Acesso negado


Sob o título "Nem senha nem respeito", o jornal O Dia publicou, no último dia 31 de outubro, o drama vivido pela pensionista do INSS Dagmar Barreto Rosadas, 81 anos. O seu pesadelo começou após esquecer a sua senha para resgate de benefício do INSS. A partir daí, Dagmar fez de tudo para conseguir o que lhe era de direito, até mesmo passar uma procuração para a sua irmã. No entanto, nada funcionou de forma correta.

Acamada em decorrência de uma fratura no fêmur, o que culminou em cirurgia, a pensionista resolveu alugar uma ambulância para conduzi-la até a uma agência do Banerj, na Rua Debret, no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Para a surpresa da pensionista, uma escada impossibilitou a sua entrada na unidade bancária, que funciona no subsolo do prédio.

De acordo com diretores do Centro Vida Independente do Rio de Janeiro - CVI, o caso de Dagmar Barreto Rosadas não é o único no país. Segundo a instituição, todos os dias acontecem casos semelhantes ao da pensionista, seja em agências bancárias, transportes coletivos, prédios públicos ou até mesmo em hospitais.

Para o advogado e diretor-executivo do CVI Rio, Geraldo Nogueira, os bancos desrespeitam muito os clientes portadores de algum tipo de dificuldade de locomoção. Geraldo, que por ser paraplégico também se inclui nesse grupo, lamenta que muitos brasileiros ainda tem cerceado o direito de ir e vir. "A cidadania no Brasil é muito atrasada. O assunto só é tratado em número. Na realidade, cidadania é uma questão individual", disse.

De acordo com Geraldo, o CVI Rio tem trabalhado muito para que o cidadão tenha os seus direitos preservados, esteja onde ele estiver. "Criamos um guia para que o deficiente físico saiba o que encontrará em diversas partes da cidade. Assim ele sairá de casa preparado para encontrar dificuldades ou até mesmo lugares preparado para esse público", explicou.

O advogado revelou que os hospitais são apontados pela publicação como os prédios com mais barreiras para os deficientes. "Deveria ser o contrário. Os hospitais, que são procurados para oferecer tratamento, acabam dificultando o acesso dos pacientes com dificuldade de locomoção", lamentou.

Para a arquiteta e consultora do CVI Rio, Verônica Camisão, a cidade vem desenvolvendo uma boa área de acesso nas vias urbanas. No entanto, Verônica lamenta que o mesmo não aconteça nas edificações do município. "As edificações deixam a desejar. Há um descompasso entre as vias urbanas e os prédios da cidade. É dever do estado fiscalizar a construção de novas edificações, e assim garantir o direito de ir e vir a todos os cidadãos", disse.


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