|
|
|
|
|
|
|

|
Dr.
Ricardo Cavalcanti - Cirurgião Plástico
|
No
início dos anos 80, um novo e revolucionário método para remoção
de depósitos de gordura indesejáveis surgiu mudando totalmente o cenário
na cirurgia plástica. A liposucção foi desenvolvida e introduzida por
dois franceses, representando uma das maiores inovações nas últimas décadas.
Retirar
gordura através de uma cânula fez com que muitos cirurgiões no início
não acreditassem na eficácia da técnica ou, ainda, pensassem que qualquer
um poderia realizar o procedimento. Esta impressão simplista, no entanto,
foi decepcionante, pois a lipoaspiração requer do cirurgião habilidade
e, particularmente, senso estético.
Existe uma premissa básica em lipoaspiração, que é a retirada de gordura
localizada; portanto, a utilização como forma de emagrecimento não só
é temerária como também contra-indicada. Os limites de retirada foram
estabelecidos ao longo da experiência com a cirurgia, sendo hoje admitido
algo em torno de 70 ml por kg de peso. Neste caso, numa pessoa com 60
kg pode-se, em tese, remover com segurança até 4,2 l. Entretanto, prefiro
retirar quantidades menores, algo em torno de 2 a 2,5 l, dependendo evidentemente
do caso. Acredito que, nos casos em que seja necessário aspirar grandes
volumes, o ideal para o paciente não é a lipo, e sim um processo de emagrecimento.
A lipoaspiração é um processo cirúrgico, e como tal deve ser tratado.
Assim, é necessária uma avaliação pormenorizada do caso, verificando sua
indicação, bem como a realização de exames pré-operatórios. A cirurgia
pode ser executada em diversas áreas que normalmente acumulam gordura,
como: culotes, joelhos, "queixo duplo", abdome, etc... Em regiões
onde exista falta de gordura, pode-se preencher com a de outras áreas
com excesso.
A
lipoaspiração é realizada através de um pequeno orifício onde é introduzida
uma cânula, de diâmetro variável entre 2,0 a 4,0 mm, resultando em uma
pequena cicatriz totalmente inaparente. O tipo de anestesia e o período
de permanência hospitalar são definidos de acordo com o paciente
e a região a ser tratada. Via de regra, o procedimento pode ser realizado
com internação de 24 horas. A grande maioria de pacientes não relata dores
nos locais, mas apenas um pequeno desconforto similar a exercícios físicos
ou dor muscular.
O período pós-operatório é de suma importância, exigindo a utilização
de cintas e/ou modeladores que exercem discreta compressão, mantendo os
tecidos e proporcionando maior conforto. As atividades corriqueiras podem
ser exercidas durante este período. Devem-se evitar exercícios físicos
e exposição solar direta. Os resultados podem ser observados a partir
do 3º mês.
É muito importante a escolha do profissional qualificado para o procedimento,
que deverá ser necessariamente um cirurgião plástico. Freqüentemente,
deparo-me com matérias e anúncios mostrando a lipoaspiração como algo
tão simples que fazem o leigo pensar que irá para uma massagista ou algo
parecido, quando na verdade trata-se de uma operação. Preocupante também
é a proliferação de "falsos especialistas" em lipoaspiração, lipoescultura
ou ainda em "escultura corporal", que não possuem qualquer formação
cirúrgica e, particularmente, em cirurgia plástica. Estes fazem questão
de confundir e iludir o público através de novas "técnicas e equipamentos",
sem nenhum substrato científico. Invariavelmente, observa-se nestes casos
uma grande frustração.
Uma forma de se evitarem dissabores e expectativas não realistas é uma
simples consulta à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Com isto,
pode-se verificar se aquele médico possui qualificação em cirurgia plástica
ou mesmo obter-se informações sobre o procedimento.
Dr.
Ricardo Cavalcanti é membro titular da Sociedade Brasileira de
Cirurgia Plástica, mestre em Cirurgia pela Universidade Federal
Fluminense (UFF-RJ) e especialista em Cirurgia Plástica.
|
|
|