Guia
para o cuidado do paciente com câncer
É natural
a preocupação com o enjôo e o vômito do paciente com câncer, embora muito
se tenha aprendido sobre o controle de ambos nos últimos anos. A troca
dos medicamentos usados na quimioterapia é uma das soluções
para reduzir a ocorrência de náuseas, e tem trazido resultados
positivos para a maioria dos pacientes em tratamento.
Algumas pessoas,
no entanto, realmente nunca apresentam náusea ou vômito por causa da quimioterapia
e de outros medicamentos. Já outras experimentam tais sensações em diferentes
períodos, dependendo das substâncias usadas e de sua reação a elas.
Pode ocorrer
também de, depois de vários tratamentos que tenham provocado náusea, o
paciente sentir-se enjoado e até vomitar quando vê algo que associe à
quimioterapia — por exemplo, o médico ou enfermeiro responsável. Ou quando
sente algum odor característico, como o cheiro dos remédios ou do quarto
de aplicação. Esta é uma reação normal — deve-se a um condicionamento,
e geralmente desaparece depois de encerrados os tratamentos, quando a
visão e o olfato se relacionam com experiências novas.

Utilizar
da melhor forma possível os medicamentos para enjôo
Certifique-se
de estar seguindo à risca as instruções da bula e as orientações do médico.
Veja aqui algumas formas de potencializar os efeitos dos medicamentos:
Ministrar os remédios para enjôo antes e depois da quimioterapia:
é preciso que haja quantidade suficiente da substância no sangue para
que faça o efeito esperado. Por isso, deve-se ministrar os remédios
antes do tratamento, e manter as doses até quatro a seis horas depois.
Uma sugestão de horário seria:
- ao deitar-se,
na noite anterior à sessão;
- pela manhã, antes
do tratamento;
quatro a seis
horas depois da aplicação.
Manter um horário regular: deve-se continuar a medicação por
pelo menos 12 a 24 horas, e mantê-la enquanto persistam os enjôos;
Ministrar os remédios meia hora antes das refeições: isso aumenta
o apetite do paciente e o ajuda a comer melhor.
Tomar
certos cuidados para evitar as náuseas
Esta é uma lista
de sugestões para diminuir os vômitos e enjôos. Comece com estratégias
que já tenham funcionado antes, mas experimente idéias novas também. Não
se pode saber se determinada técnica funciona se não se experimentar.
Oferecer as refeições três ou quatro horas antes do tratamento:
manter o estômago vazio até o horário da quimioterapia costuma ser uma
boa opção. Também é aconselhável fazer pequenos lanches durante todo
o dia, para manter o estômago "forrado" e fornecer os nutrientes necessários
ao organismo sem ter a sensação de satisfação, que pode provocar enjôo;
Evitar certos tipos de alimentos: as frituras, os laticínios
e produtos ácidos, como sucos de frutas e molhos com vinagre, são de
difícil digestão e podem piorar o enjôo;
Oferecer chicletes ou doces duros: as essências de menta e frutas
costumam eliminar os sabores desagradáveis durante a quimioterapia;
Orientar a pessoa a respirar profundamente: sair de casa ou
abrir a janela e respirar ar puro, quando possível, costuma aliviar
a sensação de náusea. O paciente deve inspirar e expirar profundamente
pela boca;
Estimular o repouso: algumas pessoas conseguem alívio para o
enjôo quando se deitam. Os próprios remédios indicados costumam dar
sono e ajudam a relaxar. Permita curtos períodos de descanso durante
as atividades comuns do dia-a-dia. Fazer as coisas com calma colabora
para diminuir a náusea;
Oferecer líquidos duas horas depois do vômito: espere um pouco
antes de oferecer bebida ou comida ao paciente. Em caso de bebidas gasosas,
deixe que saia um pouco do gás antes de servi-las;
Oferecer biscoitos salgados ("cream-cracker") ou de maisena:
como isto costuma aliviar o enjôo de mulheres grávidas, pode também
fazer efeito para o paciente com câncer;
Evitar cheiros fortes ou desagradáveis: manter o paciente fora
da cozinha pode ser uma boa solução. Ou então, quando estiver na cozinha,
aconselha-se respirar pela boca, e não pelo nariz;
Estimular lavagens freqüentes na boca: os bochechos com líquidos
apropriados ou até mesmo com água eliminam algum gosto desagradável
que possa incomodar o estômago;
Sugerir o uso de roupas folgadas: a pessoa deve evitar roupas
que apertem a cintura e o colo, pois pressionam o estômago e a garganta,
piorando a sensação de enjôo;
Distrair a atenção do paciente: você pode sugerir que ele assista
à televisão ou leia algo de que goste para não pensar no mal-estar;
Estimular o relaxamento: se o paciente está tenso, os sintomas
podem parecer mais fortes que o normal. Por isso, é importante que se
concentre e procure se acalmar;
Acompanhar o paciente nos tratamentos: um acompanhante pode
dar apoio e ajudar a pessoa com câncer a pensar e falar sobre assuntos
diferentes durante as sessões.

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Contando com ajuda profissional |
Em caso
de emergência
Contacte o médico
em qualquer uma das seguintes situações:
presença de sangue ou material semelhante a "borras de café" no vômito:
o material semelhante a manchas de café é realmente sangue coagulado,
e indica que pode ter ocorrido algum sangramento interno. Isto é raro
de acontecer, mas é importante comunicar ao médico;
vômito freqüente: pergunte ao médico qual é a freqüência considerada
aceitável de vômitos; passando desta média, comunique-lhe o fato, para
que tome as providências necessárias;
vômito expelido em jatos: se o paciente vomita em jatos, à distância,
isso pode significar problemas no estômago, no intestino ou no sistema
nervoso, alterações que merecem investigação;
eliminação de doses de medicamentos: se o paciente não conseguiu
reter duas doses de um remédio por causa das náuseas e do vômito, deve-se
tentar ministrar o medicamento por outra via que não a oral, até que
se possa voltar aos líquidos e cápsulas;
dificuldade em reter líquidos e alimentos: pergunte ao médico
qual é a quantidade mínima de água e de alimentos que deve ser ingerida.
Normalmente é necessário tomar pelo menos quatro copos d'água a cada
24 horas; também não se pode também ficar mais de um dia sem
comer. No entanto, como as necessidades de cada pessoa podem ser diferentes,
consulte o médico caso o paciente não consiga comer ou beber devido
ao vômito;
fraqueza ou tontura: é normal sentir-se um pouco debilitado
e tonto devido aos vômitos, mas se o paciente não conseguir levantar-se,
é preciso chamar o especialista;
forte dor de estômago ao vomitar: qualquer dor aguda é sempre
motivo para alertar o médico.
Informações
importantes para o profissional de saúde
Para se comunicar
com o médico, é preciso ter as seguintes informações:
a partir de que período as náuseas se tornaram um problema;
a intensidade da última ocorrência;
a influência da náusea e dos vômitos nas atividades normais;
a medicação prescrita: a freqüência das doses, a quantidade de comprimidos
a cada dose, quantos foram consumidos nos últimos dois dias, qual foi
o efeito e quanto durou;
outras providências para melhorar o enjôo, e qual foi o resultado;
a ocorrência ou não de vômito, e em que circunstâncias;
o aspecto do vômito: se tem a mesma cor de antes, e quais as diferenças;
a freqüência do vômito nas últimas 24 horas;
novos sintomas desde o início do problema.
Para cada um
deles, considere os seguintes dados:

Uma das dificuldades de
quem enfrenta o problema das náuseas é o caso dos medicamentos que provocam
enjôo mas não podem deixar de ser ministrados. Algumas providências
a serem tomadas:
não ministre os remédios se o paciente estiver de estômago vazio,
a menos que tenha sido recomendado desta forma. Ofereça pão ou biscoitos
salgados antes da medicação, ou ministre-a após as refeições;
se o paciente com náuseas está tomando comprimidos ou solução líquida
de potássio, informe ao médico os efeitos colaterais. Um deles pode
ser o enjôo, que pode piorar o mal-estar causado pela quimioterapia.
Pode-se então mudar a apresentação do remédio para diminuir o incômodo.
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Executando e adaptando seu plano
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Você, como cuidador, deve
manter anotações do número de vômitos, além de uma descrição
das sensações de náusea do paciente e de quanto isto atrapalha sua atividade
diária. Se o paciente sente-se ansioso por causa do enjôo, ou se este
é cada vez mais difícil de controlar, pergunte ao médico a respeito
de outra medicação que possa ajudar, ou se é possível reduzir as doses
de quimioterapia.

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