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  Bem-estar e qualidade de vida na 3ª idade

  Nova fase do "velho"

Márcio Pereira, psicólogo

O idoso não é o velho, mas, sobretudo, uma nova fase. Por vezes alguns acreditam que há bem pouco a descobrir desta fase com tão poucas possibilidades. Isto não é verdade! Outros poderiam pensar que, após tantos anos de vida, experiências e aprendizagens, nada os surpreenderia. Isto não é correto! Pois, ao contrário, gostaria de enfatizar que versamos aqui sobre o espanto do permanente desabrochar da vida, da riqueza do vivenciar e das possibilidades do tempo. Em outras palavras, abordamos um novo olhar sobre as fases da vida, de forma especial o que para alguns seria o seu cume: o envelhecimento.

Assim sendo, o idoso não é o velho. Evitemos o uso e o pensamento cristalizado pelo tempo. Rejeitemos o "em velho cimento". Vamos nos abrir e olhar a velhice como uma continuação lógica do percurso da vida. Daí uma terceira idade, tão ou mais viçosa do que as outras duas anteriores. Convido a uma postura nova: busquemos manter os olhos abertos, seja qual for nossa idade, bem como os ouvidos atentos e o coração disponível para a renovação. Isto sim é a vida e o envelhecer.

Muito já se falou da "escola da vida", e neste sentido o idoso é um aluno e/ou mestre privilegiado. Aproveitando da genialidade na expressão de um destes aprendizes, um que passou pelos anos com louvor, eu destacaria as palavras da mestra Cora Coralina: "Todos estamos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo".

Vivemos novos tempos; podemos, pois, nos aventurar a construir novos sentidos para o termo "envelhecer". Usemos toda ousadia que nossa idade e experiência nos permitiram construir sob a supervisão do mestre "tempo"; assim perverteremos nossa visão de mundo ou mesmo o uso morfológico das palavras. Quem sabe poderemos, a partir de hoje, usar este termo como um antônimo de acabado, decrépito, senil, em desuso, ou ultrapassado.

Vivemos uma época especialmente surpreendente. Destruição e reconstrução de valores, padrões e conceitos nos impulsionam para um olhar perplexo das sucessivas crises. A sociedade capitalista, impulsionada pela produtividade e pela superatividade, começa a perder força neste mundo globalizado. Não se fala mais na Revolução Industrial, mas na Revolução da Informação. Em contrapartida, alguns dos termos e valores do humanitarismo, do humano, são caçados ou reconstruídos. A "qualidade total" abre espaço para o repensar da vida, de nossos valores e aos poucos cede lugar para idéia de lutar pela nossa "qualidade de vida"; assim como a produção passa a ser mais valorizada do que a produtividade, ou a participação mais que a atividade. Vivemos uma fase nova em que se busca alcançar enfim a realização ou construção de alguns velhos valores humanos. E os idosos participando disso e vivenciando isso tudo intensamente.

A valorização da produção e participação do idoso nos últimos anos cresceu muito. Estatísticas e previsões nos falam que nos próximos 25 anos o número de idosos será 15 vezes maior. Creio que o crescimento numérico de idosos e o aumento percentual destes como produtores ou consumidores, e conseqüentemente do investimento para esta faixa de mercado, não sejam os únicos fatores a determinar a ampliação da dignidade da terceira idade.

Para acompanhar nossas idéias, fomentar exemplos e desenvolver esta imagem central gostaria de criar um paralelo entre a terceira idade e alguma outra. Para isto, escolhi um período muito evidenciado pela mídia e pelos meios científicos em geral, sobretudo pela pedagogia e pela psicologia: a adolescência.


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