Artigo 
  Associação de Classe
  Colunas e opiniões
  Cremerj
  Depoimento
  Excelência
  Gestão
  Hospital do Mês
  Novas tendências
  Oftalmologia
  Personalidade
  Quem diria
 
  Expediente
  Edição anterior
  Charge
  Conheça estes sites
  Eventos
  Livros Recomendados
 
  Página Inicial

Campanha Social
Campanha Social



Prevenção e tratamento da retinopatia da prematuridade

A cada dia fica mais evidente que o serviço voluntário auxilia na melhora da qualidade de vida das camadas menos favorecidas. Prova disso é o trabalho desenvolvido pela médica Andrea Zin. Ela atua desde 1997 no combate à cegueira infantil, identificando e tratando recém-nascidos com retinopatia da prematuridade, uma das principais causas de deficiência visual em crianças. Com este trabalho, a oftalmologista vem desenvolvendo sua tese de doutoramento.

Andrea Zin deu início à pesquisa como colaboradora no Departamento de Neonatologia, do Instituto Fernandes Figueira - IFF/ FIOCRUZ, no Rio de Janeiro. De acordo com a médica, no ano inicial do projeto foram atendidas 240 crianças, sendo que 80 na UTI do IFF e o restante em seu próprio consultório. No entanto, a idéia deu frutos. Em agosto de 2000, o IFF inaugurou seu ambulatório de oftalmologia, com o apoio administrativo do Instituto VIDI para a Visão e Desenvolvimento. Equipamentos como oftalmoscópio, retinoscópio e computadores, entre outros, foram adquiridos através de um convênio firmado com a ONG alemã Christoffel-Blindenmission (CBM-Internacional) e a Ericsson.

Visando a reduzir o déficit no atendimento a neonatos propensos à retinopatia da prematuridade, a CBM-Internacional, a International Agency for Prevention of Blindness - IAPB, a Unidade VIDI - Instituto Fernandes Figueira e a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro pretendem, a partir do próximo ano, estender o serviço de triagem às maternidades Alexander Fleming e Carmela Dutra, o Hospital dos Servidores do Estado e ao Hospital Geral de Bonsucesso.

De acordo com Andrea Zin, coordenadora do projeto de prevenção à cegueira, será implantado um programa de triagem semanal e tratamento nas seis unidades neonatais públicas responsáveis por 50% de todos os recém-nascidos de risco do município. "Hoje o IFF atende a mil crianças. A partir de 2003, esse número passará para 1,6 mil, com a ativação das novas unidades", explicou. Andrea disse também que o projeto ainda prevê, num período de três anos, a extensão do benefício a outras UTIs neonatais.

Andrea Zin revelou que o índice de cegueira no país é muito grande. Ela estima que, a cada 1 milhão de crianças, 150 delas sejam cegas. "No Rio, 30% da população deficiente visual é constituída de crianças. De um total de 2 milhões, 300 são cegas. Temos que trabalhar para combater as causas previsíveis de cegueira", destacou.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam a retinopatia da prematuridade como a principal causa de cegueira na América Latina. "Essa região contabiliza 100 mil cegos. A retinopatia é responsável por 24 mil deles. Para reverter esse quadro, o diagnóstico deve ser feito ainda na UTI", informou.

O que é retinopatia da prematuridade

A retinopatia da prematuridade é uma doença fibrovascular, vasoproliferativa, que acomete os dois olhos, mais especificamente a retina periférica, de recém-nascidos prematuros. Inicialmente denominada fibroplasia retrolental, foi reconhecida pela primeira vez em 1941 pelos médicos Paul Chandler e Frederick Verhoeff.

Especialistas afirmam que nem todos os pacientes diagnosticados desenvolverão a enfermidade, havendo uma variação de gravidade em cada pessoa. É necessário o exame de rotina, na unidade de terapia intensiva neonatal, em crianças que nascerem com peso abaixo de 1,5 kg e menos de 32 semanas, para a identificação imediata daquelas que desenvolverão a forma grave da doença. O tratamento, por meio de crioterapia ou laser, evita a progressão da enfermidade e, conseqüentemente, a cegueira.

Andrea Zin acredita que, para que se tenha uma redução no número de casos de cegueira infantil no país, deve haver uma estreita colaboração entre neonatologistas e oftalmologistas. A avaliação de bebês prematuros de risco precisa se tornar rotina nas UTIs neonatais, bem como o encaminhamento para os especialistas após a alta. "Se o indivíduo não vê, ele acaba custando mais para o Estado. O custo para tratá-lo é menor do que o da reabilitação", analisou.

Estudos

Um evento promovido em 2002 pela Agência Internacional de Prevenção à Cegueira, em parceria com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, a Sociedade Brasileira de Pediatria e o Instituto VIDI, reunindo profissionais de várias partes do Brasil, trouxe avanços no combate à doença no país. Uma das resoluções de maior peso no evento foi a de se determinarem critérios e exames únicos em nível nacional para a avaliação de prematuros. Outra decisão tomada no workshop foi a criação de um Comitê Nacional, com representatividade nos Estados, para implementar ações como a captação de recursos — destinados a equipar as unidades neonatais — e a orientação aos oftalmologistas sobre como tratar da retinopatia da prematuridade.

Espaço publicitário