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   Próteses de mama

Há mais ou menos três décadas, a cirurgia plástica incorporou a seu arsenal o silicone, que passou a ser usado em suas diversas formas, nas mais diversas cirurgias — como aquelas reparadoras e estéticas do nariz, nas reconstruções de orelhas, próteses de testículos, pênis e principalmente de mama. Estas ganharam intensa notoriedade nos últimos anos, sendo usadas tanto para a reconstrução das mamas como para o aumento de volume. As próteses de vários tipos são escolhidas pelo cirurgião e pelo paciente; dependendo da proposição, grandes volumes são usados, resultando em seios volumosos, tão procurados atualmente. O procedimento cirúrgico simplificou-se de tal maneira que hoje podemos em alguns casos realizar a cirurgia com anestesia local, dando alta para o paciente no mesmo dia, com a devida orientação dos cuidados a serem tomados.

O silicone é material inerte e não sofre processo de rejeição; contudo, deve-se esclarecer que, embora simples, o procedimento é uma cirurgia como outra qualquer, devendo o paciente realizar todos os exames, que terão de apresentar bons resultados — pois não se justifica um procedimento estético se o paciente que não está bem clinicamente. A cirurgia deve ser realizada em ambiente hospitalar, com a máxima segurança: sala de cirurgia bem equipada e esterilização rigorosa do instrumental cirúrgico, pois um dos motivos da eliminação ou extrusão da prótese é a infecção, com perda da cirurgia e risco para o paciente. Neste caso, de nada adianta o tratamento com antibióticos se a prótese não for retirada.

Após todas as considerações a respeito das próteses, cabe então a argumentação sobre a nova mama, e por onde vamos incluir a prótese: pelo mamilo, se o diâmetro deste permitir, não deixando quase cicatriz; pelo sulco mamário — o mais comum, rápido e de fácil manuseio, deixando pequena cicatriz no sulco submamário; ou ainda pela axila, não deixando cicatriz na mama, mas com maior índice de complicações.

Além disso, o paciente deve ser informado das possíveis complicações no pós-operatório tardio, que são:

contratura capsular: é a retração da cápsula orgânica que o organismo constrói ao redor da prótese, tendo como finalidade o isolamento da mesma, pois, embora aceita, não deixa de ser um corpo estranho ao organismo. Massagens são recomendadas para prevenir esta possível retração;
seromas e hematomas: dependendo do volume, devem ser drenados, pois poderão levar a fibrose ou aumentar a possibilidade da contratura capsular, e ainda, em última análise, poderão infectar-se.
migração da prótese para posição não desejada: isto promove assimetria com a mama contralateral (diferença no formato das mamas). Este fato é provocado pela retração da cápsula, ou pela via de acesso utilizada na cirurgia; as mais comuns são a via axilar ou as inclusões abaixo do músculo grande peitoral.
ruptura das próteses: pode acontecer após alguns anos, quando o silicone gel interno da prótese dissolve o silicone sólido que o envolve, deixando o gel livre dentro da cápsula orgânica. Esta ocorrência deve diminuir com as novas próteses que estão sendo confeccionadas com métodos mais avançados.

Devemos ainda alertar as pacientes que, quanto maior o volume, maior o peso e também maior a distensão da pele; portanto, maior a possibilidade de, no futuro, a mama volumosa vir a cair, necessitando uma nova cirurgia para reposição topográfica (mastopexia).

Dr. Roberto Ferraz é cirurgião plástico e consultor do HOSPITALGERAL.com

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