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Dietas reforçadas em proteínas causam desidratação

Andréa Messenberg*

Sabe aquela dieta específica para atletas, que instrutores de academias costumam indicar, com muita proteína proveniente de carne e ovos? E aqueles suplementos, tão "recomendados" para halterofilistas, fisiculturistas e praticantes de esportes pesados, à base de proteínas e aminoácidos, com modelos de corpos perfeitos nas embalagens? E aquela dieta para perda rápida de peso, baseada no consumo quase exclusivo de carne, bacon, ovos e outros alimentos ricos em proteínas, sem carboidratos como batata, massa,

arroz, vegetais e frutas? Pois é. Pesquisadores dizem que este tipo de dieta é capaz de causar desidratação, mesmo em pessoas com excelente condicionamento físico e ótima saúde.

As proteínas são substâncias compostas de aminoácidos, essenciais para a construção de músculos, pele, cabelos e unhas, entre outros. Podem ser utilizadas como fonte de energia no organismo, na falta de outra mais fácil, como os carboidratos ou gorduras. Quando utilizadas como fonte de calorias, a energia que o organismo gasta para quebrá-las é mais alta do que a energia despendida para quebrar os carboidratos e as gorduras, o que, em teoria, poderia torná-las mais "vantajosas" para quem quer perder peso. Pessoas que praticam esportes pesados, com o objetivo de aumentar a massa muscular, costumam procurar dietas com excesso de proteínas na expectativa de que esta dose extra auxilie na modelagem dos músculos e facilite o ganho de musculatura.

Porém, a digestão das proteínas para geração de energia gera subprodutos tóxicos que precisam ser eliminados do organismo. Esta eliminação é feita pelos rins e consome muita água. Para tentar determinar se este tipo de dieta causa algum prejuízo para o organismo, pesquisadores liderados pelo estudante de graduação William Forrest Martin, da Universidade de Connecticut, verificaram sua influência sobre a hidratação, que é a capacidade de reter e distribuir água de forma saudável entre os órgãos e tecidos do corpo. Eles tomaram cinco atletas praticantes de maratonas, com excelente condicionamento físico, e os instruíram a consumir três tipos de dieta — com baixa, média e alta carga de proteínas — durante três períodos consecutivos de quatro semanas. Ao longo de cada período, foram colhidas amostras de sangue para a checagem de parâmetros de saúde.

Os pesquisadores verificaram que, durante o período de alta ingestão de proteínas, os atletas apresentaram tendência à baixa hidratação e à desidratação. Constataram também que esta dieta elevou a carga sob a qual os rins trabalhavam.

As proteínas, ao serem digeridas, geram compostos tóxicos contendo nitrogênio, que é excretado em forma de uréia pelos rins. Esta excreção dispara um excesso de diurese (produção de urina) que leva rapidamente a um estado de baixa hidratação, mesmo na ausência de sintomas. Na verdade, os atletas que participaram do estudo não sentiram aumento da sede durante a dieta com alto teor de proteínas, em comparação com os períodos de menor consumo, nem mesmo quando o teor de água no organismo caiu abaixo dos níveis saudáveis.

Com base nos resultados do estudo, os pesquisadores recomendam que se evite ingerir alta percentagem das calorias diárias sob a forma de alimentos ricos em proteínas, como ovos, carne e outros. Mas, se optar por ingerir uma carga aumentada da substância — maior que 1,8 gramas por quilo de peso por dia — , a pessoa deverá aumentar a ingestão de líquidos, para se proteger contra a desidratação.

Em relação às dietas ricas em proteínas visando à perda de peso, a Associação Médica Americana já havia emitido um parecer dizendo que "não existem evidências científicas" de que o consumo excessivo de proteínas leve a uma redução de peso em longo prazo. Além disso, este procedimento pode colocar o indivíduo sob risco de sintomas como fadiga e vertigens.

*Nutricionista. Especialista em Nutrição Clínica. Consultora em Nutrição Humana do site HOSPITALGERAL.com