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Campanha Social
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A saúde perde Ronaldo Gazola

O nome de Ronaldo Gazola ficará eternizado na história da saúde pública do Rio de Janeiro. Morto em agosto último, o médico dedicou parte de seus 38 anos de vida profissional ao serviço público de saúde. Gazola, segundo colegas, conseguiu implantar de forma singular o Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Ultimamente, Ronaldo Gazola representava o Ministério da Saúde no Estado do Rio de Janeiro.

Mineiro de Três Corações, Ronaldo Gazola tinha 67 anos e se formou em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo feito sua residência médica no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE). Em seu currículo também constam a função de professor assistente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e a chefia de equipe do Hospital Rocha Maia, durante 20 anos.

Vida Pública

Mas foi em 1983 que a vida de Ronaldo Gazola tomaria um novo caminho. A convite do então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, o médico assumiu a Coordenadoria de Serviços de Saúde. E ainda no primeiro mandato de Brizola, passou ao cargo de subsecretário. Em 1992, fez parte da administração do prefeito Marcello Alencar, como secretário de saúde. Dando continuidade na mesma função, atuou nos governos dos prefeitos César Maia e Luiz Paulo Conde.

De acordo com o amigo, o advogado Roberto Soares de Souza, Gazola teve uma atuação brilhante como secretário de saúde. "Um dos pontos marcantes foi ter conseguido fazer com que os preços dos medicamentos adquiridos pela prefeitura do Rio de Janeiro fossem os menores do país", destacou. Roberto disse ainda que, a partir daí, o Tribunal de Contas da União e o Tribunal de Contas do Estado adotaram a tabela de preços carioca como parâmetro para os valores praticados por outros municípios. "O modelo de compra da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro passou a ser aplicado por outras prefeituras", disse.

Foi na gestão de Ronaldo Gazola que a prefeitura do Rio começou a pôr em prática o sistema de cooperativas de trabalhadores, visando a melhorar a qualificação dos profissionais, bem como do serviço prestado nos hospitais e postos de saúde. Nessa mesma época, os postos de atendimento passaram a funcionar 24h, podendo-se fazer a marcação de consultas médicas por telefone.

Amor ao próximo

Helena, esposa de Ronaldo Gazola, destacou que a vida do seu marido sempre esteve voltada para o auxílio aos mais necessitados. Como médico, o fato era rotina. Em agosto de 1995, assumiu a direção do Educandário Social Lar de Frei Luiz, no bairro de Jacarepaguá. Na instituição, que presta serviços a crianças e idosos carentes, mais uma vez pôde contribuir para que pessoas menos favorecidas tivessem uma vida mais digna. "Ele deixou uma história muito bonita. Além de pensar no próximo, era um bom chefe de família e um bom pai", disse Helena. Para o amigo Roberto Soares, Gazola soube compatibilizar a profissão com seus dons mediúnicos. "No Lar de Frei Luiz, ele encontrou uma boa oportunidade para desenvolver o bem. Ele sempre procurou conhecer o homem como um todo: corpo e espírito", definiu.

Certa vez, entrevistada pelo jornal Portal de Notícias, a professora do COPPEAD/UFRJ, Heloísa Leite, disse que a administração de Ronaldo Gazola na Secretaria de Saúde do município teria sido o melhor fato acontecido nos últimos anos na Prefeitura do Rio de Janeiro. "Gazola soube instalar de forma eficaz o SUS", afirmou.

Homenagem póstuma

O reconhecimento do trabalho deixado por Ronaldo Gazola foi concretizado em homenagens póstumas. Seu nome foi dado à Policlínica da Universidade Estácio de Sá, e também, de acordo com declarações do prefeito César Maia, batizará um hospital ainda em construção no bairro de Acari.

 

"Gazola vem merecidamente recebendo muitas homenagens. Nossa admiração por este homem público e por sua dedicação às causas da saúde coletiva nos faz rogar aos céus que ele continue em espírito um mensageiro de luz, compaixão e caridade".

Carlos Hiran Goes de Souza, gestor do site HOSPITALGERAL.com