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Os seres humanos gastam um terço de suas vidas dormindo. Este fato sempre fez com que o tema gravitasse pela órbita intectual de artistas, filósofos, cientistas e médicos desde os tempos primitivos. Na história da medicina, muitos estudiosos notáveis realizaram brilhantes observações em relação à importância dos fenômenos do sono na medicina clínica. Com isso, acumularam-se informações, ao longo dos séculos, sobre o papel do sono nos mecanismos provocadores de determinadas doenças e seu tratamento. Porém, a falta de meios capazes de medir o funcionamento de órgãos internos impossibilitava um avanço mais consistente na comparação entre sono e vigília. Foi após o advento da eletroencefalografia (EEG) em 1929, por Berger, que houve uma facilitação nos estudos neurofisiológicos do sono, permitindo, pois, notar padrões de EEG que variavam em função do estado de vigília. Portanto, alguns dos mistérios do sono começaram a ser entendidos apenas na década de 30, com os trabalhos de Loomis e colaboradores. Eles demonstraram que o sono consistia em vários estágios, e que estes poderiam ser diferenciados pelos padrões do EEG. A descoberta de um novo padrão de EEG, no início da década de 50 consistindo em atividade eletroencefalográfica de baixa voltagem que ocorre com movimentos oculares rápidos despertou a comunidade científica para um novo estágio de sono, que se assemelhava ao padrão do EEG na vigília. Foi cunhado o termo sono paradoxal, pois o indivíduo dormia profundamente, mas com o EEG parecido com o da vigília. Portanto, verificou-se que o sono apresentava padrões alternantes: o sono com movimentos oculares rápidos (REM) e o sono sem movimentos oculares rápidos (não-REM).
O sono é um estado fisiológico complexo que ocorre periodicamente na maioria das espécies de vertebrados. É um processo ativo, bimodal (REM e não-REM), sendo que cada um desse estágios possui correlatos distintos neuroquímicos e neuroanatômicos. A duração para cada ciclo REM e não-REM está entre 70 a 120 minutos. O sono não-REM é dividido em quatro estágios (1, 2, 3 e 4). Nos dois primeiros, o sono é dito como sendo mais superficial e, nos últimos, como sendo o sono mais profundo e restaurador. O sono REM é caracterizado pela diminuição importante do tônus muscular e pelos rompantes de movimentos fásicos dos olhos. Em torno de 75% dos sonhos ocorrem neste estágio.
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