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  Ipsilom, u, erre, i
(a chuva e o poeta)
Carlos Hiran

Chovem letras dentro de ti
Poças de palavras
Que enchem os versos
Nesta tempestade de poemas
Que te afogam o sentido
Do olfato
Pois não sentes outro cheiro
Senão de mato
O mais cheiroso patchuli
Caem letras dentro de ti
Espalhando palavras
Por papéis
Que te embrulham o sentido
Da visão
Pois não vês outra cena
Senão
Do homem medroso da solidão
Colhe as letras que saem de ti
Sementes que foram da tua audição
Brotadas da tua história
Regadas pela voz de quem
Um dia te fez canção
Extrai de ti essas letras
Deixa fugir pelos dedos
E escorre pela tinta da tua caneta
Todo sumo da tua imaginação
Todo bálsamo dos teus sentidos
Vividos ou sonhados
Chove muito dentro de ti
As, es, os, us,
Ipsilons, us, erres, is
Escreve, então
Abriga e protege esse teu ser
Poeta!

   

 

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