Acessibilidade — Piso Referencial Podotátil

Com base nos conceitos de "acessibilidade para todos", o Piso Referencial Podotátil visa a facilitar a locomoção do indivíduo portador de deficiência visual ou que apresente problemas severos de visão. Como o próprio nome já diz, este piso serve como orientação ("referencial") para a pessoa com dificuldades visuais, pois apresenta textura especial, perceptível ao contato ("tátil") dos pés ("podo").

A aplicação deste recurso tem origem nos anos 70, quando foi implantado em São Paulo o Projeto Piloto para Deficientes Visuais, pela Companhia de Engenharia de Tráfego — CET. Este trabalho foi mais desenvolvido no bairro de Vila Mariana, por ser uma área que reúne instituições específicas para pessoas portadoras de deficiência visual. Em 1996, quando foi criada a CPA (Comissão Permanente de Acessibilidade), as pesquisas tiveram continuidade com o apoio técnico de ergoterapeuta de instituição francesa, Prefeitura de Paris e Royal National Institute for the Blind da Inglaterra. O primeiro teste foi implantado no Largo São Bento, após reunião com as fundações Dorina Nowill para Cegos e Lamara, em 1996.

Outras experiências com algum tipo de referencial para as pessoas com deficiência visual foram realizadas em cerca de quatro cidades, mas somente em São Paulo o Piso Referencial Podotátil foi desenvolvido já com respaldo legal. No entanto, no Brasil não se tem conhecimento de nenhum centro de pesquisa que esteja trabalhando este assunto, apesar de profissionais virem demonstrando grande interesse em obter mais informações.

Os critérios para a implantação do Piso Referencial Podotátil tomam como referência aqueles também adotados por outros países. Um dos padrões estabelecidos pela CPA é que o Piso Referencial Podotátil tenha contraste de
Londres
cor em relação ao seu entorno.
Este recurso objetiva orientar as pessoas com visão subnormal. Além disso, devem-se observar critérios de dimensionamento, implantação e tonalidade, com o fim de padronizar a linguagem do Piso. Este deve ter a largura de 40 cm, para garantir que um passo do pedestre seja efetuado sobre ele. Isto tem por objetivo que o referencial não deixe de ser percebido, cumprindo a sua função.

O "Programa de Adequação de Vias Públicas às Necessidades das Pessoas Portadoras de Deficiência" também estabelece padrões técnicos para o rebaixamento de calçadas e meios-fios, extensivos

aos pontos de travessia sinalizada e à borda das plataformas elevadas para embarque e desembarque de ônibus, trem e metrô.

São diversos os materiais a serem utilizados, dependendo basicamente do

Largo S. Bento, São Paulo

local que irá receber o Piso — uma área interna (plataforma de metrô) ou externa (rebaixamento de meio-fio em calçadas), por exemplo. Portanto, o piso pode ser, de acordo com a situação do local, de concreto, metal, emborrachados, entre outros. Em todo caso, o tipo de revestimento do Piso Referencial Podotátil deve garantir estabilidade e segurança, além de ser antiderrapante em qualquer condição climática, resistente e durável.

Para garantir a funcionalidade e eficiência deste equipamento, é preciso que haja conscientização dos usuários. Compreender a

mensagem de ATENÇÃO veiculada pelo piso requer certo treinamento. Isto possibilita que a pessoa pare, se localize e perceba as referências do ambiente em volta, para que possa prosseguir sua caminhada com segurança.

Esta seção conta com a colaboração de José Almeida Lopes Filho, arquiteto especialista e professor universitário em "Acessibilidade para Todos", membro da Rehabilitation International e Secretário Executivo da Comissão Permanente de Acessibilidade — CPA, em artigo publicado na Revista Nacional de Reabilitação (nº 19 - março/abril 2001)

   Veja também

A edificação destinada à saúde e o conceito de Acessibilidade para Todos
Laboratório de Acessibilidade

 

   


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