
Moda chega ao setor de saúde
Já
foi tempo em que os hospitais tinham ar de doença
e tristeza. Hoje é crescente a preocupação
de administradores hospitalares com o bem-estar e a
rápida recuperação dos pacientes.
Em função disso, a rede hospitalar está
buscando criar sua identidade visual, que começa
na disposição do mobiliário e nas
cores das paredes e inclui até os uniformes dos
funcionários e utensílios de hotelaria.
Quando
o assunto é identidade visual, os uniformes estão
em primeiro plano. De acordo com Flávio Sabrá,
desenhista industrial e professor do Centro de Tecnologia
da Indústria Química e Têxtil, SENAI
- CETIQT, o visual é um dado decisivo para a
identificação de uma marca.
Sabrá,
que presta serviço a três grandes confecções
no Rio de Janeiro, cujos clientes giram em torno de
cem hospitais no Estado, revelou que a produção
de uniformes e material para hotelaria hospitalar deve
aliar custo, beleza e praticidade. "Precisamos
saber o que o cliente quer. Sua necessidade deve estar
vinculada ao custo-benefício do material",
disse.
De
acordo com Flávio Sabrá, confeccionar
uniformes hospitalares não é tarefa simples.
Segundo ele, é preciso criar modelagem adequada
para o ambiente, sem esquecer o bom caimento. Além
disso, o especialista necessita pesquisar o tecido ideal
para aqueles trabalhadores, verificando a durabilidade
e a praticidade para o uso prolongado.
A
moda hospitalar destituiu a cor branca de seu monopólio.
Hoje é possível encontrar roupas em tons
de cores claras, ornamentadas com frisos, barras e bordados,
que são empregados para distinguir os funcionários
de cada setor do hospital.
Setor
em expansão
Segundo
avaliação de Flávio Sabrá,
o setor de confecção voltado para os uniformes
hospitalares está em plena ascensão. O
estilista acredita que o fato se deva à nova
visão de negócio dos diretores de hospitais.
"Hoje, grande parte deles são empreendedores
e dirigem as unidades com forte ênfase administrativa",
definiu.
Diretamente
proporcional ao crescimento do mercado está a
exigência dos administradores hospitalares. "É
um mercado sedento de novidades. Temos que estar sempre
preocupados em atender aos anseios dos nossos clientes",
disse Sabrá.
Mas
a evolução nos uniformes de médicos,
enfermeiros e recepcionistas, segundo o designer, vai
além de uma simples moda. Sabrá acredita
que uma equipe médica bem vestida, além
de proporcionar um bom apelo visual, é responsável
por transmitir segurança e respeito. "Não
adianta um profissional atender a um paciente estando
com a aparência descomposta. A empresa deve ter
uma preocupação visual com a sua equipe",
afirmou.
A
produtora de moda e supervisora do Curso Superior de
Design de Moda do SENAI -CETIQT, Lu Catoira, avalia
a área médica, sem falar nos uniformes,
como sendo a que menos entrou no mundo da moda. Para
ela, a cor branca adotada pela categoria não
é muito variável. "As mulheres conseguiram
adaptar o seu estilo à roupa de trabalho. A novidade
neste setor está no uso de novas matérias-primas
na confecção das vestes. Antes, apenas
a gabardine era usada. Hoje, microfibra, brim, linho
e elastano são largamente empregados", comparou.
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