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O estresse e a relação
com a atividade física |
O termo estresse vem do inglês stress, e foi inicialmente usado na física
para traduzir o grau de deformação sofrida por um material quando submetido
a um esforço, sobrecarga ou tensão acima da sua normalidade ou do seu
poder de reação. Usado atualmente na medicina, o estresse é o estado de
tensão de um organismo vivo. Uma situação de estresse poderá ser vivenciada
por qualquer indivíduo submetido a estímulo externo ou a alguma situação
que provoque necessidade de mudança ou adaptação, mudança esta que acabe
significando uma ameaça. Em termos práticos, é um conjunto de reações
orgânicas e psíquicas no organismo em relação a estímulos externos, como
medo, apreensão, preocupação, excitação, irritabilidade excessiva, tristeza
e felicidade.
A essa situação, o organismo do indivíduo produz respostas de biofeedback
positivo ou negativo diante do volume e da intensidade desse estresse.
Com isso, ocorre um notável aumento das respostas orgânicas do indivíduo,
tais como alterações na atividade fisiológica, neuroendócrina, psicomotora,
psicológica, entre outras. Essas modificações fazem com que ele fique
preparado para enfrentar a situações fora do comum e o predispõem a agir
de uma maneira rápida e enérgica.
Existem dois tipos de estresse: o bom e o ruim. O bom motiva e inspira
o indivíduo a viver; já o ruim pode ser agudo (estresse imediato, de momento)
ou crônico (em longo prazo). Se uma situação for percebida como boa ou
ruim, ocorrerão modificações tanto psicológicas quanto orgânicas, forçando
o indivíduo a uma adaptação em resposta ao estímulo externo estressor.
Porém, quando a resposta a este estímulo externo for muito freqüente e
com um volume e intensa, pode-se ter repercussões negativas no organismo,
ocasionando possíveis enfermidades. O estresse dificulta o processo de
recuperação e cura do organismo do indivíduo, por baixar os níveis de
substâncias chave do sistema imunológico.
A primeira coisa que acontece com o nosso organismo na circunstância do
estresse é uma descarga de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina).
Os órgãos que mais sentem com isso são os aparelhos circulatório, respiratório
e digestivo. No aparelho circulatório há um aumento dos processos hemodinâmicos.
Além de haver broncodilatação e/ou broncoespasmos, a respiração se torna
mais acelerada. No sistema digestório, há um acréscimo na liberação de
ácido clorídrico por parte do suco gástrico pelo estômago, desencadeando
vários tipos de ulcerações gástricas e duodenais.
Os fatores estressantes podem ser acontecimentos positivos ou negativos,
pois ambos os casos envolvem mudanças comportamentais do indivíduo que
exigem um processo adaptativo a uma situação nova (positiva ou negativa).
Em relação à reação negativa ou não desejada, a mais freqüente é a ansiedade,
que é um modo de responder ao estresse e uma reação perante uma ameaça
real ou imaginária, ou diante de um sentimento generalizado de intranqüilidade.
A ansiedade é uma atitude normal e geral do organismo, ou seja, ela é
biofisiológica, ligada às adaptações e situações novas e atuais. Porém,
embora em algumas situações favoreça o desempenho do indivíduo em relação
às circunstâncias da vida diária, ela o faz somente até certo ponto, em
que o nosso organismo atinge um máximo de eficiência. Se a ansiedade ultrapassar
este nível máximo de eficiência adaptativa, ao invés de contribuir, promoverá
exatamente o contrário - o estresse. A partir deste ponto crítico, a ansiedade
será tão grande que não favorecerá mais a adaptação, promovendo, pelo
contrário, o esgotamento e a falência da capacidade adaptativa. Não podemos
dizer que existe um estresse mais forte ou mais fraco, mas sim que cada
um tem uma sensibilidade maior ou menor ao estímulo estressante que experimenta.
O organismo, na tentativa de se adaptar aos estímulos externos do estresse,
passa por uma fase em que sofre alterações, principalmente no sistema
imunológico, levando a uma baixa resistência orgânica e à facilidade para
adquirir infecções. Há também uma diminuição na capacidade de memorização,
alterações de humor, insônia, irritabilidade excessiva, aumento da fadiga
e grande cansaço, letargia, diminuição da libido, envelhecimento precoce,
depressão, distúrbios do sono, perda acentuada de peso, mudanças de apetite,
anorexia, agitação psicomotora, baixa da auto-estima ou culpa excessiva,
cognição ou concentração debilitada. Ou seja, o estresse diário contínuo
contribui para o desenvolvimento e exacerbação de problemas de saúde física
e principalmente mental.
O estresse e a ansiedade não são doenças em si, mas podem facilitar o
aparecimento e o desenvolvimento de vários tipos diferentes de enfermidades.
Se o estímulo estressor se mantiver por longo tempo, o organismo atravessará
três fases:
- Fase 1 ou de alarme: o organismo entra em estado de alerta ou de fuga
para se proteger do perigo percebido e dá prioridade aos órgãos de defesa;
- Fase 2 ou de resistência: nesta fase persiste o desgaste necessário
à manutenção do estado de alerta ou fuga. As funções orgânicas do corpo
se ajustam a esse período;
- Fase 3 ou exaustão: há uma queda dos processos imunológicos do organismo,
e com isso o surgimento de enfermidades.
São fontes de estresse: discussões e brigas familiares e no trabalho,
morte de um amigo ou parente, divórcio, doenças, acidentes e traumas,
barulhos, engarrafamento no trânsito, estudo para provas, excesso e falta
de atividade física, falta de dinheiro para o pagamento das contas, sedentarismo,
brigas conjugais, depressão, angústias, alimentação desequilibrada, uso
e abuso de drogas e medicamentos, etc...
Dependendo de cada indivíduo, um fato objetivo pode desencadear uma resposta
de estresse positivo ou negativo. Da mesma forma, os meios e métodos para
enfrentá-lo são totalmente pessoais e diferenciados, pois "ninguém é igual
a ninguém", e este ditado é igual a um dos princípios básicos do treinamento
desportivo, que é a individualidade biológica.
Nos dias atuais, com a informatização no trabalho, em casa, em todo lugar,
as pessoas ficam mais tempo paradas; o sedentarismo leva o indivíduo ao
estado de estresse, desencadeando várias doenças crônico-degenerativas
e hipocinéticas, ou seja, causadas pelo sedentarismo.
Como
evitar o estresse?
Ninguém
precisa ser um atleta para ter uma melhoria da sua disposição geral do
organismo. A atividade física faz com que o indivíduo melhore seu organismo
como um todo, em nível muscular, articular, ósseo. É muito útil na redução
do estresse, porque à medida que o indivíduo se adapta ao aumento dos
processos hemodinâmicos e dos hormônios catabólicos liberados durante
a atividade física, o organismo é fortalecido e treinado a reagir mais
calmamente quando as mesmas respostas são desencadeadas por um estresse
mental. Além disso, a prática da atividade física diária ser como uma
"válvula de escape" das preocupações dos indivíduos, distraindo-os daquilo
que os aflige, fornecendo uma sensação prazerosa de realização pessoal,
o que melhora o seu próprio ânimo e a sua auto-estima e confiança.
Antes de tudo, a atividade física deve proporcionar prazer, fazendo esquecer
dos problemas diários, pelo menos dentro deste período de tempo em que
está sendo praticada; senão, o próprio exercício será um fator de alto
estresse negativo.
A prática diária de atividade física está associada a uma redução da reatividade
cardiovascular em relação ao estresse mental. Isto é, os estímulos estressantes
do dia-a-dia possuem um impacto negativo menor sobre a saúde de indivíduos
fisicamente ativos.
Durante a atividade física a hipófise aumenta a produção de endorfina,
que é um hormônio responsável pelo bem-estar, dando a sensação de mais
tranqüilidade e euforia. Por isso, ela tem um papel importantíssimo no
tratamento e na prevenção da depressão, da ansiedade e do estresse, devido
à normalização das concentrações cerebrais e neuroendócrinas dos neurotransmissores
dopamina, serotonina e norepinefrina.
Os exercícios contra-resistentes, no caso a musculação, são um exemplo
de atividade física que acarreta melhorias mensuráveis da força, resistência
e hipertrofia muscular, favorecendo a auto-imagem positiva e elevando
a auto-estima.
Para se ter uma melhora da qualidade de vida e diminuição do estresse,
não há necessidade de se permanecer muito tempo praticando exercícios
físicos. Nós sabemos que, quando realizamos atividade física, há um aumento
da liberação hormonal anabólica e catabólica; porém, após 50 a 60 minutos
de exercícios físicos o organismo começa a produzir e a liberar uma quantidade
maior de hormônios catabolizantes. A atividade física por si só já é catabolizante;
portanto, permanecendo um período de tempo muito prolongado na realização
da atividade física, qualquer que seja, seu efeito catabólico, juntamente
com a exacerbação de hormônios catabólicos, irão ocasionar uma somatização
de estímulos estressores. Com isso, se o indivíduo não estiver bem treinado,
bem alimentado e bem recuperado, nunca irá diminuir o seu nível de estresse.
Pelo contrário: esse somatório de estímulos poderá vir de uma forma que
vários atletas conhecem, chamado overtraining ou sobretreinamento. Portanto,
tome cuidado!
Cuidados
para realizar a atividade física
Para
que se possa "malhar bem", dois fatores são imprescindíveis: o descanso
adequado, pois é através do sono que se consegue manter o equilíbrio e
o relaxamento físico, mental e espiritual; uma boa alimentação, responsável
por energia orgânica e mecânica suficiente para gastar com a atividade
física.
Quem não dorme bem acorda sonolento, cansado e estressado logo pela manhã,
e torna-se irritável durante o dia. Também tem seu poder de raciocínio
dificultado, além de outras alterações que são exatamente iguais aos sintomas
do estresse - isto é, um alarme fisiológico do organismo, demonstrando
que ele precisa se recompor para atingir seu equilíbrio homeostático.
Descanse e relaxe e tenha uma boa recuperação com o sono. Durante o sono
o organismo relaxa e se recupera dos desgastes ocorridos durante o dia.
É, portanto um dos mecanismos mais importantes contra o estresse e a ansiedade
diária do indivíduo. O dormir é tão importante quanto malhar e se alimentar
adequadamente. O sono repousante e relaxante é o alimento do espírito.
Se você não se alimenta bem, seu organismo não vai responder adequadamente
ao mínimo de estresse a que estiver exposto.
Para
saber mais sobre alimentação adequada, continue na seção
Referências
Bibliográficas:
Society
for Neuroscience, 25/10/1999.
Annals of Behavioural Medicine, 09/11/1999.
The Archives of Internal Medicine, 25/10/1999.
American Chemical Society, 22/08/1999.
Duke University Medical Center, 21/09/2000.
Psychosomatic Medicine, 22/09/2000.
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The Archives of Internal Medicine 2001; 161: 1071-1080.
Guyton, A. C. & Hall, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. Editora Guanabara
Koogan, 9a edição. 1996. RJ.
Nieman, D.C. Exercício e Saúde. Editora Manole. 2000. SP.
Ramzi, S. C., Vinay, K. & Robbins, S. L. Patologia Estrutural e Funcional.
Editora Guanabara Koogan, 5a edição. 1996. SP.
Prof.
Robson Alves.
Formado
em Educação Física. CREF-RJ. 1250 Graduando em Nutrição. Pós-Graduado
em Ciência da Musculação. Pós-Graduado em Treinamento Desportivo de Alto
Rendimento.

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