|
|
José
Noronha
Nos
últimos anos, houve avanços na
saúde pública no Brasil. A afirmação
é do médico e professor José
Carvalho de Noronha. Em sua avaliação,
o Sistema Único de Saúde (SUS),
embora operando com dificuldades, foi um dos
grandes propulsores do processo que, segundo
ele, é ímpar na organização
de sistemas de saúde da América
Latina. A incorporação tecnológica
e a qualificação profissional
também são apontadas como fatores
de sucesso por nosso entrevistado, em destaque
nesta edição.
|
Desenvolvendo um trabalho voltado para a avaliação
da qualidade de sistemas e serviços de saúde,
José Noronha é um dos responsáveis
pela implantação do Consórcio
Brasileiro de Acreditação/Joint
Commission International (CBA/JCI) no país.
Com o objetivo de melhorar a qualidade dos hospitais
nacionais, o órgão já acreditou
os hospitais Albert Einstein (SP) e Hemorio (RJ).
No momento, o Hospital Moinhos de Vento (RS), o Instituto
de Olhos Freitas (BA) e o Hospital do Coração
(SP) estão na fase final do processo. "Hoje
podemos dizer que alguns de nossos hospitais apresentam
padrão internacional de qualidade, semelhante
ao das instituições americanas, italianas
e espanholas", comparou.
Especialista em Saúde Pública pela Universidade
de Leeds - Inglaterra, e doutor em Saúde Coletiva
pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ,
Noronha é professor adjunto do Instituto de
Medicina Social (IMS/UERJ), onde ministra a disciplina
Políticas e Planejamento em Administração
de Saúde há 30 anos.
Na vida pública, José Noronha atuou
como secretário de Medicina Social do antigo
INAMPS, no ano de 1985, e como secretário Estadual
de Saúde do Rio de Janeiro, de 1988 a 1990,
no governo Moreira Franco, além de dirigir
o Instituto de Medicina Social, no período
de 1992 a 96. Um de seus orgulhos é ter sido
agraciado, em 1989, com a Ordem do Mérito Médico.
Atualmente, é médico da Fundação
Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), responsável pela avaliação
de serviços de saúde, e coordena a Comissão
de Ciência e Tecnologia em Saúde e a
Comissão de Redução de Mortalidade
por Trauma e Violência, do Conselho Nacional
de Saúde. Noronha também é presidente
da Associação Brasileira de Pós-Graduação
em Saúde Coletiva (ABRASCO).
Uma
avaliação da saúde brasileira
Em
uma rápida análise da conjuntura em saúde
pública no Brasil, José Noronha considera
como fato relevante, nos últimos anos, o esforço
da sociedade e do conjunto de profissionais da saúde,
que levou à conquista, na Constituição
Brasileira de 1988, do capítulo exclusivamente
dedicado à saúde. "Ele trata do direito
de todo cidadão brasileiro ao acesso à
saúde, sem dúvida uma vitória importante",
disse.
Outras conquistas que considera de grande valia são
a regulamentação dos Planos de Saúde,
a lei dos Medicamentos Genéricos e a expansão
do programa Médico de Família, instituídas
pelo Ministério da Saúde.
Mas para que a saúde pública avance ainda
mais, o sanitarista aponta como medida de vital importância
o aumento do orçamento para a saúde, nas
três esferas de governo — municipal, estadual
e federal —, já para o ano de 2004. Noronha
acredita que o valor precisa atingir, no mínimo,
o patamar de R$ 70 bilhões. "Não
é possível oferecer atenção
à saúde com qualidade quando os três
níveis de governo investem pouco na área
de saúde pública", lamentou.
Estabelecer a Carta dos Direitos do Paciente, requalificar
os hospitais brasileiros e estimular suas atividades
com o Consórcio Brasileiro de Acreditação
também são apontados por José Noronha
como fatores críticos de sucesso para que a saúde
no país atinja níveis ótimos de
qualidade.

|