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   Geriatria


   Mudanças ligadas ao envelhecimento

O envelhecimento não é uma doença, mas pode trazer um grande número de dificuldades. Este é um processo natural, que, com o passar dos anos pode ser influenciado pelas heranças genéticas, hábitos e rotinas diárias, assim como pelo ambiente e outros fatores.

Estas são as principais mudanças que acontecem no decorrer dos anos, divididas por regiões do corpo:

Pele e anexos Sistema músculo-esqulético
Olhos Aparelho respiratório
Ouvidos Aparelho digestivo
Boca Aparelho genital
Nariz Rins
Aparência corporal Sistema nervoso

   Pele e anexos

Um dos primeiros sinais de envelhecimento são as alterações que vão acontecendo no rosto. Entre elas estão o aparecimento de rugas, marcas, manchas ou a pigmentação desigual da pele. Depois vêm as mudanças que afetam muito o aspecto psicológico do indivíduo, como o aparecimento dos cabelos brancos. Nota-se, a calvície, nos homens, e o crescimento de pêlos faciais nas mulheres, além da perda de pêlos axilares e pubianos em ambos os sexos.

Outra alteração é a redução do suor, com o aumento da secura da pele e menor adaptação às alterações atmosféricas, principalmente ao frio. Pode ocorrer o crescimento mais demorado e o enfraquecimento ou endurecimento das unhas (hiperceratose ungueal); este último acontece principalmente nas dos pés.


  Olhos

Eles tendem aprofundar-se, devido à redução de gordura orbitária, isto é, a camada que circunda a órbita. Também aparece o arco senil, de coloração acinzentada, provocado pela acumulação de lipídios. Manifesta-se certa dificuldade de focar os objetos mais próximos. Ainda se pode observar a redução do tamanho da pupila, que se torna irregular, e uma menor velocidade de resposta à luz; isto explica a difícil adaptação às bruscas mudanças de luminosidade.


   Ouvidos

O tímpano fica mais grosso e acumula cera, com a formação de tampões. Alteração também acontece no ouvido interno e no nervo auditivo, reduzindo a habilidade de escutar altas freqüências, o que impossibilita o idoso de ouvir as consoantes. Este fenômeno chama-se presbiacusia — o diálogo incompreensível.


   Boca

A modificação na qualidade e quantidade da saliva faz com que a boca fique seca (xerostomia). Há também uma redução do paladar e mais facilidade para engasgar. As gengivas ficam mais sensíveis, reduzindo a sua capacidade de agüentar a pressão de uma prótese dentária e machucando-se com facilidade. Os dentes têm a tendência de se distanciarem, e a sua perda progressiva é bastante comum. Os dentes ainda podem escurecer devido à diminuição de esmalte e aos acúmulos de minerais.


   Nariz

Normalmente, o nariz cresce de tamanho, e os pêlos aumentam em quantidade. Ocorre também certa perda do olfato.


   Aparência corporal

A massa muscular diminui, mas há acréscimo da gordura corporal, afetando até 50% do peso. Logo, isto esclarece a facilidade com que os idosos se desidratam.


   Sistema músculo-esqulético

Acontecem mudanças na musculatura, na ossada e nas articulações. Estas modificações afetam a vida diária do idoso, impedindo até que se movimente sozinho, pela dificuldade da mobilidade das articulações. Podemos observar uma redução generalizada da massa óssea (osteopenia) — especialmente nas mulheres a partir da menopausa. Os ossos tornam-se mais frágeis por causa da osteoporose, ficando mais propensos à fratura e colaborando para a degeneração das vértebras, tornando a postura do idoso mais curvada. Outros aspectos consideráveis são a redução da altura do idoso e a perda progressiva da massa muscular, que acarreta a rigidez dos tendões, a diminuição da força e da agilidade de contração, e a lentidão dos movimentos.


  Aparelho respiratório

O envelhecimento modifica o funcionamento e o mecanismo de defesa do aparelho respiratório, tornando-o mais frágil. Acontece um declínio no volume respiratório; entretanto, a velocidade respiratória aumenta. A redução do reflexo da tosse diminui o processo de eliminação das secreções, e estas se acumulam no pulmão. Em muitos casos é necessário lembrar ao idoso de tossir com vigor e pedir que ele elimine a secreção.


  Aparelho digestivo

Acontecem várias alterações anatômicas e funcionais no aparelho digestivo, afetando tanto a parte motora (processo de transporte dos alimentos pelo tubo digestivo) como a secretora (eliminação de resíduos pelas fezes), ou ambas ao mesmo tempo. A circulação dos alimentos fica mais vagarosa, e o intestino passa a ter menor poder de absorção de substâncias, causando propensão à prisão de ventre. A partir dos 50 anos, ocorre a redução do fígado, provocando a diminuição do fluxo sanguíneo e a modificação do metabolismo hepático de muitas substâncias, entre elas os medicamentos; isto pode acarretar o aumento do tempo destes dentro do organismo do idoso, causando vários danos à sua saúde.


  Aparelho genital

No caso das mulheres, a diminuição de hormônios que ocorre após a menopausa origina algumas mudanças no aparelho genital, entre elas a queda progressiva dos pêlos pubianos, o atrofiamento dos grandes lábios, colo, vagina e a redução do volume dos ovários, trompas e útero. A relação sexual pode se tornar um pouco dolorosa, por causa da falta de lubrificação e da menor elasticidade da vagina.

Nos homens, as mudanças anatômicas são maiores do que as fisiológicas. Entre elas estão a redução no tamanho dos testículos e na sensibilidade no pênis, tornando a ereção mais demorada em alguns casos. Há um maior intervalo entre uma ereção e outra; diminui o volume de esperma e a ejaculação fica mais lenta.


   Rins

O fluxo sangüíneo renal é diminuído, com alguma perda das funções renais, tornado os rins mais sensíveis. Estas alterações provocam a dificuldade de eliminação dos medicamentos via urinária, podendo resultar em intoxicação por excesso de resíduos químicos no organismo.


   Sistema nervoso

É uma das mudanças mais difíceis de observar, pois o envelhecimento não está diretamente ligado à deformação intelectual. Já as modificações relacionadas com o sistema nervoso central (SNC) se apresentam em variados aspectos, como motor, sensorial, intelectual e comportamental.

Além da lentidão progressiva que é constantemente observada nos idosos, há ainda mudanças em funções como: memória recente, sono, controle muscular, coordenação motora e percepção. Com o envelhecimento, a aptidão para aprender novas atividades e para recordar fatos e situações fica mais lenta e requer mais esforços. Os danos na memória, principalmente a recente, são graduais e complexos.

Além disso, pode-se observar uma regressão no ponto de vista psíquico do idoso, enfraquecimento da vitalidade e dificuldade de adequação a novas situações. Pode haver a redução na habilidade de comunicação e no entusiasmo, além de tendências pré-depressivas.

Porém, a inteligência adquirida com a vivência não parece ser afetada com a idade; apenas o raciocínio rápido pode apresentar modificações. Observa-se o aparecimento de novos atributos que mostram sinais de amadurecimento e equilíbrio emocional, com uma ótica mais ponderada das situações e o predomínio de pensamentos e sentimentos voltados para o seu interior.


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