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Campanha Social
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Cremerj preza por excelência no ensino de medicina
Por Augusto Morais

Dr. Mário Jorge Noronha
Defensor de investimentos para a implantação de uma medicina de qualidade, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro - Cremerj, Mário Jorge Rosa de Noronha, tem um posicionamento firme. Em sua opinião, para que a profissão atinja níveis de excelência, é necessário que o Ministério da Educação reveja a licença de algumas instituições de ensino que não oferecem uma boa formação acadêmica.

Atualmente 15 instituições oferecem a graduação em medicina no estado. No entanto, para Mário Noronha, sete delas deveriam ter suas atividades suspensas pelo Ministério da Educação. "Dessas faculdades ruins, a Estácio de Sá, Unigranrio e o campus avançado da Unig de Itaperuna não possuem o aval do Ministério da Educação e só estão operando graças a uma liminar judicial", diz.

Como forma de avaliar a capacidade dos médicos recém-formados, o Conselho Federal de Medicina pretende instituir um Exame Prévio para a concessão de registro profissional. No entanto, o presidente do Cremerj não acredita que uma prova similar àquela promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seja o ideal. "Não sei se um exame prévio seria a melhor maneira de resolver a qualidade dos médicos que ingressam no mercado. Ao contrário do que acontece em Direito, quem não for aprovado não poderá aproveitar o investimento financeiro e o tempo gasto. Quer dizer, não poderão exercer de forma nenhuma a profissão. Mas estou aberto a discussões", explica.  

 
O rendimento dos estudantes de medicina no último Exame Nacional de Cursos, popularmente conhecido como "provão", não agradou às organizações de classe. Para o presidente do Cremerj, o fato só reforça a tese que mostra a deficiência no ensino e a necessidade de grandes reformas. "Só se pode tolerar uma faculdade que atinja no mínimo o conceito 'C'. Fora disso não dá. O Cremerj não concederá registro para esses formandos. As instituições colocarão no mercado pessoas despreparadas para o exercício da profissão", enfatiza.
Mário Noronha classificou a atitude dos dirigentes das más faculdades como um ato desumano."Manter aberta uma unidade de ensino que não cumpre o seu papel é um crime parecido com o que aconteceu no World Trade Center, nos Estados Unidos, em setembro de 2001. A diferença é que aqui morrerão 10 vezes mais pessoas do que lá", destaca.

Saturação do mercado

Na visão de Noronha, o mercado de trabalho na área médica encontra-se com excesso de profissionais. De acordo com levantamentos do Cremerj, ingressam anualmente no estado do Rio cerca de 2.200 novos médicos.

Jorge Noronha revela que atualmente há no país a proporção de um médico para cada grupo de 300 habitantes, enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) determina que o ideal é que cada profissional atenda a um grupo de mil pessoas. "Na luta por um espaço no mercado de trabalho, o médico acaba tomando atitudes que não correspondem a um profissional sério. Além disso, a falta de ética e competência agravam mais a situação", avalia.

Educação continuada

Estimular a educação continuada é uma das principais bandeiras do Cremerj. O órgão, além de fiscalizar a conduta ética e moral dos profissionais, está mais preocupado em zelar pela função pedagógica do que em tomar atitudes punitivas. "Trabalhamos para que os médicos sejam cada dia melhores. Assim são evitados muitos problemas no futuro", define.