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O envelhecimento
não é uma doença, mas pode trazer um grande número de dificuldades. Este
é um processo natural, que, com o passar dos anos pode ser influenciado
pelas heranças genéticas, hábitos e rotinas diárias, assim como pelo ambiente
e outros fatores.
Um dos primeiros
sinais de envelhecimento são as alterações que vão acontecendo no rosto.
Entre elas estão o aparecimento de rugas, marcas, manchas ou a
pigmentação desigual da pele. Depois vêm as mudanças que afetam
muito o aspecto psicológico do indivíduo, como o aparecimento dos cabelos
brancos. Nota-se, a calvície, nos homens, e o crescimento de pêlos
faciais nas mulheres, além da perda de pêlos axilares e pubianos
em ambos os sexos. Outra alteração é a redução do suor, com o aumento da secura da pele e menor adaptação às alterações atmosféricas, principalmente ao frio. Pode ocorrer o crescimento mais demorado e o enfraquecimento ou endurecimento das unhas (hiperceratose ungueal); este último acontece principalmente nas dos pés.
Eles tendem aprofundar-se, devido à redução de gordura orbitária, isto é, a camada que circunda a órbita. Também aparece o arco senil, de coloração acinzentada, provocado pela acumulação de lipídios. Manifesta-se certa dificuldade de focar os objetos mais próximos. Ainda se pode observar a redução do tamanho da pupila, que se torna irregular, e uma menor velocidade de resposta à luz; isto explica a difícil adaptação às bruscas mudanças de luminosidade.
O tímpano fica mais grosso e acumula cera, com a formação de tampões. Alteração também acontece no ouvido interno e no nervo auditivo, reduzindo a habilidade de escutar altas freqüências, o que impossibilita o idoso de ouvir as consoantes. Este fenômeno chama-se presbiacusia — o diálogo incompreensível.
A modificação na qualidade e quantidade da saliva faz com que a boca fique seca (xerostomia). Há também uma redução do paladar e mais facilidade para engasgar. As gengivas ficam mais sensíveis, reduzindo a sua capacidade de agüentar a pressão de uma prótese dentária e machucando-se com facilidade. Os dentes têm a tendência de se distanciarem, e a sua perda progressiva é bastante comum. Os dentes ainda podem escurecer devido à diminuição de esmalte e aos acúmulos de minerais.
Normalmente, o nariz cresce de tamanho, e os pêlos aumentam em quantidade. Ocorre também certa perda do olfato.
A massa muscular diminui, mas há acréscimo da gordura corporal, afetando até 50% do peso. Logo, isto esclarece a facilidade com que os idosos se desidratam.
Acontecem
mudanças na musculatura, na ossada e nas articulações. Estas modificações
afetam a vida diária do idoso, impedindo até que se movimente sozinho,
pela dificuldade da mobilidade das articulações. Podemos observar uma
redução generalizada da massa óssea (osteopenia) — especialmente nas mulheres
a partir da menopausa. Os ossos tornam-se mais frágeis por causa
da osteoporose, ficando mais propensos à fratura e colaborando para a
degeneração das vértebras, tornando a postura do idoso mais curvada. Outros
aspectos consideráveis são a redução da altura do idoso e a perda progressiva
da massa muscular, que acarreta a rigidez dos tendões, a diminuição da
força e da agilidade de contração, e a lentidão dos movimentos.
O envelhecimento modifica o funcionamento e o mecanismo de defesa do aparelho respiratório, tornando-o mais frágil. Acontece um declínio no volume respiratório; entretanto, a velocidade respiratória aumenta. A redução do reflexo da tosse diminui o processo de eliminação das secreções, e estas se acumulam no pulmão. Em muitos casos é necessário lembrar ao idoso de tossir com vigor e pedir que ele elimine a secreção.
Acontecem várias alterações anatômicas e funcionais no aparelho digestivo, afetando tanto a parte motora (processo de transporte dos alimentos pelo tubo digestivo) como a secretora (eliminação de resíduos pelas fezes), ou ambas ao mesmo tempo. A circulação dos alimentos fica mais vagarosa, e o intestino passa a ter menor poder de absorção de substâncias, causando propensão à prisão de ventre. A partir dos 50 anos, ocorre a redução do fígado, provocando a diminuição do fluxo sanguíneo e a modificação do metabolismo hepático de muitas substâncias, entre elas os medicamentos; isto pode acarretar o aumento do tempo destes dentro do organismo do idoso, causando vários danos à sua saúde.
No caso
das mulheres, a diminuição de hormônios que ocorre após a menopausa origina
algumas mudanças no aparelho genital, entre elas a queda progressiva dos
pêlos pubianos, o atrofiamento dos grandes lábios, colo, vagina e a redução
do volume dos ovários, trompas e útero. A relação sexual pode se tornar
um pouco dolorosa, por causa da falta de lubrificação e da menor elasticidade
da vagina.
O fluxo sangüíneo renal é diminuído, com alguma perda das funções renais, tornado os rins mais sensíveis. Estas alterações provocam a dificuldade de eliminação dos medicamentos via urinária, podendo resultar em intoxicação por excesso de resíduos químicos no organismo.
É uma das
mudanças mais difíceis de observar, pois o envelhecimento não está diretamente
ligado à deformação intelectual. Já as modificações relacionadas
com o sistema nervoso central (SNC) se apresentam em variados aspectos,
como motor, sensorial, intelectual e comportamental.
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