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A afasia se caracteriza pela alteração de processos lingüísticos de significação, com origem articulatória e discursiva, incluindo aqui os aspectos gramaticais. É produzida por lesão focal adquirida no sistema nervoso central, em zonas responsáveis pela linguagem, podendo ou não se associar a alterações de outros processos cognitivos. As afasias podem ser decorrentes de lesões corticais ou subcorticais (lesão talâmica esquerda ou gânglio basal) e são classificadas como não fluentes (lesão focal em lobo frontal anterior esquerdo) ou fluentes (lesão focal em região temporal posterior ou em lobo parietal esquerdo). As afasias não fluentes seriam as motoras, enquanto que as fluentes seriam as sensoriais. A sintomatologia das afasias manifestadas pelos pacientes é bastante heterogênea, sendo desta forma importante valorizar o aspecto único, pois há influência de muitas variáveis como: localização/extensão da lesão/variações interpessoais (idade e aspecto sócio-culturais). O fato de classificar a afasia só nos auxilia na identificação sindrômica do paciente, não trazendo assim esclarecimentos quanto à reabilitação. Através do advento das técnicas modernas de mapeamento cerebral de eletrocefalografia, e de estudos utilizando tomografia e ressonância magnética, é possível desvendar muitos detalhes da representação neural do processamento verbal, que permitem hoje uma melhor compreensão da fisiologia da linguagem. Descobriu-se então que lesões do sistema frontal comprometem também a compreensão da linguagem e, por outro lado, lesões do sistema temporal comprometem a identificação de classes de nomes e conceitos. Desta forma, podemos dizer que toda afasia apresenta alterações no processo de expressão e recepção, sendo que, na maioria dos casos, um dos dois processos é mais significativo. O importante no processo de investigação (avaliação) é valorizar o conjunto dos sintomas e, a partir daí, poder entender as alterações manifestadas pelo sujeito afásico. São muitas as variáveis que vão interferir no prognóstico, sendo elas: etiologia; idade; sistema geral; fatores psicológicos; variáveis sócio-culturais e extensão da lesão. Temos então que, dependendo da causa primária, ou seja, a origem do AVC, TCE, herpes cerebral e outras ocorrências, haverá diferença significativa na evolução do quadro; da mesma forma, idade e fatores psicológicos, sendo o mais comum "a depressão", trarão sem dúvida alguma particularidade na evolução do quadro. Deve-se aqui chamar atenção para os casos de múltiplos AVCs e a idade avançada, que caracterizam o perfil na grande maioria dos casos, pois nestes a afasia tem caráter particular. É importante analisar os sintomas levando em consideração o processo de envelhecimento normal da linguagem, ou seja, os que fazem parte da senescência e, por outro lado, diferenciando as características demenciais. É importante o diagnóstico diferencial, pois este será um marco para a conduta terapêutica adequada. O tratamento fonoterápico de um afásico é bastante diferente do tratamento de dementes. Por este motivo, faz-se necessário que nós profissionais tenhamos maior conhecimento de geriatria. Dependendo da precocidade do encaminhamento, a freqüência de estimulação diária é indicada, pois esta terá como objetivo a reorganização da linguagem e orientação dos familiares quanto à estimulação do meio. Quando o tempo de lesão passa de 6 meses, e deve levar-se também em consideração fatores como idade, extensão da lesão e fatores psicológicos, entre outros. Neste caso, a freqüência diária já não se faz tão necessária. O importante na reabilitação é oferecer ao afásico uma linguagem funcional, pois o mais importante é que ele consiga se comunicar, mesmo que seja através de meios alternativos. Pois só assim ele será visto pela sociedade como um "sujeito", e o fonoaudiólogo terá sempre que buscar, dentro da deficiência, a eficiência. Outro aspecto importante é a terapia em grupo, que tem como proposta a socialização, conversação e atualização sobre noticiários, proporcionando assim a estes sujeitos um espaço para serem ouvidos e também para aprenderem a ouvir. O tratamento de um afásico há de ter o caráter interdisciplinar e, para um conhecimento profundo da afasia, faz-se necessário o estudo de várias disciplinas, como lingüística, neuropsicologia, neurologia e psicologia, entre outras. O importante é tentar entender o porquê das alterações, para, a partir daí, eleger estratégias de intervenção.
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