecções responsáveis
por quadros de DE , pois pode provocar curvatura peniana à ereção. Da
mesma forma, um forte trauma do pênis em ereção também pode provocar
lesões localizadas nos corpos cavernosos e provocar DE.
Devemos mencionar ainda que muitas drogas podem levar à DE. As mais
conhecidas são os hipotensores e ansiolíticos. Outro grupo seria constituído
pelos medicamentos que interferem diretamente nos hormônios sexuais
masculinos, freando sua ação. Os exemplos mais importantes são os estrogênios
e alguns medicamentos para combater as enfermidades da próstata. O
consumo de tóxicos de qualquer tipo (maconha, cocaína, heroína, anfetaminas,
etc) produz DE, bem como o álcool tende a inibir a ereção e mesmo a
sensação de prazer. Também a segunda droga legal, o tabaco, tem relação
com a DE, já que a nicotina produz diminuição do tamanho dos vasos sanguíneos
e atua reforçando a arteriosclerose, a diabetes, a ação
de medicamentos, entre outros agentes.
Particularmente devemos dar mais atenção aos pacientes diabéticos. A
diabete melito é a enfermidade mais relacionada com a DE. As pessoas
diabéticas têm uma maior probabilidade de sofrer DE. Entre 30 e 50%
dos doentes diabéticos mal controlados são afetados por problemas na
ereção. Esta maior predisposição dos diabéticos se relaciona com a evolução
da doença: as complicações vasculares e neurológicas.
Os fatores psicológicos sempre foram responsabilizados pela maioria
dos casos de DE. Nos últimos anos, graças a um melhor estudo da enfermidade,
têm-se identificado fatores orgânicos em uma grande parte dos pacientes,
porém sabe-se que determinadas "ordens" do cérebro, voluntárias ou não,
podem inibir a ereção, dificultando o relaxamento das paredes dos corpos
cavernosos ou a dilatação dos vasos e, desta forma, interferir no desenvolvimento
da mesma.
O aparecimento de DE orgânica muito comumente se relaciona com alterações
psicológicas, como a sensação de frustração, a perda da auto-estima,
o medo de fracassos posteriores e ansiedade com relação ao ato sexual.
Tudo isso faz com que o paciente com DE possa sofrer uma deterioração
de sua "imagem" sexual, seja qual for a causa da doença. A falta
de informação adequada e de apoio familiar cria um círculo vicioso:
DE => ALTERAÇÕES PSICOLÓGICAS => MAIOR "IMPOTÊNCIA" => DE.
Implicações
do tratamento
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Ante a suspeita
de existência de DE, é aconselhável consultar o Urologista. Apesar de
este ser um problema freqüente, muito poucos homens consultam seus médicos
por este motivo. Quando o fazem é de forma velada, indiretamente e aproveitando
visitas por outros motivos. Muitas vezes são as esposas que levantam a questão.
Outras vezes o problema já existe há muito tempo e o diagnóstico é feito
tardiamente. Talvez a solução seja uma educação sanitária mais ampla e aberta,
com mais informações sobre o problema ao alcance de todos.
Ao procurar um urologista, o paciente será submetido a um procedimento de
estudo que consta de anamnese dirigida (interrogatório detalhado), exame
físico geral e específico, avaliação psicológica inicial, exames laboratoriais
e outras avaliações mais específicas (hormonal, vascular, teste de ereção
fármaco-induzida, tumescência peniana noturna, etc), se necessário.
O tratamento da DE, na atualidade, dispõe de várias opções terapêuticas
que permitem melhorar ou curar o problema em quase todos os casos. Os resultados
são melhores quando se conhece a causa da DE, podendo-se atuar diretamente
sobre ela. Os pacientes com deficiências hormonais devem ser tratados especificamente
para a reposição ou normalização de suas taxas. A possibilidade de tratamento
da DE com uma droga de fácil administração, baixo custo, eficaz e com mínimos
efeitos adversos é o principal desejo tanto de médicos quanto de pacientes.
Dentre
todos os medicamentos utilizados na terapia oral para DE, o sildenafil
(VIAGRA), um facilitador da ereção, apresenta bons resultados quando bem
indicado, sem provocar efeitos colaterais clinicamente importantes.
Na última década, iniciou-se a administração intracavernosa de agentes
vasoativos, o que representou um grande avanço no campo do diagnóstico
e tratamento da DE. Estas substâncias induzem ou facilitam a ereção. Este
tipo de tratamento oferece a vantagem de ser mais "natural", levando a
uma ereção praticamente idêntica à produzida em condições normais, sem
necessidade de nenhum dispositivo externo ou interno. Em nosso meio, a
substância mais utilizada é o alprostadil (prostaglandina E1), que tem
vantagens frente às substâncias anteriormente utilizadas por ser menos
irritante localmente, produzir menos fibrose e ter menos tendências a
provocar ereções prolongadas (priapismo). Sua administração requer treinamento
com um urologista, quando se determinará a dose conveniente (dose mínima
para produzir uma ereção eficaz), se aprenderá a preparar a medicação
e a seringa, e onde e como se deve injetar.
A auto-injeção intracavernosa de prostaglandina E1 está indicada e oferece
os melhores resultados nos seguintes casos de DE: diabéticos, doenças
neurológicas, pessoas que foram submetidas a cirurgias radicais de bexiga,
de próstata ou de colo, e DE de origem vascular leve ou moderada, sobretudo
tratando-se de insuficiência arterial.
O alprostadil está disponível também para uso intra-uretral e chega aos
corpos cavernosos através de prováveis comunicações vasculares esponjoso-cavernosas.
No entanto, esta via de aplicação tem melhor resultado em pacientes com
claro perfil psicogênico.
A
terapêutica com o uso de próteses penianas constitui uma boa alternativa
para o tratamento da DE, apesar dos grandes avanços obtidos no diagnóstico
e cura desta afecção. As indicações de próteses penianas são: vasculopatias
e doenças arterioescleróticas difusas, diabete melito, cirurgias pélvicas
ou perineais radicais, trauma pélvico, neuropatias, doença de Peyronie,
priapismo seguido de disfunção, uso crônico de drogas que interferem na
ereção, radioterapia pélvica, hipogonadismo secundário ou mesmo primário
que não responde a tratamento clínico, hepatopatias e insuficiência renal
crônica. Podemos incluir também pacientes que não se adaptem a programas
de ereção fármaco-induzida, bomba de vácuo ou outro método minimamente
invasivo.
Em nosso meio as próteses semi-rígidas são as mais utilizadas devido à
facilidade de implante, índice de complicação muito baixo, rigidez peniana
adequada, altas taxas de sucesso e satisfação na relação paciente-parceira.
As cirurgias vasculares e o uso de sistemas de criação de vácuo são outros
tratamentos válidos para alguns casos, porém pouco utilizados devido a
pobres resultados.
Deve-se
mencionar especialmente a Doença de Peyronie, que se caracteriza pela
presença de placas fibróticas na túnica albugínea, comprometendo a elasticidade
do corpo cavernoso neste local e promovendo dor e curvatura anormal do
pênis quando em ereção, com prejuízo da penetração nas relações sexuais.
O tratamento clínico está indicado nos pacientes que não apresentam DE,
podendo-se optar por drogas orais, intralesionais ou tratamentos físicos
com fontes energéticas. No entanto, sabe-se que a existência de várias
opções de tratamento evidencia a falta de uma alternativa verdadeiramente
eficiente.
O tratamento cirúrgico está divido em procedimentos que corrigem a curvatura
e outros que agem sobre a ereção. Nos casos em que há comprometimento
da função erétil, cabe a colocação de próteses penianas.

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