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Psicologia Hospitalar
Márcio Pereira, psicólogo No desenvolver do percurso histórico, uma série de transformações desembocaram na atual noção institucional de hospital. Sob o peso da influência do cristianismo, este espaço destinou-se a receber e acolher o humano, seja por delicadeza, irmandade ou amizade. Assim, tal hospedagem (o próprio sentido etimológico da palavra hospital) sempre foi ligada a valores como caridade, solidariedade, compaixão e misericórdia. Passamos então pela experiência racionalista, lançando-nos na crença quase que absoluta no poder racional e científico. Foi dada a partida para a corrida cientificista e tecnológica. Neste momento, as instituições puderam desenvolver, rápida e profundamente, o nível técnico e científico, alcançando patamares de eficiência, economia, rapidez e assepsia nunca antes imaginados. As instituições hospitalares, como parte deste contexto social, souberam como poucas evoluir em vista de aperfeiçoar tratamentos e diminuir a dor e a morte. Contudo, a ciência, nascida sob a égide do método científico cartesiano, dicotomizou e compartimentou o humano em corpo e alma, res e psique. Conseqüentemente, a ciência moderna efetuou um corte no conceito de hospital e hospitalidade, não impunemente para a sociedade e para o humano. O capitalismo lavou os afetos e emoções do cotidiano e da produção humana. O interesse agora é a produtividade. O hospital se capitalizou e se “tecnologizou”. Hoje, em muitos lugares, hospeda-se não mais o doente, e sim corpos doentes. O enfermo, o idoso, o paciente terminal, ou mesmo o Homem em si, todos valem o quanto podem produzir ou não, ou, ao menos, consumir ou pagar. A saúde se degenerou em comércio; já tivemos casos de auxiliares de enfermagem vendendo a morte, como noticiou a imprensa. Apenas algumas casas isoladas conseguiram fugir deste desvirtuamento inicial e da contínua quebra dos valores humanos e cristãos. Buscando responder à sua vocação original, a casa hospitalar deve assumir, em seu cotidiano e em seu corpo clínico, relações e profissionais que sempre buscaram o emocional, o afetivo e o subjetivo dos sujeitos adoecidos. De forma especial, precisa renovar neste sentido seu compromisso junto às equipes, famílias e enfermos, acolhendo em seu meio o crescimento das atividades profissionais do psicólogo. Cremos, como Miguel Couto, que "não tratamos de doenças, mas sim de doentes", e por isto nos aproximamos com coragem da busca permanente de ampliar nossas tentativas de respostas às demandas por vida.
Para aprofundarmos um pouco mais a intervenção do psicólogo no hospital, algumas estruturas básicas se apresentam como importantes. Inicio minha exposição deste repensar do psicólogo, de suas atividades e abrangências no hospital, alcançando temas práticos fundamentais, a saber: |
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