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   Lipoaspiração

Na história da cirurgia plástica, a lipoaspiração é se não o último, pelo menos o procedimento cirúrgico que mais projetou a especialidade na sociedade — uma oportunidade para solução de problemas que até então só eram resolvidos com grandes cirurgias, grandes cicatrizes, e, com elas grande constrangimento à exposição das pernas, abdome ou outra área onde a cicatriz era justaposta.

A lipoaspiração é basicamente o procedimento em que é conectada a um aspirador que produza vácuo de até 760 mmHg uma cânula cilindrica de diâmetro variável (em média de 3 a 6mm), com comprimento que varia entre 20 a 30 cm, com alguns orifícios em sua extremidade. Esta cânula é introduzida na gordura, o aspirador é ligado e, com movimentos ritmados de vai e vem, vamos retirando a gordura, passeando com a cânula para os lados de maneira ordenada para não criarmos irregularidades.

O procedimento, como se vê, é simples e rápido. O paciente às vezes pode ser mandado para casa no mesmo dia. Uma semana depois, retiram-se os pontos dos pequenos orifícios por onde entra a cânula, e iniciam-se as massagens e drenagem linfática que tanto ajudam no resultado final. Podendo-se dizer que, se não houver a possibilidade de realizar as massagens, é melhor não fazer a lipo, pois o resultado ficará comprometido.O paciente com 3 dias de pós-operatório pode, na maioria das vezes, dirigir e trabalhar, modificando muito pouco sua rotina de vida. Contudo, para que toda esta tranqüilidade possa acontecer, muitos cuidados devem ser tomados.

O primeiro cuidado com a lipoaspiração está na indicação, pois a lipo foi desenvolvida para resolver o problema da lipodistrofia ou gordura localizada, e não para o emagrecimento. O procedimento é simples, mas o trauma é grande, e será tão extenso quão extensa for a lipo.

O segundo cuidado refere-se à preparação para a lipoaspiração. Ela é uma cirurgia como outra qualquer: tem de ser realizada em sala de cirurgia, em hospital equipado — pois está sujeita a todas as intercorrências de uma cirurgia qualquer. Os cuidados com o ambiente esterilizado devem ser rigorosos pois, em caso de haver uma infecção, não temos como abrir a incisão para fazer a drenagem, já que existem apenas pequenos orifícios e dezenas de túneis por onde passou a cânula. Além disso, a gordura está traumatizada e com pouca capacidade de defesa, e existem sangue e restos gordurosos que não saíram espalhados pelos pequenos túneis, sendo excelentes meios de cultura bacteriana.

Uma terceira medida de prevenção é a realização de todos os exames do paciente. Os resultados devem ser bons; pacientes com anemia, mesmo que discreta, não devem se submeter à cirurgia sem antes se tratarem, pois não se pode avaliar corretamente o quanto o paciente sangrou ou vai sangrar. E não se fala só do sangue que vemos no vidro do aspirador, o qual podemos mensurar, mas o que se perde para o chamado terceiro espaço, que é o espaço abaixo da pele onde a gordura foi retirada. Esta perda sangüínea não temos como medir, e é aí que, nas grandes lipoaspirações, as complicações aparecem, levando um tratamento que deveria ser simples a virar um desastre.

A lipoaspiração foi desenvolvida basicamente por duas escolas: uma que faz a cirurgia puramente introduzindo a cânula na gordura e aspirando-a imediatamente; e outra que, antes da introdução da cânula, infiltra uma solução discretamente hipotônica associada à adrenalina (hidrolipoaspiração), que vai funcionar contraindo os vasos sangüíneos e abarrotando de líquido a célula gordurosa. Isto a torna mais facilmente aspirável, sendo portanto um procedimento mais conservador, com perda sangüínea bem menor, menor quantidade de hematomas, menos equimose (mancha escura ou avermelhada), e edema discretamente menor. A evolução é mais rápida, pois quanto mais sangue há no subcutâneo, maior será a irritação que o sangue vai promover.

A lipoaspiração dentro dos critérios estabelecidos pela sociedade de cirurgia plástica é largamente executada com sucesso, trazendo grande satisfação para o paciente e para o cirurgião.

Dr. Roberto Ferraz é cirurgião plástico e consultor do HOSPITALGERAL.com

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