Antraz é utilizado como arma bioterrorista
Por Augusto Morais

Depois de os Estados Unidos sofrerem atentados terroristas no último dia 11 de setembro, mais uma vez o mundo se volta para aquele país. No entanto, agora a guerra é silenciosa e quase invisível. Os americanos estão sofrendo com ataques bioterroristas. O antraz, que até pouco tempo era algo desconhecido de grande parte da população mundial, passa a causar medo em todos depois que a bactéria passou a ser espalhada via correio.

Com a contaminação de várias pessoas nos Estados Unidos e na Argentina, os outros países passaram a criar milícias para combater um possível ataque biológico e o surgimento de vítimas da bactéria Bacillus antracis. O antraz é uma doença comum entre o gado bovino, camelos, ovelhas, antílopes, cães e cabras, que se contaminam através da alimentação.

Tratamento e contaminação

As vítimas do antraz podem ser tratadas facilmente através da ingestão de antibióticos a base de ciprofloxamina, desde que o diagnóstico seja feito de forma rápida. Em alguns casos, a penicilina também é indicada.

Segundo especialistas, ainda não existem formas de identificação eficientes dos casos, o que poderia fazer com que as unidades de saúde só recebessem pacientes já em um estado avançado.

O antraz, genericamente chamado de carbúnculo hemático, pode atacar o homem na forma cutânea, digestiva e respiratória. Na primeira, a mais comum delas, o bacilo contamina o indivíduo pela pele, geralmente através de um ferimento. Na segunda, a mais rara, a contaminação se dá através da ingestão de alimentos com o Bacillus antracis. Já na forma respiratória, depois de inspirada, a bactéria cai na corrente sangüínea, provocando edemas, hemorragias e necrose dos órgãos.

Os primeiros sintomas do antraz muitas vezes, são confundidos com os da gripe e, por isso, pode haver dificuldade no diagnóstico. Febre, tosse e mal estar podem durar de horas a dias. Já numa segunda fase, a doença se apresenta de uma forma mais violenta, com febre alta, dificuldade para respirar e parada cardíaca.

O antraz não é contagioso. Dessa forma, não pode se disseminar de pessoa para pessoa, o que impossibilitaria, de alguma forma, uma epidemia. No entanto, suas partículas são tão pequenas que é quase impossível saber se alguém as inalou.

Arma bacteriológica

O antraz está sendo usado uma arma biológica em potencial. O Bacillo antracis, causador da infecção, pode resistir ao calor e frio intenso durante décadas, apenas aguardando as condições adequadas para a sua germinação. Torná-la uma arma não é tarefa nada simples. Portanto é possível concluir que o trabalho dos cientistas que de dedicaram ao estudo foi árduo e bem focado em seus objetivos.

De acordo com a Associação Médica Americana (AMA), há pelo menos 17 países que desenvolvem programas de armas biológicas, sendo alguns deles produtores do antraz. Há muitos anos, cientistas americanos e soviéticos desenvolveram técnicas de fragmentação do antraz em minúsculas partículas, o que aumenta o seu poder de contaminação.

Historiadores acreditam que uma das pragas que atingiram o Egito, descritas no Velho Testamento, seja o antraz, um problema endêmico em grandes regiões da Ásia, África e América Latina.

Antraz ou antrax

O nome da doença vem do grego, anthrax, que quer dizer carvão. Ele faz alusão à brasa, que servia para designar as pústulas avermelhadas sobre a pele e um dos mais belos rubis da cor de sangue.

Desde que a palavra foi inserida na língua portuguesa, ela é escrita com a letra "Z" ao final. O fato pode ser comprovado em pesquisas nos dicionários Aurélio, Houaiss, Caldas Aulete, Morais e Lacerda.

Anthrax vem da língua inglesa e, segundo o professor Cláudio Moreno, "a grafia dá força expressiva e sinistra muito maior do que a do nosso antraz, evocando essas entidades maléficas que povoam os videogames e jogos de RPG".

 

 

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