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Empresas e organizações de todo o mundo estão cada vez mais se conscientizando do potencial competitivo da qualidade. Até serviços públicos passaram a competir por trabalho e “consumidores” de um modo não imaginado há dez ou quinze anos. A qualidade tornou-se um ponto vital para as organizações. Os padrões de desempenho são atualmente cláusulas de contratos. Num mercado cada vez mais competitivo, usar o ferramental e os conceitos de melhoria contínua tornou-se uma alternativa para a diferenciação e manutenção dos nichos de atuação de cada empresa.
O GQT (Gerenciamento da Qualidade Total) é uma filosofia de gestão essencialmente baseada na satisfação do cliente. Segundo Scherkenbach (p.15), “o processo empresarial começa com o cliente. De fato, se não se iniciar com o cliente, esse processo, com muita freqüência e abruptamente, termina com o cliente.” Além de utilizar instrumentos gerenciais voltados para a melhoria dos processos, o GQT avança em questões específicas da cultura organizacional, promovendo mudanças expressivas em posturas e forma de entendimento de funções. As técnicas empregadas em sua implementação interferem sobremaneira nas relações internas e na interação de funcionários e setores produtivos da organização. Para este modelo de gestão, existem dois tipos de clientes: o interno, que considera todo o corpo funcional da empresa, e o cliente externo, cujo conceito envolve o usuário consumidor de bens e serviços. A base de todo processo está na contemplação das expectativas geradas para os clientes em termos de atendê-las da melhor forma possível, acertando da primeira vez, para provocar a fidelidade e desta forma manter seu nível de competitividade a partir de seus consumidores. Outra premissa da GQT é manter colaboradores realizados e identificados com seus trabalhos e, sobretudo, comprometidos com o sucesso do negócio. Estas duas premissas só podem ser alcançadas se estiverem em profunda intercomunicação, e se toda a empresa for orientada para elas. O Total do GQT diz respeito à dimensão a ser alcançada em termos de envolvimento da instituição com a quallidade, em que se espera atingir a totalidade de processos e pessoas engajadas na melhoria contínua do desempenho da empresa como um todo. Adotar o GQT é partir do princípio de que toda empresa estará empenhada em melhorar a partir dos postulados da teoria da qualidade.
A Qualidade não é obra do acaso ou resultado de milagre; é a conseqüência das ações e decisões dos responsáveis pelo processo. Portanto, precisa ser almejada e trabalhada de forma consciente. Os esforços precisam estar direcionados para o objetivo proposto, e todos os componentes do processo devem estar envolvidos. Cada ação inadequada poderá trazer conseqüências prejudiciais para o resultado final. O Gerenciamento da Qualidade demanda atenção a todo o sistema de transformação, ou seja:
O GQT nunca está terminado. Sua filosofia essencial é a melhoria contínua.
Ao contrário do que circula no senso comum, não é necessário se pagar mais pelo melhor produto ou serviço. Ou seja, ao se adotarem os padrões da Qualidade, espera-se que haja uma redução nos custos, o que certamente atrai mais o consumidor. O GQT pode gerar redução de custos através de:
Os três fatores interagem para o sucesso do programa. O GQT inicia-se com uma análise global dos sistemas e procedimentos vigentes, identificando o desperdício e sugerindo meios de controle e modos de acelerar as operações. O aperfeiçoamento dos sistemas reduz os refugos e o re-trabalho, aumentando a credibilidade e assim tornando o serviço mais efetivo.
A finalidade da aplicação do GQT é o êxito contínuo. Este sucesso depende de excelência em quatro instâncias:
No que diz respeito ao custo, sua redução passa basicamente pela eliminação do desperdício. Segundo Helga Drummond, “o desperdício significa atividades que não agregam valor”. Tanto a diminuição no tempo de performance de uma determinada atividade quanto a simplificação do processo contribuem para gerar possibilidades em outras áreas, como, por exemplo, a diversificação dos produtos e serviços.
Desde a Idade Média, a qualidade é uma preocupação geral; nesta época, era uma questão de sobrevivência, devido à escassez de alimentos e à precariedade dos métodos de conservação. Hoje em dia, embora ainda haja a questão vital envolvida, fala-se em qualidade principalmente no que se refere a custos e lucros. De fato, geralmente é o consumidor que arca com os custos da falta de qualidade, raramente recebendo alguma compensação real em troca. Percebe-se então que, atualmente, o consumidor vem cada vez mais se conscientizando de seus direitos. Respaldado pela Lei do Consumidor, começa a exigir serviços de melhor qualidade, produtos adequadamente conservados, pontualidade na entrega e bom atendimento. Porém, foi uma situação-limite o que realmente provocou o surgimento da idéia de qualidade e o desenvolvimento de programas específicos destinados à sua obtenção. Diante de um estado de ruína total, o Japão se viu obrigado a tentar “reinventar” o país física e economicamente. Para isso, estabeleceu como meta principal a Qualidade, independentemente da área em foco. Além disso, os japoneses contaram com a orientação de um especialista americano, já familiarizado com a situação do país. A partir daí, o Japão se reergueu, e todo o resto do mundo passou a fazer uso daquelas estratégias. É aqui, de certa forma, que começa a visão da Qualidade Total, através dos trabalhos e da pessoa daquele especialista americano: William Edwards Deming.
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