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A capacidade de ter um filho não significa que a mulher deseje a criança ou que esteja psicologicamente adaptável às sobrecargas da gravidez, do parto e maternidade. Muitas mulheres não desejam ter filhos, e outras têm aversão ao estado gestacional, embora digam o contrário. Em tais casos, mãe e filho podem sofrer. Depressão, ansiedade e sensação de insuficiência são comuns em tais situações. Durante o período pós-parto, mesmo as mulheres que consideram a gravidez uma época feliz podem ficar nervosas e perturbadas. A amamentação é muitas vezes uma dificuldade. Algumas mulheres não querem amamentar, ou não podem, devido a algum problema de saúde. A criança torna-se a figura central no lar, e a mãe, a pessoa que deverá estar disponível para saciar todas as suas necessidades. Multiplicam-se as responsabilidades e obrigações, ao mesmo tempo em que são sacrificadas as comodidades pessoais e até as simples conveniências. Se a criança tem alguma anormalidade ou é particularmente difícil de ser cuidada, a mãe pode achar que não é suficientemente capaz de cuidar deste bebê sozinha. Muitas vezes a mãe negligencia, achando que assim estará solucionando seus problemas. Este descuido pode ocasionar a debilidade física ou mental da criança e até a morte. Pelo menos metade das perturbações psicóticas durante a gravidez, ou imediatamente posteriores ao parto, são disturbios afetivos. Esta inquietação materna pode surgir durante a gestação ou depois dela. Por isso, é importante relatar ao médico perturbações psíquicas, depressões ou abatimentos emocionais anteriores à gravidez. Se houver boa assistência no período de pré-parto, sem qualquer complicação, os ajustamentos psíquicos e fisiológicos serão relativamente fáceis depois do nascimento. As reações maníacas e/ou depressivas podem ocorrer em uma gestação e não em outras; podem aparecer em todas as gestações, ou surgir somente quando a mulher não estiver mais grávida. Os relatos médicos apresentam quadros de ciúme, ódio e repulsa pela criança. E estes sentimentos normalmente encobrem uma possível aversão pela gravidez, ressentimentos em relação ao marido, mau ajustamento sexual, desejo de ser exclusiva na afeição da família ou conflitos de ordem financeira. As reações maníacas são em geral notadas nas duas primeiras semanas após o parto, e podem ser precedidas por curtos períodos de depressão. Os sintomas consistem em agitação, excitação, volubilidade, falta de atenção, fala rimada e fraca, descuido no vestir-se e desinteresse em se alimentar. Muitas vezes a mulher fica desidratada e esgotada. O tratamento psiquiátrico e o afastamento do bebê fazem parte dos cuidados. Já nas reações depressivas, os períodos de abatimento são muito mais freqüentes que os estados maníacos, e mais perigosos para a mãe do que para o filho. A depressão emocional temporária (conhecida como "melancolia do bebê") muitas vezes se acentua e persiste na segunda semana após o parto, e o estado da paciente caracteriza-se por ansiedade, fadiga profunda e anorexia. Em geral, a mulher apresenta sentimento de culpa e revela pensamentos e sensações inapropriados e estranhos. Segue-se freqüentemente uma depressão intensa, que dá origem a sentimentos de desamparo, incerteza e desesperança em relação ao futuro. Durante este intervalo crítico, a mãe triste e desesperada pode matar o filho e suicidar-se. A duração da crise depressiva não pode ser prevista. Nestes casos, o tratamento consiste em acompanhamento psiquiátrico e na separação da criança.
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