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Durante o segundo trimestre de gestação, o médico realiza os exames de rotina, verifica a pressão arterial, o peso e faz avaliação clínica geral; passa também a solicitar outros exames, como o de sangue, que é realizado entre a 14ª e a 18ª semana, tendo por finalidade detectar possíveis problemas neurológicos ou a síndrome de Down, além de exames de laboratório e de imagem. Mas grandes novidades passam a fazer parte destes meses. O bebê, até então conhecido apenas pelas náuseas e pelo leve crescimento da barriga, agora se apresenta formalmente na ultra-sonografia e durante a ausculta dos batimentos cardíacos. Seu útero passa a ser o mundo deste bebê. Dentro de sua barriga, ele se mexe, engole e inala líquido amniótico, faz pipi, tem soluço, dorme, abre e fecha os olhinhos, chupa o dedo e brinca com o cordão umbilical. Por isso, não se assuste com a movimentação que sua barriga apresentar quando ele estiver fazendo suas estripulias. Isto acontece porque, conforme o bebê cresce, seus movimentos vão ficando mais evidentes. Por isso, muitas vezes você verá sua barriga fazer movimentos de vai-e-vem, deslocar-se toda para a direita ou para a esquerda. Após o quarto mês de gestação, o bebê já está apto a ouvir os sons externos. Então, aproveite para conversar bastante com ele. Neste período, normalmente os médicos solicitam que as gestantes com mais de 35 anos realizem o teste do líquido amniótico (amniocentese), entre a 15ª e a 18ª semana. O teste de glicose para detectar diabetes também pode ocorrer neste período. Todos os meses, seu médico vai analisar o desenvolvimento de sua gestação com a ajuda de uma fita flexível, uma espécie de fita métrica que possui marcações para relacionar o tamanho da barriga com a semana de gestação. Este cálculo é conhecido como Cálculo de McDonald, e pode estimar a duração da gravidez por semanas ou meses lunares.
Comuns durante a gravidez, as contrações uterinas indicam o crescimento e a dilatação do seu útero. Elas ocorrem desde o mais tenro início da gestação, e vão se tornando mais explícitas a partir do 5º mês. Quando a contração ocorre, você sente sua barriga enrijecer-se e depois voltar ao normal. Normalmente, as contrações não causam muito incômodo. São como as cólicas menstruais. Mesmo assim, informe ao seu médico a intensidade e a freqüência de suas contrações, pois existem mulheres que sofrem sangramento neste período. Mulheres com histórico de stress, abortos anteriores e morte fetal são mais suscetíveis a sangramentos durante as contrações. Nestes casos, os médicos normalmente indicam um relaxante muscular.
Este trimestre representa a etapa final da gestação; por isso, os cuidados devem ser redobrados. Tranqüilidade é a palavra de ordem. É importante não deixar de relatar nenhum sintoma ao seu médico. Neste período, são solicitados ainda testes anti-estresse para checar o coração do bebê, a checagem do nível de fluido amniótico, cardiotocografia, perfil biofísico fetal e doppler das artérias do cordão umbilical e cerebral do feto. Da 28ª à 36ª semana, as consultas devem ocorrer a cada 15 dias, e depois semanalmente até o nascimento do bebê. É bastante comum que a futura mãe fique ansiosa e com medo do parto. Uma dica importante para as mamães de "primeira viagem" é não dar ouvidos às crendices populares. Portanto, evite histórias sobre aborto, deformidades fetais, riscos e conseqüências do parto. Cada parto é um caso, e só o seu médico é quem sabe como e o que fazer na "hora H".
Durante o pré-natal, devem ser realizados todos os exames para avaliar as condições físicas da mãe e do feto; mesmo assim, algumas mulheres apresentam sangramento e anemia durante a gravidez. Por isso, fique de olho! Se durante a gravidez ocorrer um sangramento, ainda que pequeno, talvez seja um sinal de perigo. Pode ser um aborto ou uma gravidez ectópica (fora do útero). O sangramento a partir do 6º mês pode ser causado pela placenta, que está fechando o canal do parto (placenta prévia), ou está se soltando antes do parto (deslocamento prematuro da placenta). Os sinais de uma possível anemia também devem ser observados. Pele pálida e translúcida, palidez dentro das pálpebras, gengiva e unhas esbranquiçadas, respiração curta e leve e taquicardia (repentino batimento acelerado do coração) podem estar sinalizando uma possível anemia. Além de procurar o seu médico, inclua em sua dieta alimentos ricos em ferro e vitamina C. Inchaço dos pés, mãos e rosto, dores de cabeça, tonturas, zumbido e às vezes visão embaçada podem ser sinais de toxemia da gravidez. Outros sinais importantes são o aumento rápido de peso, pressão alta e presença de proteína na urina (proteinúria). Neste caso, procure imediatamente o seu médico e lembre-se de retirar o sal de sua dieta.
Uma gravidez é considerada de alto risco quando a mãe ou o bebê têm algum tipo de doença ou incompatibilidade sangüínea (fator RH), e quando existe alguma possibilidade de morte fetal e materna antes, durante ou após o nascimento. Normalmente, o médico fica atento a históricos de hipertensão arterial, diabetes, doenças crônicas, Aids, malformação do útero (existência de miomas), histórico de abortos, mortes fetais, gestações anteriores com histórico de consangüinidade (primos de primeiro grau), edema, proteína na urina e cardiopatias. Durante a gestação, casos de desenvolvimento do feto acima do normal e proximidade da placenta do colo do útero (placenta prévia) são suficientes para deixar o médico em estado de alerta. A gravidez gemelar (gêmeos) também merece cuidados. Com certeza você já ouviu dizer que algumas mulheres não conseguem "segurar o bebê no útero". Na verdade, é o colo do útero que não retém a gravidez. Uma das técnicas utilizadas é fazer pontos uterinos, ou seja, costura-se o colo do útero para mantê-lo fechado. Além disso, faz-se uso de medicamentos para relaxamento muscular.
Realizada no início da gestação, entre a 10ª e a 13ª semana, a biópsia de vilo coriônico é indicada para detectar possíveis distúrbios nos cromossomos, tais como a síndrome de Down. Este exame é realizado através da retirada de células da parte externa da placenta, que têm o mesmo material genético do feto.
Para realizá-lo, o médico utiliza
uma sonda, introduzida na vagina, que chega aos vilos coriais. É possível,
também, utilizar uma agulha para atingir as células da placenta através
da barriga. O risco para a gestante é mínimo, mas ainda assim existe, numa
proporção de um caso de aborto em cada 100 gestações.
Utilizado para conseguir informações sobre o desenvolvimento dos pulmões e do sistema nervoso central do bebê. O exame consiste na extração do líquido amniótico (onde o bebê fica imerso) através de uma agulha inserida na parede abdominal. A análise das células presentes no líquido amniótico, que se desprendem do bebê durante a gestação, indica o perfil genético da criança. A amniocentese é indicada entre a 15ª e 18ª semana de gestação.
A ultra-sonografia confirma o tempo de gestação. Entre a 10ª e 14ª semanas de gravidez, através da ultra-sonografia, o médico faz a medição da translucência nucal, um acúmulo de líquido que os embriões apresentam na nuca. Se o exame detectar aumento na quantidade de líquido, isto pode ser um indício de anomalia genética. Já a ultra-sonografia morfológica é responsável pela avaliação da formação do feto.
A cardiotocografia anteparto, indicada no final da gravidez, analisa a vitalidade da gestação. A dopplervelocimetria obstétrica é um exame mais específico, que verifica a circulação entre a placenta e o feto, muito útil para gestantes hipertensas ou diabéticas.
O diagnóstico pré-natal citogênico em sangue fetal baseia-se na coleta de uma amostra de sangue fetal do cordão umbilical, por punção transabdominal, com agulha fina, mediante orientação ultra-sonográfica. O tempo de cultura de linfócitos fetais é de 72 horas. Esta técnica é recomendada quando os cultivos de líquido amniótico foram feitos sem sucesso e em casos de malformações múltiplas detectadas por ultra-som.
O uso de drogas sem indicação médica durante a gravidez pode ser responsável por malformações fetais. Como regra geral, não se devem ingerir medicamentos até o terceiro mês de gestação. Mas certas
situações requerem o uso de medicação especial.
No caso de mães com o vírus HIV, por exemplo, o tratamento antiviral que
reduz drasticamente a contaminação fetal é totalmente indicado. Gestantes
com epilepsia, trombose, asma e pressão alta também precisam dos seus
remédios para ter a saúde assegurada — os anticonvulsionantes, por exemplo,
devem ser ministrados às grávidas que sofrem de epilepsia, já que as crises
oferecem mais riscos para o bebê do que os próprios remédios. Cabe ao
seu médico decidir o que deve ou não ser usado e, ainda, cogitar a possibilidade
de substituir uma medicação por outra menos agressiva para o bebê.
Existem drogas
que, apesar de possuírem um efeito impróprio, podem ser usadas quando
o benefício para a mãe sobrepujar o risco para o feto. É o caso dos analgésicos.
Mas cuidado: em doses muito altas, eles podem determinar alterações de
crescimento ou problemas no coração do feto.
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