Construindo um corpo saudável
Reflexões sobre o processo de agregar talentos
aos colaboradores do sistema de saúde

Márcio Pereira, psicólogo

Inicialmente ofereço um convite de poesia e simplicidade, uma pequena cena, algo para imaginarmos: uma pequena criança, dentro de um cômodo em penumbra, aproxima-se lentamente de uma janela, seu coração palpita acelerado dividido entre a dúvida ou medo do desconhecido e a ousadia da aventura de descobrir o mundo. Sua pouca experiência e corpo frágil sabem que precisam de mais, e impulsionada por isto, ficando na ponta dos pés, lentamente abre uma grande janela que a presenteia com uma bela manhã primaveril. Imediatamente, todo o seu rosto se ilumina; primeiro, com uma brisa que levemente balança as cortinas que emolduram a janela; em seguida, seu sorriso desabrocha ainda mais pelo inocente encontro com o brincalhão e companheiro irmão sol que lhe ilumina a face e; finalmente, pela maciez do carinho que tanto a brisa como o sol proporcionam na delicada pele da face desta criança que, estupefata, sobretudo pelo peso de suas primeiras experiências, sorri.

Abrir as janelas em uma manhã ensolarada é quase um sinônimo de liberdade, realização e felicidade, sem citar a indiscutível necessidade biopsicossocial da exposição ao sol. A idéia de saúde corpórea sugerida no título ao longo deste texto se refere ao "corpo" da empresa e será permanente e propositalmente exposta com leves traços poéticos, porque creio eu ser a única forma real de se falar profundamente em saúde, seja ela corporal, corporativa, pessoal, institucional ou jurídica.

Permitir que os novos ares e a luz externa do mercado iluminem nossas faces é importantíssimo, assim também o compactuar irmamente com os que, cheios de novidades e vigores, participarão de nossas vidas, ou seja, tudo, nesta cena, de penumbra e luz, medo e descoberta, troca e sorriso — enfim, tudo até agora pode nos falar do paralelo desta cena com nossas empresas que trilham os rumos do incoercível crescimento, ou negando-se a isto, da inevitável morte. A tentação de continuar destrinchando esta cena inicial e o possível paralelo empresarial seria incorrer no risco de perder os valores poéticos que nela falam por si.

Quero agora, da mesma forma, prosseguir nas minhas sugestões reflexivas, proporcionando o pensar sobre cada parte do processo que a necessidade, alegria e importância de arejar, iluminar e viver impulsionam.

  I - Processo ou "desenvolvimento e crescimento corpóreo"

A idéia de continuum que nos remete a palavra "processo" é a própria necessidade de vivência e sobrevivência. Se a regra número um de qualquer administrador é sobreviver no mercado e, em conseqüência disto crescer; queremos aqui permanecer em nossas reflexões de forma a introduzir a condição sine qua non de permanente desenvolvimento, desenrolar, deste abrir-se ao mundo, crescer com ele e incorporá-lo. Doravante chamaremos este caminho, quando ligado diretamente ao arejar e iluminar-se, de "processo seletivo".

O processo fica aqui definido como o indispensável desenvolver crescente de todos os meios para incorporar novos talentos e dons aos colaboradores, setores, órgãos e membros deste corpo "corporativo". Aqui, e pelo uso em nossa prática mais cotidiana, mencionarei algumas partes deste processo, a saber: currículo, avaliações, dinâmicas de grupo, entrevistas e integração inicial.

II - Currículo e Avaliação escrita ou "o nascimento e suas certidões"

III - Dinâmica de Grupo ou, "brincar e conhecer os colegas no recreio"

IV - Entrevistas ou "esquentando as relações: 'ficada' ou namoro?"

V - Integração ou "lua de mel"

   


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