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Esta
modalidade terapêutica consiste na administração de oxigênio
a 100% como recurso de tratamento, especialmente indicado na cicatrização
efetiva de feridas e no combate eficaz a uma série de infecções.
A aplicação é feita em câmaras especiais, individuais
ou para vários pacientes.
A medicina hiperbárica é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina
e regulamentada pela Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica. Este
órgão é associado à Undersea and Hyperbaric
Medical Society, órgão internacional sediado nos EUA,
que orienta seus afiliados quanto às questões éticas e técnicas desta especialidade.
Pouco
conhecida inclusive no meio médico, a Oxigenoterapia
Hiperbárica é uma técnica que extrai os benefícios
da exposição ao oxigênio concentrado a 100%, a uma
pressão 2 ou 3 vezes maior que a pressão atmosférica
normal. Esta terapêut
ica proporciona resultados
satisfatórios, principalmente nos casos de má cicatrização
e de certas infecções. Isto se dá devido à saturação
de 100% da hemoglobina, além de um aumento significativo na quantidade
de oxigênio livre, isto é, dissociado da hemoglobina e dissolvido
no plasma. Assim, obtêm-se níveis bastante elevados de O2
no plasma (até 2.000 mmHg), que conseguem atingir profundamente todos os
tecidos do organismo.
As indicações da terapia hiperbárica, propostas pela
Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica, fundamentam-se em experiências
documentadas e estudos clínicos, constantemente atualizados. Entre aquelas
relativas a lesões ou feridas, estão:
Enxertos e retalhos cutâneos comprometidos: são os recursos
de cirurgia plástica reparadora utilizados para reconstituir
feridas extensas e profundas, fazendo uso de pele ou músculo retirados
do corpo do próprio paciente. Nos casos de circulação
sangüínea comprometida e conseqüente falta de oxigenação da pele
ou do músculo transplantado, a oxigenoterapia hiperbárica atua evitando
a necrose da região;
Feridas de difícil cicatrização: são, por exemplo, as lesões
resultantes de imobilização prolongada na cama, geralmente
notadas nas nádegas e nos calcanhares, e aquelas comuns nos portadores
de diabetes, feridas estas que com freqüência levam à
amputação do membro atingido. Geralmente decorrem de deficiência
na circulação sangüínea, o que prejudica a oxigenação local, e/ou de
uma infecção bacteriana;
Lesões actínicas: notam-se em pacientes com câncer que se
submetem a tratamento radioterápico; podem ocorrer na pele ou
em vísceras ocas, como a bexiga e o intestino grosso, ou no tecido ósseo,
sendo denominada osteorradionecrose;
Lesões por esmagamento e síndrome compartimental: tais feridas se
caracterizam por danos em vasos sangüíneos de maior calibre
e inchaço acentuado no membro atingido, o que provoca dificuldades
sérias na circulação sangüínea. Geralmente resultam de esmagamentos
traumáticos de braços e pernas;
Quanto a infecções, relacionam-se:
Abscesso cerebral: é o acúmulo de pus no cérebro,
com necessidade de tratamento intensivo e abrangente;
Infecções necrotizantes de partes moles: atingem a epiderme,
a camada de gordura subjacente e, às vezes, os músculos vizinhos. Estas
enfermidades podem tanto progredir lentamente quanto se agravarem com
rapidez, levando até à morte ou à amputação do membro
afetado;
Osteomielite crônica refratária: é a infecção crônica
de ossos, que não se cura por meio de tratamento convencional (antibioticoterapia
associada a cirurgias para raspagem do osso afetado). A otite externa
maligna, que atinge o osso do crânio integrante do aparelho auditivo,
é causa freqüente de mortalidade.
Além destas patologias, registram-se outras ocorrências
que indicam o tratamento com oxigenoterapia hiperbárica:
Doença de Crohn: é uma enfermidade intestinal, que tem característica
inflamatória; pode apresentar drenagem espontânea de secreção
purulenta para a região próxima ao ânus ou o abdômen;
Doença descompressiva: é característica da inobservância
das tabelas de descompressão recomendadas em caso de mergulhos prolongados
e muito profundos. Dores nas juntas e sintomas neurológicos, tais como
paralisias de partes do corpo, são algumas das manifestações;
Embolia gasosa arterial: é uma ocorrência acidental
da prática de mergulho e de certos procedimentos médicos,
como cirurgias cardíacas. Caracteriza-se pelo aparecimento anormal
de bolhas de ar na corrente sangüínea, com a conseqüente interrupção
da circulação e prejuízo da oxigenação de tecidos nobres do organismo
cérebro e coração, por exemplo , com sérios desdobramentos;
Intoxicação por monóxido de carbono e inalação de fumaça: são
intoxicações sérias, com alta ocorrência de mortalidade,
provocadas pela aspiração voluntária (tentativa de suicídio) ou involuntária
de gás de cozinha, pela descarga de veículos movidos à gasolina, ou
pela fumaça decorrente de incêndios;
Pneumoencéfalo: é a ocorrência de uma "bolha"
de ar no cérebro, geralmente resultado de um trauma.
O tratamento é
administrado em câmaras hiperbáricas cilindros metálicos
resistentes à pressão, equipados com janelas. Estas câmaras podem
ser individuais (monoplace ou monopacientes) ou coletivas (multiplace
ou multipacientes), nas quais é necessário usar uma
máscara. Aquelas destinadas ao tratamento individual possibilitam
o contato visual com o paciente, através de sua estrutura de
acrílico transparente; isto reduz a ocorrência de sintomas
de claustrofobia, bastante comuns.
No tratamento hiperbárico conduzido em câmaras multipacientes, um
técnico de enfermagem especializado, ou mesmo o médico hiperbárico,
monitora os pacientes no interior do equipamento durante toda a sessão,
tanto nos procedimentos de rotina quanto nas emergências. Esta é
uma vantagem operacional deste tipo de câmara, em comparação
com a câmara monoplace, na qual às vezes é
necessário interromper o tratamento para prestar atendimento
emergencial.
Para a segurança e o conforto do paciente, as câmaras hiperbáricas
possuem um sistema de rádio que possibilita a comunicação com a equipe
de oxigenoterapia. Além disso, através de alto-falantes
especiais, projetados exclulsivamente para câmaras pressurizadas,
é possível ouvir música durante a sessão.

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