![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Guia para o cuidado do paciente com câncer
A luta contra o câncer vem sendo vencida um pouco mais a cada dia. Com as descobertas progressivas da Medicina, foi possível o prolongamento do período de vida, e as chances de cura na maioria dos tipos de câncer tornaram-se maiores. Além disso, há grandes avanços no que diz respeito ao controle dos sintomas e efeitos colaterais dos tratamentos. Em outras palavras: a qualidade de vida das pessoas com câncer pode ser melhor que em outras épocas. Com isso, tornaram-se conseqüentemente mais complexos os cuidados com o paciente. O tratamento muitas vezes inclui cirurgia, radioterapia e quimioterapia, e são necessários exames freqüentes para monitorar seus efeitos. Também tais procedimentos costumam se prolongar por meses, e são reiniciados caso a enfermidade regresse. Em decorrência disso, as pessoas com câncer e seus familiares devem estar preparados para enfrentar toda uma variedade de conseqüências físicas, emocionais e sociais provocadas pela doença e pelos tratamentos, durante períodos longos. Além disso, visto que o tempo de internação tem sido reduzido e os tratamentos são orientados nas clínicas ou consultórios, aqueles que proporcionam os cuidados domiciliares passaram a ser membros importantes da equipe de saúde. Estas pessoas têm assumido responsabilidades que, até pouco tempo, eram encargo de médicos, enfermeiros e outros. Os especialistas agora se apóiam nos familiares não somente para dar apoio e ânimo à pessoa com câncer, mas também para ministrar medicamentos, ajudar a observar os sintomas e os efeitos colaterais e comunicar problemas que requeiram intervenção especializada. Uma coisa é certa: aqueles que querem proporcionar tais cuidados em casa podem fazê-lo com segurança se tiverem acesso a um guia de fácil compreensão, elaborado pelos profissionais de saúde. Como estas pessoas fazem parte da equipe de saúde, precisam encarar os mesmos problemas e trabalhar em conjunto com os profissionais. Este guia que o HOSPITALGERAL.com agora apresenta visa fornecer tal orientação ao cuidador, a partir da vasta experiência de especialistas em câncer, com o auxílio de pacientes e pessoas que vivenciam estes cuidados no dia-a-dia. Aqui buscamos oferecer informação para solucionar problemas, incluindo sua compreensão real e efetiva; quando procurar ajuda especializada; o que você pode fazer por conta própria; quais serão os possíveis obstáculos e como fazer ajustes no planejamento de ação. Mas este programa não é somente para os cuidadores. Também as pessoas com câncer devem ter acesso ao guia. Elas precisam entender os planos e participar de sua realização para que se tenha o êxito esperado. Além disso, os pacientes são os principais cuidadores, quando, por exemplo, vivem sozinhos, ou quando os familiares e amigos contam com suas sugestões. Se você está vivenciando a situação da enfermidade, tenha em mente que você é seu próprio cuidador. Há quatro idéias básicas a ter em mente para levar adiante os planos de cuidado domiciliar: Informação, Planejamento, Otimismo e Criatividade. Veja a seguir:
Procure obter informação especializada sobre o problema, e o que você pode fazer a respeito. Na verdade, o conhecimento profundo da situação é a base para a solução adequada de qualquer dificuldade. Este guia oferece cinco tipos de informação específica para solucionar os percalços enfrentados no cuidado domiciliar: Entender o problema Descubra qual é exatamente a dificuldade, quem pode tê-la (o paciente? o cuidador? a família?), o que se pode fazer para ajudar, e que resultados razoáveis podem ser alcançados. Obter ajuda profissional Saiba quando pedir orientação especializada, inclusive o momento em que é preciso chamar imediatamente o médico, ou quando é possível esperar pela consulta. Em que você pode colaborar Tenha claro o que você pode fazer por conta própria para lidar com o problema, e como pode preveni-lo ou evitar que se agrave. Possíveis obstáculos Veja quais são as atitudes mais comuns frente a certas situações, as informações equivocadas que podem interferir na realização adequada do plano, e como enfrentar os problemas. Realizar e adaptar seu planejamento Aprenda como verificar se o plano está funcionando bem, e o que se deve fazer se os objetivos não estão sendo alcançados. O ideal é que você leia este guia antes de começar a lidar com a situação — desta forma, terá uma compreensão abrangente do problema e do que deve fazer para enfrentá-lo. É essencial também relê-lo periodicamente, sobretudo se sua ação parecer não estar dando resultados, para você ter certeza de que está fazendo todo o possível.
Desenvolva um plano ordenado e sistemático, para que a solução seja mais efetiva. Isto significa que você deve: Obter toda a informação necessária Tenha claro tudo o que está acontecendo. Separe os fatos, claramente perceptíveis, das opiniões e "palpites". Planejar o que se pode fazer Leia este guia e outras informações referentes ao problema. Peça sugestões aos profissionais de saúde com quem tem contato. Busque idéias e estratégias eficazes em suas próprias experiências passadas e em sua bagagem de conhecimentos. Procure saber o que se poderá conseguir com tal planejamento. Decidir a melhor estratégia Compare as vantagens e desvantagens das diferentes opções de ação, e desenvolva uma estratégia que tenha probabilidade razoável de êxito. Levar em conta os obstáculos Pense nas circunstâncias que poderiam interferir em seu plano de ação e imagine o que seria possível fazer para contornar tais dificuldades. Ponha em prática seu plano de ação e adapte-o durante o processo Estabeleça prazos para si mesmo, a fim de assegurar-se que as tarefas planejadas estão sendo cumpridas. Faça anotações sobre o funcionamento do plano; isto o ajudará a monitorar o progresso e a explicar mais claramente à equipe médica o que está sendo feito. Caso o plano não esteja funcionando bem ou dando os resultados esperados, questione-se se você não estava esperando soluções muito imediatas, ou se é preciso ajustar os objetivos. A seguir, repita estes passos para a solução de problemas, iniciando pela coleta de informações, a fim de elaborar um novo planejamento. Tenha cuidado especial para manter uma atitude positiva e esperar o sucesso.
Uma das coisas mais importantes que se pode fazer para ajudar o assistido é manter uma atitude otimista. As pessoas que estão sob o desgaste físico e emocional do câncer e dos tratamentos necessitam de alento e ajuda para reconhecer as situações positivas e os progressos que ocorrem. A seção Conservando as experiências Positivas tem sugestões para isso. Ao mesmo tempo, é importante ser realista quanto à gravidade dos problemas, para que o paciente não sinta que estão sendo ignorados ou minimizados. Espere o êxito do tratamento Se você pensar que há uma boa probabilidade de sucesso, você fará tudo o que puder. Se colocar na cabeça que o problema não tem remédio e que nada vai adiantar, será difícil que consiga fazer o melhor possível. Além disso, os que estiverem à sua volta também se sentirão desanimados. Caso você esteja abatido e pessimista, procure ajuda de alguém que tenha uma atitude positiva diante das dificuldades e que seja bom em solucionar problemas. Esta pessoa pode ser o próprio paciente, amigos ou membros da família, ou profissionais de saúde. Leia a seção relativa à Depressão para ajudá-lo a controlar os pensamentos negativos que interferem na solução eficaz do problema. Reserve momentos de descanso para realizar melhor suas atividades Na medida do possível, mantenha seus hábitos de lazer e descanso, mesmo que esteja sentindo-se abatido. A seção Postura e atitude do cuidador oferece idéias e orientações para lidar com os sentimentos. Além disso, as seções relativas a problemas emocionais e sociais (veja links abaixo) se aplicam tanto ao cuidador quanto à pessoa que tem câncer. Tendo conhecimento destas situações, é possível conseguir a força emocional necessária para manter uma atitude otimista, e assim superar as dificuldades que surgem no dia-a-dia do cuidado domiciliar.
Como cuidador domiciliar, você é permanentemente desafiado a ser criativo. Afinal, cada pessoa é única, e cada problema é novo e diferente. Por isso, você deve ter criatividade suficiente para adaptar seus planos a cada nova situação. A maioria dos planejamentos enfrentará obstáculos. Superá-los será uma questão de espírito criativo. Quando seus planos não funcionarem como você imaginava, sinta-se desafiado a tentar de outra forma. Aqui mencionamos três atitudes que ajudam a pensar criativamente quando é necessário enfrentar problemas:
As orientações deste guia se referem somente aos problemas mais freqüentes enfrentados pelos pacientes com câncer e seus cuidadores. Você pode utilizar as mesmas sugestões como modelos para solucionar outros problemas que venham a surgir. O primeiro passo, como já mencionado anteriormente, é entender exatamente que tipo de problema se está tentando solucionar, e quais são os objetivos. Para isso, é preciso ter claro que tipos de pessoas estão enfrentando tal dificuldade, quando esta se apresenta, o que se pode fazer para ajudar e qual é o mínimo desejável a se alcançar. Para problemas médicos, pergunte ao médico ou à enfermeira. Para outros problemas, uma assistente social ou auxiliar de enfermagem têm, à princípio, muitos conhecimentos. Há também grupos de apoio que podem ser úteis. É preciso também que você conheça os fatos como realmente são: o que aconteceu, quando aconteceu, se foi grave, o que foi feito anteriormente em situação semelhante e quais foram os resultados. Assegure-se de que são fatos concretos e não somente opiniões ou impressões. A seguir, esteja consciente de que, para os problemas não ligados à medicina, você mesmo pode desenvolver suas próprias estratégias, utilizando sua experiência e criatividade e pedindo auxílio de outras pessoas. Aplique estratégias bem-sucedidas anteriormente em problemas semelhantes. Seja criativo, buscando formas novas e pouco usuais de ver a situação; com um mínimo de bom-senso, tente ousar. Você pode fazer um "brainstorming", técnica na qual se deixa a imaginação correr solta, buscando ter idéias pouco comuns. Sozinho ou em grupo, tente escrever o maior número de idéias possível, e não as descarte até que a lista esteja terminada — quanto mais livre o pensamento e mais extensa a lista, melhores as possibilidades de encontrar uma solução criativa. Por fim, tente pesar as vantagens e desvantagens de cada idéia e escolher a mais adequada — a que parece apresentar maior possibilidade de sucesso. Também leve em consideração os problemas que você poderá enfrentar no futuro, e como você pretende encará-los. Por fim, você precisa saber como monitorar o processo. Que mudanças se devem esperar, e a que prazo, numa perspectiva realista? Conte com as experiências de pessoas que já viveram a mesma situação, e de profissionais de saúde. Lembre-se sempre: a base para o bom atendimento é sua atitude interior. Não é um trabalho fácil cuidar de uma pessoa querida em uma situação delicada de saúde. No entanto, você deve tentar ver sempre a assistência domiciliar de forma positiva, mantendo o ânimo e o otimismo. Reconheça que você também tem dificuldades e conte sempre com o apoio emocional de parentes e amigos. Estreitar os laços afetivos é o mais reconfortante e reanimador neste momento.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||