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Especialistas
ensinam métodos viáveis de administração
hospitalar
Cláudia Brito
"Oferecer melhor qualidade, com menor preço
e menor custo, deve ser a meta de todo administrador
hospitalar", afirmou o professor da Universidade
Gama Filho (UGF/RJ), Eduardo Martins. Segundo ele, ter
eficiência e gerar lucro no setor de saúde
causa conflito, mas é possível equilibrar
interesses financeiros com qualidade. "Devemos
cortar despesas desnecessárias para investir
no que é essencial. A redução de
custos não pode ser realizada a qualquer preço,
mas sim de forma responsável, sem prejuízo
para o paciente. Não se pode reduzir somente
para aumentar o lucro, levando ineficiência ao
atendimento. A qualidade funcional é tão
importante quanto a técnica", destacou Martins.
Para ele, é preciso ter criatividade a fim de
saber aproveitar os recursos disponíveis, fazendo
o melhor com o que se tem. "Inovar não quer
dizer comprar mais equipamentos, mas sim melhorar sua
atividade. Criar métodos simples que evitem a
formação de filas, por exemplo, pode promover
uma significativa melhora no atendimento, sem grandes
custos. É fundamental descobrir os pontos fortes,
para aproveitá-los, e os fracos, para consertá-los",
enfatizou.
Satisfação do cliente
Eduardo
Martins alertou que o cliente começa a avaliar
a qualidade do hospital ainda no estacionamento, pelo
atendimento do manobrista, e na recepção.
"O hospital tem que se concentrar no atendimento
ao paciente de forma a mantê-lo vivo, mas sem
esquecer de também atender bem à família
de seu cliente. Muitas vezes, os familiares ficam
inseguros e desinformados, e acabam tendo uma má
impressão do estabelecimento de saúde",
revelou.
A professora do COPPEAD/UFRJ, Heloísa Leite,
lembrou que é essencial reformular a formação
médica para melhorar o atendimento. "Não
dá para sair de uma faculdade de medicina sem
saber nada sobre satisfação do cliente
e sobre custo. Não podemos continuar a formar
doutores que pedem fios caros sem necessidade. Gerir
é obter resultados através de pessoas",
defendeu.
Para a professora da Fundação Getúlio
Vargas (FGV/RJ), Tânia Furtado, cada gestor
precisa criar o seu gerenciamento próprio,
de acordo com a sua realidade. "O administrador
precisa olhar de forma nova para seu negócio,
buscando o que pode fazer diferente e melhor, sem
utilizar o Managed Care, por exemplo, que
é uma história de outro país,
e não do Brasil", ensinou.
Eduardo Martins também concordou que a doença
não pode ser tratada como business.
"O paciente tem que ser valorizado em primeiro
lugar. A atividade empresarial tem que ser apoio,
e não objetivo principal. Atualmente, nosso
sistema ainda é muito focado na questão
da doença", advertiu.
Modelo "hospitalocêntrico"
Para o
diretor do site HOSPITALGERAL.com, o médico
e gestor hospitalar Carlos Hiran Goes de Souza, o
atual modelo assistencial é focado no hospital.
"Os modelos de hoje não atingem quem usa,
compra e vende. Temos que refletir sobre isso e nos
questionar, em função dos resultados
que esperamos. A que lugar chegaremos seguindo os
atuais modelos? Em todos os momentos de nossa história,
a necessidade provoca a mudança e induz a uma
adaptação. Da mesma forma, hoje, em
função da desospitalização,
precisamos nos adaptar a uma nova gestão",
analisou.
Eduardo Martins alertou que é preciso ter cuidado
com a desospitalização inadequada. "O
repasse irrestrito da responsabilidade do atendimento
médico para a família, em uma alta antecipada,
só pode acontecer quando o paciente tem condições
de receber os cuidados médicos adequados em
sua casa ou em uma instituição, para
não prejudicar sua recuperação",
explicou.
Segundo Heloísa Leite, a assistência
domiciliar é uma tendência irreversível.
"Há algum tempo, pude comprovar essa afirmação
quando percebi que minha mãe poderia morrer
se ficasse mais um dia internada no hospital. Contratamos
uma empresa de home care que, em uma hora
e 40 minutos, conseguiu montar o quarto dela em casa
e realizar a transferência", contou a professora.
Os especialistas participaram da mesa redonda "Ensino
da Gestão para a Transformação
das Organizações Hospitalares",
que aconteceu durante o IX Hospital Business —
Congresso e Feira Internacional de Produtos e Serviços
Hospitalares, realizado em outubro no Rio. O evento
é promovido anualmente pela Associação
de Hospitais e Clínicas do Rio de Janeiro (AHCRJ),
Federação de Hospitais do Estado do
Rio de Janeiro (FEHERJ) e pelo Sindicato dos Hospitais
e Estabelecimentos de Serviços de Saúde
no Estado do Rio de Janeiro (SINDHERJ).

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