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O bebê nascido perfeito de uma gestação e de um parto normais, amamentado somente no seio materno, terá menos predisposição para infecções. Crianças nascidas de partos cirúrgicos, demorados, difíceis, ou que não sejam alimentadas exclusivamente ao seio materno terão maior probabilidade de apresentar problemas de saúde, de evolução motora e psíquica e em seu equilíbrio emocional. De acordo com especialistas, é fundamental que, nos primeiros 6 meses, a mãe amamente o bebê exclusivamente em seu seio. Nos primeiros dias, o bebê dorme quase o tempo todo, acordando apenas para as mamadas, que não devem ocorrer em intervalos maiores que 3 horas. Com alguns dias ele vai se acostumando a acordar a cada 3 ou 4 horas. Nos primeiros dois meses, é raro o bebê que dispensa a mamada noturna por volta das 2 ou 3 horas da madrugada. A partir dos 2 meses, o neném vai estendendo este horário para 4 e 5 horas e finalmente 6 horas, passando assim grande parte da noite sem mamar. Mas se por
algum motivo o médico contra-indicar a amamentação, a mãe poderá fazer
uso de alimentação industrializada ou recorrer ao banco
de leite
A regurgitação ou golfada é a devolução do alimento, sem esforço, logo em seguida à mamada. Devido à falta do funcionamento perfeito do sistema de obliteração (esfíncter), que se encontra entre o esôfago e o estômago, tal insuficiência é observada nos primeiros dias de vida, regularizando-se em seguida. Só regurgitam os bebês que mamam bem. Em alguns casos, o estômago não suporta o excesso de leite, fazendo então a devolução em suas primeiras contrações. Em outras situações, o bebê engole junto com o leite porções de ar que facilitam a regurgitação. O melhor processo para evitá-la é dar ao bebê quantidade certa de alimentos em horários convenientes (os recém nascidos devem mamar livremente). Depois das mamadas, convém colocar o neném no colo em posição vertical, por mais ou menos 30 minutos, para que as eructações (arrotos) se processem sem prejudicar o começo da digestão gástrica, e se evitem engasgos com a golfada. Se seu bebê regurgita muitas vezes, em muita quantidade, chora durante ou logo após as mamadas, avise ao pediatra, pode ser refluxo e não apenas regurgitação.
A chupeta tem acompanhado o crescimento de gerações de bebês. Porém, os pediatras recomendam que as mães não utilizem a chupeta: ela pode confundir o bebê quando ele for mamar, já que a pega no peito é diferente, aumentando com isso a chance do neném "largar" o seio. Além disso, pode ocorrer a propagação de microorganismos causadores de sapinhos e diarréia, quando as chupetas não são higienizadas corretamente ou devido à própria manipulação pela criança. Existem casos em que a chupeta é utilizada como um verdadeiro sedativo. Sem a chupeta pode ser mais difícil acalmar crianças nervosas que choram ou se agitam em demasia, podendo estas acabarem por chupar os dedos. Mas vale lembrar: o uso prolongado pode causar o que os dentistas chamam de mordida aberta — isto é, quando os dentes superiores não tocam os inferiores, ocasionando também o rebaixamento da língua, o que prejudica a criança nos atos de deglutição e articulação da palavra. O conveniente é estimular o desenvolvimento infantil sem a chupeta, procurando indagar a causa do choro ou do nervosismo, e dando atenção e carinho nos momentos de irritabilidade. Uma boa dica é usar massagem e música para acalmar o bebê.
A cólica do bebê ainda é um problema sério para pais e pediatras, mais em termos de desconforto para o pimpolho do que de gravidade clínica. O agente determinante da cólica dos 3 primeiros meses continua sendo uma controvérsia geral: causa orgânica? psíquica? alérgica? resposta ansiosa dos pais? Alguns médicos chamam a cólica de distonia do aparelho digestivo (perturbação dos tecidos destes órgãos). Sempre informe ao pediatra a ocorrência simultânea de cólicas e fezes com muco puz ou sangue, assim como alteração do número e consistência das evacuações. As cólicas são fortes contrações tanto do estômago como do intestino, provocadas pela formação de gases ou por movimentos da musculatura intestinal. Bebês com cólicas manifestam choro forte e muitas vezes transpiração abundante, extremidades frias, palidez, rigidez do corpo, eliminação de gases, sono agitado, distensão abdominal, flexão das pernas e problemas alimentares(regurgitação, vômitos, choro ao se alimentar). Em muitos casos, é possível diminuir a ocorrência da cólica nos primeiros 3 meses, mantendo os horários das mamadas e oferecendo o seio de forma livre, toda vez que o bebê solicitar. Recém nascidos alimentados ao seio livremente não são super ou sub alimentados, os alimentados com mamadeiras devem utilizar a quantidade prescrita pelo pediatra, que varia com o peso e idade. Evite também o uso de açúcares nas mamadeiras, e meça as quantidades certas de leite em pó; também observe se o bebê está engolindo ar durante as mamadas, e coloque-o para arrotar pelo menos por meia hora. O uso de medicações para cólicas é muito controverso em todos os estudos feitos, por isso muitos pediatras não os prescrevem. Alguns dos medicamentos muitos conhecidos podem ser danosos aos pequeninos.
A cabeça do recém-nascido parece grande e pesada em relação ao corpo. No nascimento, ela representa um quarto do tamanho do tronco; após dois anos, um quinto e, já aos dezoito anos, um oitavo. O recém-nascido dificilmente apresenta uma cabeça arredondada. Apesar das pressões sofridas durante o parto e da movimentação dos ossos para assegurar a integridade do cérebro, a criança não desenvolverá nenhum problema neurológico decorrente do parto no futuro. Na parte superior da cabeça do bebê se encontra uma parte mole, que se percebe pela pressão suave da ponta dos dedos. Esta área é denominada pelos médicos de fontanela (anterior ou posterior), mas tornou-se conhecida como moleira. É o espaço entre os ossos frontais, parietais e occipital. A fontanela tem forma de losango e pode ter sua largura variando entre 2 e 4 centímetros. A fontanela pode apresentar, quando tocada, um certo batimento, mais perceptível quando o bebê chora. Durante os primeiros 9 meses, ela permanecerá aberta, começando seu fechamento dos 9 aos 18 meses. É importante que a mãe observe diariamente o aspecto da moleira. Se a fontanela estiver afundada, o bebê pode estar desidratado; se apresentar inchaço, é um sinal de aumento da pressão do crânio. Consulte o pediatra em caso de alterações. Na cabeça do recém-nascido pode surgir uma crosta grossa — a crosta láctea — que nada tem a ver com caspa. Não é conveniente que a mãe puxe estas cascas durante o banho. O melhor é umedecer a área com óleo próprio para crianças. Fazendo isto, em poucos dias ela sumirá.
A ligação vital durante a gestação entre bebê e mamãe será rompida logo após o nascimento. Esta ligação é o cordão umbilical, que, depois de cortado, será preso por uma espécie de pregador. Quando a criança voltar para casa, a mãe terá que fazer, a cada banho, uma nova limpeza no coto umbilical (um pequeno fragmento do cordão, que se localiza 3 cm acima do anel ou parede do umbigo), que normalmente cairá entre 7 ou 12 dias. Os médicos recomendam a higiene do coto, pois é um local sujeito à infecção. O coto deve ser lavado durante o banho do bebê, com o mesmo sabonete neutro normalmente usado. Depois de seco com uma toalha de algodão, devem-se colocar 2 gotas de álcool a 70º (utilizado em procedimentos hospitalares). Deve-se proceder desta forma até 3 dias após a queda do coto. Não convém utilizar mercúrio-cromo ou álcool iodado, assim como ataduras (cinteiro), pois as mesmas podem apertar o abdômen e causar irritação, alergia ou dificuldade respiratória.
Geralmente logo nos primeiros dias, quando se inicia a alimentação pelo leite materno, o bebê apresenta fezes amolecidas, evacuando toda vez que é posto ao seio. Isto acontece porque, logo no início da secreção, o leite possui ação laxativa. E, nos primeiros dias, esta é benéfica para o bebê, pois é através dela que ele expele o mecônio. Nesta fase de ajustamento estomacal e intestinal, a coloração das fezes é preta ou verde-escura (mecônio), passando para amarelo-mostarda e depois, na fase do equilíbrio, para marrom-claro ou escuro. Como a criança será fraldada várias vezes ao dia, é importante que a mãe retire todo o excesso de fezes com a ajuda de algodão ou gaze embebida em água. O contato prolongado com a pele do bebê pode ocasionar assaduras ou infecções anal ou urinária.
A irritação
das nádegas (vermelhidão) é muito freqüente já a partir das primeiras
semanas de vida. Os médicos costumam chamá-la de Dermatite da Fralda;
é uma reação inflamatória aguda, iniciada
por vários fatores, entre eles o contato prolongado com fraldas
úmidas e materiais impermeáveis, levando à maceração
(amolecimento e dilaceramento) da pele, e a irritação pela
urina e fezes.
A pele da criança é sensível ao calor e à falta de ventilação, como também ao contato com certos tecidos compostos de nylon, seda, lã ou tactel. Estes provocam o aparecimento de um eritema, que é muito incômodo devido ao prurido (coceira). O bebê fica irritado, manhoso e não consegue dormir direito. No entanto, o maior perigo da brotoeja é a possibilidade de se infectar. Para evitar a brotoeja e suas conseqüências, deve-se manter o bebê em local fresco e ventilado, com roupas leves, e evitar plástico ou impermeáveis sobre a cama. Uma boa dica para as mães que estão passando por este problema é, durante os dias mais quentes, dar alguns banhos frescos em seus bebês (somente com água, sem sabonete), e deixá-los bem à vontade, sem excesso de roupas.
Ao conceber uma criança, os pais legam informações genéticas que determinarão o sexo e as características específicas como a altura, robustez ou tipo de pele, e também o ritmo de desenvolvimento desta criança. Desta forma, pode-se dizer que, se o desenvolvimento dos pais foi lento, o mesmo poderá ocorrer com o filho. Isso também vale para as doenças — uma criança pode herdar dos pais a suscetibilidade a certas enfermidades. Mas como os efeitos de características fisiológicas herdadas às vezes podem ser modificados, as crianças podem ser tratadas a tempo de se evitarem males permanentes ou graves.
Todo bebê deve fazer o Teste de Guthrie (teste do pezinho), no qual é tirada uma gota de sangue do calcanhar, de 3 dias até uma semana depois do nascimento (quanto mais cedo melhor). O exame vai verificar a presença de fenilcetonúria e hipotiroidismo, e é gratuito nos postos de saúde. E o campo de pesquisa também pode ser ampliado, a fim de identificar outras inúmeras doenças (anemia falciforme, infecções congênitas tipo rubéola e toxoplasmose, doenças metabólicas, entre outras). Este exame mais completo, no entanto, ainda não está disponível de forma gratuita, e levantam hipoteses de doenças em sua maioria raras. É importante que o bebê faça este exame, porque ele detecta algumas doenças graves, que têm seus efeitos totalmente controlados quando tratadas devidamente e o mais rápido possível.
A imunização contra doenças infecciosas deve ser iniciada logo após o nascimento. A vacina instiga o corpo do bebê a produzir anticorpos para combater certas infecções. Apesar de não trazer riscos, a imunização pode gerar algumas reações no bebê, como febres, caroços no local das injeções e inchaços, que geralmente são passageiros. A vacinação vai proteger seu filho de problemas como coqueluche, sarampo, rubéola, caxumba e paralisia infantil. Toda mamãe receberá, na primeira visita a um Posto de Saúde, uma caderneta onde será anotada a vacinação compatível com a idade da criança. Acompanhe a caderneta de vacinação e verifique se seu bebê está em dia com o calendário de imunização. Durante o primeiro mês, a mãe deve procurar o posto ou clínica de vacinação mais próxima para imunizar o bebê contra a Hepatite B e formas graves da tuberculose (com a vacina BCG). Qualquer dúvida sobre os efeitos colaterais e a necessidade da vacinação, fale com o pediatra.
Geralmente os bebês nascem com reflexos instintivos, que servem para protegê-los e manter a vida. Ele fecha os olhos quando suas pálpebras são tocadas e, se sua respiração for bloqueada, luta para liberar o nariz e a boca. Os reflexos serão testados pelo neonatologista e pelo pediatra na primeira consulta. São eles: o reflexo de procura (voracidade), de sucção, de preensão, de andar (marcha) e o de Moro. O reflexo de procura é o mais inconfundível desde o nascimento, e está relacionado com a busca pelo alimento. Teste: toque a face do bebê. Ele vai virar-se na direção do dedo e abrir a boca. Todos os bebês nascem com capacidade para engolir. Para testar o reflexo de sucção, basta colocar um dedo ou bico plástico em sua boca. Por isso é tão automático amamentar — instintivamente o bebê sabe o que precisa fazer. O reflexo de preensão está presente em todos os bebês nascidos de nove meses ou prematuros com boa contagem de Apgar. Este reflexo é tão poderoso que o bebê consegue suportar o peso do próprio corpo segurando, com as mãos, apenas dois dedos da mãe. A sola do pé também pode ser testada. Basta um toque e os artelhos se encurvarão para baixo como se quisessem agarrar. A marcha ou andar do bebê poderá ser facilmente detectado nos recém-nascidos, quando os seguramos embaixo dos braços, com os pés tocando suavemente uma superfície sólida. Instintivamente o bebê começará um movimento de passo. O reflexo de Moro ou do abraço é um gesto de autoproteção que o recém-nascido exibe quando é assustado por um barulho ou segurado sem cuidado. Ele abrirá os braços e depois os fechará, com os dedos estendidos, na forma de um abraço, como se tentasse se agarrar em alguma coisa.
A ronqueira do bebê, ou fungor nasal, como os médicos costumam chamar, é uma manifestação bem freqüente nos primeiros meses de vida. Caracteriza-se pela dificuldade respiratória do bebê, muitas vezes chegando ao ponto de parecer que o pimpolho está sufocado, e de dificultar efetivamente a alimentação. O nariz da criança é sempre muito pequeno, portanto passível de entupimento. Este órgão só cresce na adolescência, o que possivelmente explica a dificuldade em encontrar crianças com nariz protuberante ("nariguda"). Esta manifestação geralmente não é provocada por infecção, portanto não é um resfriado. Normalmente sua apresentação é seca. A congestão da mucosa que compõe o revestimento nasal às vezes chega a ser tão intensa que pode obstruir totalmente as vias aéreas. O tratamento mais lógico será evitar causas provocadoras da alergia: poeira, talco, ar frio ou úmido, leites industrializados, componentes do travesseiro e odores fortes (perfumes). Além disso, deve-se afastar a possibilidade de infecções.
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