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   Geriatria


   Exercícios de recuperação pós-derrame cerebral

Dependendo da gravidade do acidente vascular cerebral, é preciso que o paciente inicie o mais rápido possível os exercícios de recuperação. Deve-se repetir de 20 a 30 vezes cada um dos exercícios, respeitando o limite de cada paciente.

A princípio, os exercícios podem ser feitos por todos os pacientes, desde que o quadro clínico seja estável — ou seja, que não haja fortes dores, falta de ar ou infecções agudas, por exemplo. De qualquer forma, os exercícios poderão ser realizados de forma passiva, isto é, com os movimentos feitos pelo fisioterapeuta, sem a ajuda do paciente.

Exercícios
Alimentação
A continuidade do tratamento
Dicas importantes

  Exercícios para a postura e o equilíbrio

O paciente deve entrelaçar as mãos, com o polegar lesado sobre o saudável e os cotovelos estendidos. Depois, deve elevar os braços para frente, para trás e também para os lados. Desta forma, o paciente exercita toda a articulação do ombro.

Manobra ponte

Deitado de barriga para cima e com os joelhos flexionados, o paciente deve elevar o quadril da cama, posicionando os braços com as palmas das mãos para baixo. Caso não consiga fazê-lo sozinho, o cuidador deve ajudá-lo. Este exercício é fundamental para desenvolver o bom equilíbrio da pelve (bacia), a fim de que o paciente possa ficar de pé, andar e sentar com mais mobilidade e equilíbrio. A reabilitação dos músculos do tronco tem grande responsabilidade na função respiratória, prevenindo pneumonias e outras complicações respiratórias que prejudicam a recuperação do paciente com AVC.

Balanço dos joelhos
Com joelhos flexionados, juntos, e mãos e pés apoiados na cama, o paciente deve balançar os joelhos para os dois lados, sem separá-los.
Rotações

Com os braços estendidos e os joelhos flexionados, o idoso deve girar para ambos os lados na cama. Este exercício, muito similar ao anterior, auxilia o paciente a ter consciência dos dois lados de seu corpo.

Exercícios de balanço em posição sentado
O paciente deve posicionar os pés apoiados no chão e as mãos estendidas sobre a cama, o corpo balança de um lado para o outro, conforme a figura abaixo. Este movimento desenvolve a estabilidade do paciente permanecer sentado.

  Manobras bucolinguofaciais (boca, língua e face)

Este exercício tem como finalidade reabilitar as funções da linguagem, mastigação e deglutição. O paciente deve fazer repetidas vezes os seguintes movimentos:

abrir e fechar a boca;
torcer a boca para ambos os lados;
esticar e franzir os lábios;
colocar a língua para fora.

  Exercícios para a reabilitação respiratória

inspirar pelo nariz, fazendo aumentar o abdômen;
expirar lentamente pela boca, contraindo o abdômen.

   Alimentação

Se for o caso, nos primeiros dias após o AVC, é recomendável a avaliação do nível de disfagia (dificuldade na deglutição) do paciente e, caso seja necessário, deve-se iniciar a hidratação endovenosa. Se após 7 a 8 dias não seja reabilitada alimentação normal, a sondagem é indicada, mas nunca abandonando o tratamento da disfagia (dificuldade de engolir). Após a recuperação, devem ser progressivamente inseridos ao cardápio alimentos semi-sólidos, como purê, por exemplo, e finalmente líquidos mais espessos.


   A continuidade do tratamento

Depois de superado o estágio agudo do AVC, é imprescindível planejar a alta hospitalar do paciente. Por isso, tudo deve ser bem organizado, com as devidas adaptações tanto no lar como na vida do paciente. As visitas ao fisioterapeuta, psicoterapeuta (ou destes em casa) e o acompanhamento são fundamentais para o êxito do tratamento. Alguns pacientes levam meses, ou até mesmo anos, para se adequarem às novas condições físicas e psicológicas; logo, a colaboração destes profissionais na recuperação é fundamental.

   Casos de depressão no paciente de AVC

A presença de depressão após um acidente vascular cerebral (AVC) está ligada ao diagnóstico, e às possibilidades terapêuticas a longo prazo; isto pode reduzir a motivação de freqüentar grupos de reabilitação. Diagnosticar a depressão pós-AVC é muito difícil, pois pode haver supervalorização por causa da afasia (perda da fala) e subvalorização em pacientes que não a apresentem ou ainda não mostrem sintomas aparentes. A ausência de resposta ao tratamento de recuperação indica um dos motivos mais comuns para o aparecimento da depressão.


   Dicas importantes

O paciente não pode se sentir desamparado; por isso, é fundamental encontrar uma forma, seja verbal ou gestual, de se comunicar eficientemente com ele. Ao tratar o paciente com dificuldade de fala (afásico), é fundamental:

nunca misturar a incapacidade do paciente de não se comunicar ou de entender com loucura ou demência;
jamais gritar com ele. Deve-se conversar em particular, e de preferência em lugares sem barulho;
não provocar situações de ansiedade e frustração, e não comparar o momento presente com os anteriores;
não obrigar o paciente a fazer nada contra sua vontade, devido à instabilidade emocional e tendência à timidez. Um sinal marcante desta inconstância é a facilidade para o choro;
não tratar e não falar com o paciente como se ele fosse uma criança; a dedicação em excesso é prejudicial;
sempre falar de maneira objetiva e clara, e fazer perguntas que possam ser respondidas com "sim" ou "não". Usar uma linguagem bem familiar ao doente;
entender que este pode ser um problema temporário;
incentivar o paciente a falar e não a comunicar-se somente por gestos. Se ele apresentar dificuldades, pode-se ajudá-lo começando a frase, por exemplo;
auxiliar o paciente com os exercícios de reabilitação, treinando-o, com calma, a usar o lado paralisado;
ajudar na correção da perda de atividade. É importante nunca discriminar o paciente, fazendo-o sempre participar de reuniões familiares e com amigos, e motivando-o a se divertir;
se o paciente tiver dificuldade para entender o que você fala (por surdez ou lesão temporária ou permanente dos circuitos cerebrais da audição), pode ser útil escrever, com letras grandes e legíveis, e mostrar a ele.


  Veja também

O envelhecimento Derrame cerebral (AVC)
Cuidados com a pele Exercícios para casa
Aparelho locomotor Problemas cárdio-respiratórios
Acidentes e quedas Problemas clínicos mais comuns
Doenças cardiovasculares Nutrição
   


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