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O uso do ar comprimido em hospitais é amplo e se dá, entre outras maneiras, no transporte de substâncias medicamentosas para pacientes por via respiratória, como fração gasosa na ventilação mecânica, na movimentação dos equipamentos, como agente de secagem e limpeza, como fonte de vácuo do princípio do venturi etc. O ar deve ter sua qualidade assegurada e ser isento de microorganismos patogênicos, substâncias oleosas, água, poeira e outros elementos que não fazem parte da sua composição. Para que isso ocorra, é necessária a montagem correta e a manutenção adequada da central de ar comprimido, além de uma monitorização constante destes parâmetros.
Na instalação básica, devem ser utilizados, no mínimo, dois compressores, um reservatório, um sistema de filtragem e desumidificação e um programa de manutenção preventiva adequado à central, à rede e aos dispositivos relativos ao processo.
Esta necessidade é justificada, primeiramente, pela manutenção de níveis de segurança, no que tange às interrupções do fornecimento de ar comprimido. O aumento da vida útil na instalação e a segurança dos pacientes, referentes ao fornecimento de gás, também são fatores que devem ser considerados. Um dos compressores é posto em funcionamento enquanto o segundo fica de reserva ("em stand by"), para o caso de o primeiro não conseguir fornecer a quantidade de ar necessária. É indicado um rodízio entre os compressores, isto é, uma alternância no funcionamento que deve ser necessariamente automatizado; no caso de ser manual, deve-se fazer o revezamento no máximo após 200 horas ou 30 dias de funcionamento. Recomenda-se a instalação de um horímetro em cada compressor, para o controle e manutenções preventivas. No caso de uma unidade de anel líquido, o local de instalação deve possuir ponto de fornecimento de água e, preferencialmente, um reservatório cujas dimensões permitam mantê-lo funcionando em caso de falta de água, até que o abastecimento seja restabelecido. A área reservada para a central de ar comprimido deve ser suficiente para permitir o acesso aos compressores, facilitando os trabalhos de manutenção e inspeção. A qualidade do ar na central deve ser a melhor possível. É justamente por isso que o compressor precisa ficar distante de fontes infectantes como as de exaustão da área contaminada da lavanderia ou do ar da central de vácuo , de motores de combustão interna, como nos grupos geradores e nas garagens, e dos locais de manipulação de materiais infecto-contagiosos.
O compressor de uso medicinal deve assegurar a seguinte condição: a instalação elétrica deve ter a capacidade de, no mínimo, manter dois compressores funcionando com folga sempre que houver necessidade.
O modelo mais adequado ao uso hospitalar é o compressor de anel líquido. Nele, o ar é comprimido por uma anel líquido excêntrico. A vantagem maior deste tipo é a eficiência na retenção de poeiras e microorganismos, proporcionada pelo contato do ar com a água (líquido usado como selo mecânico). Outro fator importante é que a vida útil deste compressor é maior quando comparada com a de compressores alternativos a pistão.
A central de ar comprimido deve ter um reservatório dimensionado para prover determinada quantidade de ar por um período suficiente, de modo a colocar em prática uma alternância de fornecimentos, em caso de paralisações forçadas. O reservatório deve também ser instalado com uma inclinação de 15º em relação ao solo, ficando a válvula de sangria na extremidade mais baixa. Este procedimento evita o acúmulo de água no aparelho.
Em uma central de ar comprimido, existem vários dispositivos de controle de segurança: pressostato, válvula de segurança, alarme de baixa e alta pressão, pré-filtro, desumidificador e filtros.
Os filtros com esta característica são denominados absolutos, e podem ser instalados logo após o desumidificador, ou em locais onde se exige ar de melhor qualidade (como é o caso das unidades hospitalares críticas).
Para evitar a contaminação do ar comprimido pelo equipamento, é utilizado um sistema de filtragem e de desumidificação, além de testes microbiológicos, realizados na água condensada no reservatório do compressor. A rede de distribuição do ar deve ser limpa periodicamente e feita mediante pressurização da rede ou de um ramal com N2 (nitrogênio) com pressão maior ou igual a 10 kgf/cm2. A monitorização dos limites dos agentes contaminantes é um outro fator que deve ser levado em consideração: Limites para contaminantes no ar comprimido medicinal*
* Dados do National Standard of Canada - CAN/CSA - Z305. 1-92
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