Intervenção fonoaudiológica na Esclerose
Lateral Amiotrófica

Na Esclerose Lateral Amiotrófica, a degeneração progressiva dos neurônios motores superior e inferior acarreta desordens motoras, que levam aos seguintes distúrbios na comunicação e deglutição:

DISARTRIA — uma desordem na articulação da fala. Na ELA, a articulação apresenta características de paralisia bulbar e pseudobulbar, isto é, uma disartria espasticoflácida, que altera o tônus e a mobilidade dos órgãos fonoarticulatórios (OFAs), levando a debilidade de toda esta musculatura. Sinais como a atrofia muscular e fasciculações mostram-se presentes, devido ao acometimento do neurônio motor inferior. A maioria das características dos desvios da fala relatada na literatura tende a mudar com o agravamento da doença e com a associação dos fatores espásticos (como a incompetência fonatória e ressonatória) com os flácidos (o excesso e insuficiência prosódica, a incompetência articulatória e estenose fonatória). Darley et al (1975) relata em seus achados uma série de desvios da fala, dominantes na ELA: consoantes imprecisas, hipernasalidade, qualidade de voz áspera, velocidade lenta, monotonia, frases curtas, vogais distorcidas e fraco tom de voz;

É interessante observar que o prolongamento dos intervalos, dos fonemas e silêncios inapropriados são características na fala do portador de ELA, que marcam o início do acometimento respiratório da doença. Quando o paciente começa a apresentar características de DISFONIA, ou seja, o conjunto de alterações na conduta vocal, é sinal de que a fole de ar utilizada para a fonação já não satisfaz às necessidades vocais do sujeito. A progressão dos distúrbios vocais é diretamente proporcional às condições respiratórias. No agravamento dos sintomas, ocorre a AFONIA, que geralmente antecede a colação da cânula de traqueostomia, e o uso do suporte ventilatorio artificial;

O prejuízo para a musculatura bulbar inevitavelmente produz problemas na deglutição, ocorrendo aspiração na ingesta alimentar e até mesmo dificuldade no controle da saliva, acarretando a DISFAGIA. Em estudo realizado por Dworkin e Hartman (1979), foi observado que a força de língua de pacientes portadores de ELA é de 25% em relação àquela encontrada em homens normais, e que a velocidade do movimento alternado de língua era quase um terço da velocidade geralmente encontrada em adultos normais. Pesquisas mais recentes constataram que os músculos da língua estão mais severamente afetados na ELA do que os músculos faciais e da mastigação. Desta forma, a força propulsora de língua na ejeção do bolo alimentar, no ato da deglutição, mostra-se severamente prejudicada, ocasionando prejuízos severos da fase oral da deglutição. Os mecanismos de defesa de via aérea durante a alimentação encontram-se severamente prejudicados pela própria dificuldade respiratória do paciente portador de ELA.

Sabidos os tipos de acometimentos na articulação, voz e deglutição, assim como sua progressão, cabe ao fonoaudiólogo especialista uma intervenção baseada na qualidade de vida do paciente e na manutenção destes três aspectos, proporcionando-lhe maior capacitação e adequação destas funções. O tipo de intervenção vai variar de acordo com a progressão da doença.

A manutenção da musculatura de OFAs através de estimulação específica é necessária para o melhor desempenho desta musculatura nas funções de fala e deglutição. As complicações clínicas e a progressão dos sintomas motores podem ser fundamentais na continuidade da realização destas funções.

Com as complicações da musculatura respiratória e a necessidade de ventilação mecânica interferindo diretamente na produção da voz, pode-se optar pelo uso da válvula de fonação, objetivando readaptação do fluxo aéreo-bucal para fins de fonação. O fonoaudiólogo acompanhará o processo de adaptação do uso da válvula, utilizando técnicas vocais específicas para a manutenção da fala.

A manutenção da comunicação é de fundamental importância no trabalho do fonoaudiólogo, que sempre precisará estar atento a formas alternativas, quando estas se tornarem necessárias, na severidade dos distúrbios da articulação da fala e voz. Softwares personalizados adequando as condições motoras do paciente a suas necessidades de linguagem poderão ser desenvolvidos com o auxílio do terapeuta ocupacional, a fim de proporcionar condições eficazes de comunicação. É importante salientar que as condições cognitivas do portador de ELA não são afetadas pela doença de base.

A deglutição poderá se fazer adaptada à medida que as manifestações orofaríngeas forem se tornando mais importantes. Quanto mais precoce a intervenção, maior será o tempo de condições de alimentação por via oral com segurança. O prazer oral, através de técnicas especificas, e a manutenção da deglutição da saliva se fazem necessários num período mais severo da doença.

O mais importante no trabalho do reabilitador é proporcionar ao sujeito sua integridade como tal, sabendo que a qualidade de vida é condição básica na existência do ser humano.

Contribuição: Juliana Neves
NEFEG

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