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Dietas
reforçadas em proteínas causam
desidratação
Sabe
aquela dieta específica para atletas,
que instrutores de academias costumam indicar,
com muita proteína proveniente de carne
e ovos? E aqueles suplementos, tão "recomendados"
para halterofilistas, fisiculturistas e praticantes
de esportes pesados, à base de proteínas
e aminoácidos, com modelos de corpos
perfeitos nas embalagens? E aquela dieta para
perda rápida de peso, baseada no consumo
quase exclusivo de carne, bacon, ovos
e outros alimentos ricos em proteínas,
sem carboidratos como batata, massa,
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arroz,
vegetais e frutas? Pois é. Pesquisadores dizem
que este tipo de dieta é capaz de causar desidratação,
mesmo em pessoas com excelente condicionamento físico
e ótima saúde.
As proteínas são substâncias compostas
de aminoácidos, essenciais para a construção
de músculos, pele, cabelos e unhas, entre outros.
Podem ser utilizadas como fonte de energia no organismo,
na falta de outra mais fácil, como os carboidratos
ou gorduras. Quando utilizadas como fonte de calorias,
a energia que o organismo gasta para quebrá-las
é mais alta do que a energia despendida para
quebrar os carboidratos e as gorduras, o que, em teoria,
poderia torná-las mais "vantajosas"
para quem quer perder peso. Pessoas que praticam esportes
pesados, com o objetivo de aumentar a massa muscular,
costumam procurar dietas com excesso de proteínas
na expectativa de que esta dose extra auxilie na modelagem
dos músculos e facilite o ganho de musculatura.
Porém, a digestão das proteínas
para geração de energia gera subprodutos
tóxicos que precisam ser eliminados do organismo.
Esta eliminação é feita pelos rins
e consome muita água. Para tentar determinar
se este tipo de dieta causa algum prejuízo para
o organismo, pesquisadores liderados pelo estudante
de graduação William Forrest Martin, da
Universidade de Connecticut, verificaram sua influência
sobre a hidratação, que é a capacidade
de reter e distribuir água de forma saudável
entre os órgãos e tecidos do corpo. Eles
tomaram cinco atletas praticantes de maratonas, com
excelente condicionamento físico, e os instruíram
a consumir três tipos de dieta — com baixa,
média e alta carga de proteínas —
durante três períodos consecutivos de quatro
semanas. Ao longo de cada período, foram colhidas
amostras de sangue para a checagem de parâmetros
de saúde.
Os pesquisadores verificaram que, durante o período
de alta ingestão de proteínas, os atletas
apresentaram tendência à baixa hidratação
e à desidratação. Constataram também
que esta dieta elevou a carga sob a qual os rins trabalhavam.
As proteínas, ao serem digeridas, geram compostos
tóxicos contendo nitrogênio, que é
excretado em forma de uréia pelos rins. Esta
excreção dispara um excesso de diurese
(produção de urina) que leva rapidamente
a um estado de baixa hidratação, mesmo
na ausência de sintomas. Na verdade, os atletas
que participaram do estudo não sentiram aumento
da sede durante a dieta com alto teor de proteínas,
em comparação com os períodos de
menor consumo, nem mesmo quando o teor de água
no organismo caiu abaixo dos níveis saudáveis.
Com base nos resultados do estudo, os pesquisadores
recomendam que se evite ingerir alta percentagem das
calorias diárias sob a forma de alimentos ricos
em proteínas, como ovos, carne e outros. Mas,
se optar por ingerir uma carga aumentada da substância
— maior que 1,8 gramas por quilo de peso por dia
— , a pessoa deverá aumentar a ingestão
de líquidos, para se proteger contra a desidratação.
Em relação às dietas ricas em proteínas
visando à perda de peso, a Associação
Médica Americana já havia emitido um parecer
dizendo que "não existem evidências
científicas" de que o consumo excessivo
de proteínas leve a uma redução
de peso em longo prazo. Além disso, este procedimento
pode colocar o indivíduo sob risco de sintomas
como fadiga e vertigens.
*Nutricionista.
Especialista em Nutrição Clínica.
Consultora em Nutrição Humana do site
HOSPITALGERAL.com

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