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Este
ano, o curso de graduação
em Enfermagem passará pelo
seu primeiro Exame Nacional de Cursos,
com o qual o destino de várias
faculdades e alunos está
em jogo. Marilda Andrade vê
uma grande vantagem no fato. Para
ela, o "provão"
está forçando as faculdades
a se tornarem melhores. O mesmo
diz dos alunos.
Marilda
não se arrisca em classificar
quais as melhores e piores faculdades
de enfermagem do país. No
entanto, para que as escolas tenham
um padrão mínimo,
a professora considera como essencial
que o corpo docente tenha mestrado
e doutorado, além de manter-se
atualizado, lendo e produzindo publicações
científicas.
Para
satisfazer às necessidades
dos alunos, as unidades de ensino,
ainda de acordo com a professora,
precisam estar equipadas com um
bom acervo bibliográfico,
e laboratórios que reproduzam
a realidade enfrentada no cotidiano
pelos profissionais. "Com essas
medidas, todos sairão ganhando,
e assim a enfermagem terá
mais qualidade", diz.
Demanda
reprimida
A
reforma do ensino permitiu a criação
de novas escolas de enfermagem em
todo o país. Até meados
da década passada, a grande
maioria das faculdades de enfermagem
pertencia à rede pública.
Após esse período,
segundo a professora, permitiu-se
que mais pessoas ingressassem no
curso.
Para a chefe de departamento, a
criação de novas faculdades
de enfermagem atendeu parte de uma
demanda que há anos estava
reprimida. "Aumentou substancialmente
o número de profissionais
de enfermagem a ingressar no setor.
Entram anualmente no mercado de
trabalho mais de 2.500 novos enfermeiros",
revela Marilda.
De acordo com dados da Organização
Mundial de Saúde (OMS), é
necessário que se tenha a
proporção de um enfermeiro
para cada grupo de 100 pacientes.
Marilda Andrade acredita que a realidade
brasileira ainda está muito
aquém desse número.
A professora exemplifica o problema
citando o Hospital Universitário
Antônio Pedro - HUAP, em Niterói
(RJ). "O Hospital da UFF possui
em torno de 300 leitos. Para esse
montante, seria necessária
uma equipe de 30 profissionais em
cada plantão", revela.
Qualificação
profissional
Sejam
auxiliares, técnicos ou enfermeiros
propriamente ditos, os profissionais
que atuam nessa área, bem
como o governo, estão buscando
a cada dia novos caminhos para a
qualificação da profissão.
Com isso, a enfermagem, que no tempo
de Ana Nery era meramente assistencial,
toma novos rumos e envereda para
áreas diversas, como a de
saúde do trabalhador, home
care (assistência domiciliar),
saúde pública, obstetrícia
(com autonomia para partos sem risco),
e ensino (1º, 2º e 3º
graus e creche). "A enfermagem
está saindo da área
institucional. Isso faz com que
todos necessitem de se aperfeiçoar",
explica Marilda.
Para melhorar a qualidade de profissionais
que atuam como técnicos e
auxiliares em enfermagem, o Governo
Federal está implantando
o Programa de Formação
de Enfermagem (Profae).
Com o programa, esses profissionais
terão a oportunidade de concluírem
os seus estudos, além de
passarem por um processo de reciclagem.
O Profae ainda prepara os professores
que ministrarão as aulas.
Na opinião da professora
Marilda Andrade, a qualificação
profissional na área da enfermagem
pode ser comparada a uma pirâmide.
"No momento em que qualificamos
o enfermeiro, automaticamente temos
de fazer o mesmo com os auxiliares
e técnicos. Estes dois últimos
são os executores das ações
diretas da enfermagem. São
eles que empreendem ações
de baixa e média complexidade",
diz.
Gestão
de enfermagem
Marilda
Andrade lamenta que ainda haja um
pequeno número de enfermeiros
atuando como gestores hospitalares.
A professora acredita que o fato
se deva a preconceito dos médicos
contra a área de enfermagem.
"É comum criar a imagem
do enfermeiro como a pessoa responsável
por auxiliar o médico. O
gestor hospitalar é aquele
que provê todas as necessidades
físicas e financeiras de
um hospital. E o enfermeiro está
preparado para atuar nessa área
também, pois tem, em sua
formação, base em
administração",
revela.
A professora afirmou que se encontram
mais enfermeiros gerenciando seus
próprios serviços,
ou seja, o setor de Enfermagem em
um hospital, por exemplo. Mas, segundo
ela, clínicas, laboratórios,
equipes multidisciplinares e programas
de saúde começam a
contratar enfermeiros para geri-los.
"Os enfermeiros têm sempre
de provar que são bons",
enfatiza.
Profissionais
de enfermagem atuam com mais freqüência
na área de gestão
hospitalar
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