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Campanha Social
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Acessibilidade, um direito universal
Por Augusto Morais



Muitas vezes a pessoa portadora de deficiência física ou com mobilidade reduzida tem impedido o seu direito de ir e vir, bem
como o direito à saúde, garantidos pela Constituição Brasileira
de 1988.

 
Ainda é grande o número de edificações onde estão implantadas unidades de saúde, sejam elas da rede pública ou privada, às quais o acesso é dificultado por escadas altas, corredores e portas estreitas, entre outras barreiras.

O que parece uma simples tarefa para uma pessoa sem dificuldade de locomoção torna-se um pesadelo na vida de alguém que não pode se deslocar com facilidade. Geraldo Nogueira, advogado e diretor-executivo do Centro Vida Independente - RJ, lembra do tempo em que sua esposa esteve internada em um hospital tradicional da cidade do Rio de Janeiro. Por ser usuário de cadeira de rodas, Geraldo teve como obstáculo várias escadas, que impediam o seu acesso à unidade de saúde. Notícias sobre a sua companheira lhe eram trazidas por seus filhos, e eram aguardadas em frente ao hospital.

Geraldo revela que o tema acessibilidade está sendo mais divulgado. No entanto, para se transformar a arquitetura das cidades, é necessário mudar a consciência da população. "Já temos um grande ganho, que é o debate sobre a questão da acessibilidade. Ainda precisaremos de algum tempo para que aconteça tal transformação. Isso talvez só ocorra na próxima geração", lamenta.

De acordo com estudo do professor universitário, arquiteto especialista em Acessibilidade e membro do Rehabilitation International - USA, José de Almeida Lopes Filho, os problemas não se restringem apenas a hospitais e casas de saúde. Os obstáculos arquitetônicos também existem em clínicas médicas, odontológicas, radiológicas, de reabilitação física e mental, postos de saúde e puericultura, laboratórios de análise e bancos de sangue.

Para facilitar o cotidiano de pessoas com necessidades especiais, o arquiteto relacionou em seu estudo "Acessibilidade para todos" critérios técnicos que deverão ser observados na construção, reforma ou ampliação das edificações.


Para ele, os prédios necessitam ser adaptados com rampas, sendo estas dotadas de inclinações entre 5 e 6%. Tais rampas, e também os corredores, devem possuir corrimãos e largura que possibilitem o trânsito de cadeiras de rodas, macas e de todas as pessoas com dificuldade de locomoção. Além disso, as dependências dos sanitários precisam estar de acordo com a Norma NBR 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT.

Lei em prol da acessibilidade

Batizado como Guia da Cidadania Plena do Rio de Janeiro, um documento, feito pela prefeitura e supervisionado pelo CVI, está auxiliando os cariocas com dificuldade de locomoção a saberem previamente se o local aonde irão tem ou não acesso facilitado. Geraldo Nogueira revela com felicidade que, após a criação do guia, alguns prédios passaram voluntariamente por reformas para atender melhor ao seu público.
Uma outra lei que visa conceder direitos iguais a todos é o Decreto Federal número 3298, de 20 de dezembro de 1999. O Artigo 54 prevê que todos os prédios públicos federais, sendo próprios ou alugados, deverão, até o próximo ano, passar por adaptações e supressão de barreiras arquitetônicas. O mesmo deverá ocorrer nos espaços públicos que estiverem sob uso federal.

De acordo com o Artigo 5º da Lei 10.098, de dezembro de 2000, "o projeto e o traçado dos elementos de urbanização públicos e privados de uso comunitário, nestes compreendidos os itinerários e as passagens de pedestres, os percursos de entrada e de saída de veículos, as escadas e rampas, deverão observar os parâmetros estabelecidos pelas normas técnicas de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT".

Solução viável

Como uma alternativa para facilitar a vida e a locomoção do indivíduo portador de deficiência visual ou que possua problemas graves de visão, foi implantado nos anos 70, pela companhia de tráfego de São Paulo, um projeto-piloto para deficientes visuais, baseado em programas já desenvolvidos no exterior. Assim, passou-se a usar, em determinadas áreas da cidade, o Piso Referencial Podotátil. O recurso visa orientar os usuários no momento em que vão atravessar as ruas. O piso é feito com um material especial texturizado que serve para chamar a atenção da pessoa ao se aproximar do meio-fio.

Hoje o Piso Referencial é utilizado em várias cidades do mundo para auxiliar no ir e vir dos deficientes visuais. Um dos critérios para a implantação do material, segundo as normas da Comissão Permanente de Acessibilidade - CPA, é que ele tenha contraste de cor em relação ao seu entorno, além de respeitar uma tonalidade padrão. Outra questão observada na instalação do piso é quanto ao material utilizado e à localização. Tais pisos podem ser confeccionados em metal, concreto ou emborrachados, e devem ser instalados em travessias sinalizadas, estações de metrô, trem e pontos de ônibus.

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