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As mudanças na prestação de cuidados médicos provocaram também muitas preocupações éticas. Embora não haja nenhuma resposta simples ou "certos e errados" para muitos dos assuntos, é preciso estar atento para possíveis conflitos. As principais áreas de preocupação têm sido os esquemas de pagamento de capitação, a limitação da assistência e o surgimento das corporações lucrativas de saúde. No sistema de capitação, o médico é remunerado ao não prestar cuidados. Isto é, quanto menos o paciente utiliza os serviços, mais o médico se beneficia financeiramente. Embora se tenha encarado este aspecto com certo cinismo, deve-se analisá-lo em contraste com o sistema de fee-for-service, no qual o profissional é remunerado de acordo com o número de serviços prestados. Em outras palavras: quanto mais o paciente recebe tratamentos e prescrições, maior o pagamento do médico. Talvez uma preocupação maior do que o papel individual do clínico tenha sido a estruturação do corporativismo no cuidado médico. A assistência de saúde está deixando de ser uma instituição setorizada para se tornar uma grande estrutura corporativa. Muitas destas organizações têm fins lucrativos, e qualquer economia feita às custas dos pacientes e provedores é empregada para aumentar os ganhos dos acionistas. Embora poucos argumentem contra o conceito de serviços a preços acessíveis, há uma preocupação considerável sobre o uso destas técnicas com o objetivo de gerar lucro para acionistas a partir de potenciais despesas dos pacientes. O tópico da racionalização foi exposto no contexto das mudanças no programa de Medicaid de Oregon, no qual a prestação de serviços se baseia em um modelo de rigor associado à avaliação da probabilidade de benefícios e a disponibilidade de recursos. Além disso, este assunto se torna uma preocupação quando grandes organizações de Managed Care restringem o acesso do paciente a certos tipos de tratamento, como transplante de medula óssea em pacientes de câncer de mama. É uma questão que gira em torno do conflito entre benefícios individuais e melhorias de saúde pública. Por exemplo: em uma época de recursos limitados, seria melhor gastar $100,000 para tratar uma mãe de quatro crianças que padece de câncer de mama (com pouca probabilidade de cura), prestar cuidado intensivo a um paciente idoso com doença pulmonar obstrutiva crônica causada por toda uma vida de consumo de cigarros, ou imunizar 5000 crianças contra doenças infecciosas? O Conselho de Assuntos Éticos e Jurídicos da AMA divulgou uma linha de diretrizes para os médicos e organizações, o que é o primeiro passo para a incorporação de considerações éticas às políticas e procedimentos das empresas de Managed Care. Para evitar dilemas éticos, é dever do médico atender a cada paciente em suas necessidades individuais, da maneira mais apropriada, independentemente do sistema de saúde ao qual, como profissional, está submetido. Ao prestar assistência sob um sistema centrado no paciente e a custos reduzidos, os médicos podem se sentir tranqüilos de que estão preenchendo unicamente o interesse de seus assistidos.
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