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Campanha Social
Campanha Social
Afonsinho: um médico jogando pela saúde mental.
Por Augusto Morais


Dr.Afonso Celso  
 
Fuga do ostracismo e criação de uma nova imagem para os portadores de distúrbios mentais é o lema do trabalho que o médico e ex-jogador de futebol Afonsinho está implantando no Instituto Philippe Pinel, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Rolando a bola de um lado para o outro, os internos estão conhecendo os limites de seu corpo, além de mostrar para todos que a paixão nacional não se restringe apenas aos grandes craques.
 
Mais uma vez à frente de seu tempo, o visionário Afonso Celso Garcia Reis, o Afonsinho, que no passado foi o primeiro jogador brasileiro a lutar e conquistar o passe livre, agora briga para acabar com o estigma sofrido pelos doentes mentais, que muitas vezes são totalmente excluídos pela sociedade. Agora, 30 anos depois de sua vitória diante do "imperialismo" imposto, segundo ele, pelos grandes dirigentes, o técnico está ajudando os internos do Pinel a provarem que são gente como qualquer outro cidadão.  
 
O médico está utilizando a sua experiência de anos jogando profissionalmente na posição de armador — hoje conhecido como meio campo — e ensinando futebol, através do projeto do Lar Abrigado, a pessoas em tratamento psiquiátrico no Instituto Philippe Pinel e Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB/UFRJ).
 
Para Afonsinho, unir técnicas desportivas à medicina é um prazer muito grande, principalmente quando se conseguem bons resultados, como o que está ocorrendo com os seus pacientes-atletas do Pinel. Lá, de acordo com o treinador, o que mais interessa é a participação e a integração do grupo. No entanto, engana-se quem pensa que os participantes desconhecem as regras do esporte. "Aqui todos entendem de futebol. Os que são mais assíduos colaboram com os novatos e tudo acaba bem; o resultado é muito satisfatório", explica.
 

Os treinos, que acontecem duas vezes por semana no campus Praia Vermelha da UFRJ, fazem com que os pacientes do centro psiquiátrico rompam as barreira do hospital. A cada ida ao local, os internos se unem em partidas com parentes, amigos, estudantes e a comunidade, que também tiram proveito da atividade. O resultado, segundo o técnico, não poderia ser melhor: há uma confraternização proveitosa entre pessoas diferentes.

 

Mas treinar um time com atletas tão distintos não é tarefa nada fácil. Afonsinho explica que é preciso unir pacientes, comunidade, estudantes e quem mais quiser fazer parte da partida de futebol em torno de um único objetivo: o de se realizarem jogos de qualidade em cima das regras já existentes, e fazer do esporte a porta rumo a uma melhor qualidade de vida para todos. "É muito gratificante trabalhar com uma equipe heterogênea e saber que, com o futebol, alguns internos estão podendo voltar ao convívio social", declara.

Continua