De olho na hipertensão arterial
Por Fabiana Neves

Uma pesquisa do Institute for International Health divulgada neste mês de junho revelou que a prescrição de anti-hipertensivos no tratamento pós-derrame cerebral diminui as chances de uma nova ocorrência da doença, mesmo no caso de os pacientes apresentarem pressão arterial normal. A descoberta se opõe à prática corrente entre os médicos, que costumam usar estes medicamentos somente ao tratar os pacientes com hipertensão comprovada. Por isso, o HOSPITALGERAL.com recorreu a um especialista no assunto para esclarecer a questão.

Segundo o consultor em cardiologia do site, Vítor Luiz Ferreira Gomes, a conclusão da pesquisa tem fundamento, pois a hipertensão é uma das doenças relacionadas à ocorrência de AVC (Acidente Vascular Cerebral). Ele diz que, "a partir do momento que se controla a pressão, pode-se diminuir a incidência de derrame cerebral." Isto porque o fato de o paciente apresentar níveis normais de pressão arterial não implica que, numa situação desencadeadora de pico hipertensivo (esforço excessivo, estresse, tabagismo, diabetes), esteja livre de um aumento repentino na pressão e conseqüente reincidência do derrame.

Porém, Gomes afirma que "não se devem prescrever anti-hipertensivos a todos da mesma forma". O especialista chama atenção para o controle dos fatores que podem desencadear ou agravar a doença hipertensiva e os AVCs: deve-se estimular a reeducação alimentar, a atividade física regular, o anti-tabagismo, além do controle rigoroso da obesidade. É preciso também manter regulares a glicemia (taxa de glicose) e os níveis de lipídios no sangue, para impedir uma elevação do colesterol e dos triglicerídeos.

Se mesmo com todos os cuidados o paciente tiver histórico de hipertensão e doenças vasculares na família, ou apresentar sintomas que indiquem quadro de acometimento vascular, aí sim será preciso fazer uso de anti-hipertensivos.

O que é preciso saber

Às vezes a falta de conhecimento atrapalha na prevenção e no tratamento da doença. Por isso, o cardiologista esclarece que "há dois tipos de Acidente Vascular Cerebral: o derrame hemorrágico, mais freqüente a partir dos 40 anos, e o derrame isquêmico, que acomete mais comumente a terceira idade". Ele ressalta que, hoje em dia, a faixa etária de ocorrência do tipo hemorrágico é menor do que há 40 ou 50 anos, induzida pela maior incidência de hipertensão.

Dr. Vítor Luiz também destaca a importância de se levar em conta o fator hereditário, "indiscutivelmente muito importante no desenvolvimento da hipertensão". Como esta é uma causa que não pode ser evitada, o diagnóstico da doença deve ser feito o mais cedo possível; o próprio paciente, sabendo de seu histórico familiar, deve adotar um estilo de vida saudável, e conversar com seu médico.

Em termos de prevenção, o cardiologista aposta na eficácia de campanhas públicas sobre o controle do peso, da pressão e dos níveis de açúcar, colesterol e triglicerídeos no sangue, assim como no combate ao tabagismo e no incentivo à prática desportiva. No caso de reincidência do AVC, o mais indicado é a reabilitação física — reintegrar o paciente ao convívio e ajudá-lo a retomar as atividades anteriores, na medida do possível.

De acordo com Vítor Luiz Gomes, somente no Hospital de Clínicas de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde atua, as doenças vasculares cerebrais são responsáveis por 40% dos casos de internação. Segundo ele, os números comprovam a necessidade de se tomarem todos os cuidados adequados.

 

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