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Campanha Social
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"Getulinho" é o primeiro hospital do Brasil a adotar a arte como terapia médica.

Quem chega ao segundo andar do Hospital Getúlio Vargas Filho, no bairro do Fonseca, em Niterói (RJ), não imagina que aquele homem usando chapéu de bruxo e comandando uma verdadeira gincana cultural com os pequenos pacientes é o médico Daniel Chutorianscy. No entanto, engana-se quem pensa que tudo aquilo é apenas uma saudável brincadeira de criança. O hospital "Getulinho", como é carinhosamente conhecido, é pioneiro no país em utilizar a arte como terapia médica.

Referência no atendimento infantil, a unidade de saúde conseguiu reduzir o tempo médio de internação de nove dias, em 1999, para seis, em 2001, depois que Chutorianscy implantou o projeto "Conto com você, magia e encantamento", que utiliza a arte no tratamento de crianças com os mais variados quadros clínicos. "Conseguimos reduzir em 30% o tempo de internação. Assim, ganhamos 4,5 dias/leito para a comunidade, o que representa menor risco e menor custo", disse.

Às terças e sextas-feiras, a rotina do "Getulinho" muda radicalmente. Crianças, pais, médicos e voluntários se unem num grande evento, em que os remédios são substituídos por papel, tinta, lápis, música, criação de histórias, toque físico e muita criatividade. O médico lembra que o projeto mudou totalmente o perfil do hospital. "Aqui só é permitido morrer de rir. Antes tudo era muito triste e sujo, sem contar o nervosismo dos pais. Vim para desfazer o modelo tradicional de hospital e médico. E o resultado vemos no rosto das crianças e dos pais", afirmou.

No projeto "Conto com você, magia e encantamento", nunca se sabe o que irá acontecer. Tudo é criado na hora. Dos desenhos feitos pelas crianças e suas mães, surgem histórias, e delas, canções. "O pior lugar do mundo é o hospital, pois se convive com a dor e a angústia. Mas substituímos tudo pela solidariedade. Fazemos com que todos externem seus sentimentos e rompam o anonimato. Saúde é uma transformação social", definiu.

Resistência

Daniel Chutorianscy lembra que, ao implantar o projeto no "Getulinho", encontrou resistência de seus colegas de trabalho e até dos familiares dos doentes. "No início, meu trabalho foi um pouco rejeitado. Mas, à medida que os resultados positivos foram surgindo, as pessoas passaram a rever suas opiniões. Tudo o que é feito dentro do conceito ético é válido", explicou.

De acordo com o médico, a arte estimula o lobo frontal direito do cérebro, que sedia o humor e é responsável pela produção de noradrenalina, serotonina e dopamina. "Medicina é arte. Não é ciência, pois não é absoluta", avaliou.

Democracia

"Conto com você, magia e encantamento" é um projeto que deixa os participantes bem à vontade. Não há normas para se criarem os desenhos, as histórias ou as músicas. "Aqui é permitido até vaiar quando não gostar da música, e rir de uma história engraçada", explicou o médico.
"Sopa de Letrinhas" é o nome da biblioteca do trabalho, que se permite "roubar" o acervo. Para o mentor do projeto, quanto mais se levam livros para casa, mais se lê e, conseqüentemente, mais se aprende. Mas, para quem está impossibilitado de ler ou ainda não é alfabetizado, a odontóloga Violeta Oliveira auxilia os pequenos na tarefa, contando as histórias das obras, através do programa Biblioteca Viva. "A leitura faz com que as crianças acamadas fiquem mais calmas. E isso é muito bom para a sua recuperação", destacou.

Edith Alves Franco, 72 anos, é considerada a fiel escudeira de Chutorianscy. Há oito meses como voluntária, Edith é a primeira a chegar. Organiza as crianças e as mães, distribui material e incentiva a todos na criação de histórias e na composição de músicas. Mas a empolgação toma conta dela no momento do ensaio do Coral do "Getulinho". Funcionários, médicos, voluntários e pacientes compõem o coral, que já se apresentou em vários lugares. O ex-paciente Edson Faria, maestro e tecladista, e seu pai, na gaita, reforçam o grupo.

Quem desejar ser voluntário ou fazer doação para o projeto, pode entrar em contato com o Hospital Getúlio Vargas Filho, na Rua Teixeira de Freitas, S/Nº, Fonseca, Niterói - RJ. Informações pelos telefones (21) 2627-1525 e 2627-1535.